Revista JP

Um pai para todos

Não, você não está na época errada. Nem o jornal adiantou sua edição de fim de ano. Pode parecer estranho, mas não poderíamos deixar de homenagear um dos papais mais famosos do mundo. Ainda mais em nossa cidade, onde essa “função” é exercida durante todo o ano.

15 de agosto de 2017

Não, você não está na época errada. Nem o jornal adiantou sua edição de fim de ano. Pode parecer estranho, mas não poderíamos deixar de homenagear um dos papais mais famosos do mundo. Ainda mais em nossa cidade, onde essa “função” é exercida durante todo o ano. O aposentado Rolf Roland Herzog é Papai Noel há 25 anos e tem nessa atividade o seu modo de vida.

Conhecido também como “Fritz Noel de Pomerode”, ele considera a todos como seus filhos, mesmo agora, fora da época natalina. “Pelo fato de termos a barba e cabelos naturais, característicos de Papai Noel, a criançada automaticamente chama, pede presentes, dá abraços. Há alguns pais que repreendem, mas eu digo que não há problema. O grande objetivo é manter esta chama não só na época de Natal, mas durante todo o ano. Tanto que, durante o inverno, realizamos ações para os mais necessitados”, frisa Herzog.

Os exemplos de solidariedade também acontecem no cotidiano do Noel pomerodense. “Eu já ajudei pessoas, em supermercados, que não tinham dinheiro para ‘inteirar’ as compras para sua família, ou mesmo crianças, que extrapolaram um pouco na hora de comprar alguma coisa. Faço isso de bom coração, me sentindo como um verdadeiro pai para eles”, frisa.

Ele também acrescenta que o aconselhamento é peça chave nesse processo. “Antes de tudo, um pai precisa ser conselheiro e o Papai Noel tem esse papel. Muitas vezes, estamos nos lugares e as crianças prometem ser obedientes. Então, nós falamos com elas para que possam ter esse comportamento. Essa é uma questão muito difundida entre os praticantes do ‘noelismo’: o diálogo”. 

Herzog possui dois filhos biológicos: David e Johanna, e uma neta, Valentina, de um ano e três meses de idade. Em virtude de sua função, muitas vezes, a família precisa ficar em segundo plano para que possa levar a felicidade a outras, na maioria das vezes, desconhecidas. “No entanto, eles são compreensíveis, afinal, houve muito diálogo para chegar a esse consenso. Tanto que o nosso Natal é comemorado no dia 25, pois na véspera, eu saio por volta das 8h e volto depois da meia-noite”, relata.

O Fritz Noel pomerodense faz parte de alguns grupos espalhados pelo mundo, onde essas experiências vividas são compartilhadas. E mesmo vivendo em um aura de felicidade e harmonia, Herzog alerta sobre um problema muito presente nos dias de hoje. “Essa frase eu li e gostaria de compartilhar: ‘Existem muitos filhos órfãos de pais vivos e vice-versa’. Pela falta de tempo, os pais não têm mais tempo para os filhos e os filhos não têm mais tempo para os pais. A verdadeira razão do Natal foi, é, e sempre será o nascimento do menino Deus e ele, quando nasceu, foi glorificado pelos anjos. Por isso, temos que tratar a todos como filhos do Pai Criador”.

A família Herzog vai passar os Dia dos Pais junta, em comunhão, o que inspira o nosso “bom velhinho” a levar uma mensagem reflexiva para todos. “Pais, valorizem seus filhos, os aconselhem, pois o maior legado que um pai pode deixar para um filho é a educação, a honestidade e o amor. E filhos, não esqueçam que seus pais cada vez envelhecem mais, portanto, aproveitem a sua experiência. A convivência vai até certo ponto, por isso, deem risadas, vivenciem plenamente os momentos. Porque vai chegar o dia em que não vai adiantar chorar na lápide fria”, finaliza, emocionado, o Noel pomerodense.

 

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