Trombose e Embolia Pulmonar – dicas para a prevenção
O diagnóstico se baseia na história clínica: dor e inchaço, com endurecimento da panturrilha, calor local algumas vezes. A literatura existente recomenda a anamnese e o exame físico, combinados com a realização de testes laboratoriais e exames de imagem
A Trombose venosa é uma doença que acomete as veias, principalmente, nas pernas. É quando um coágulo de sangue obstrui o sistema venoso. Quando acontece em veias superficiais, chamamos de Tromboflebite Superficial ou Flebite; se ocorre nas veias profundas, é a Trombose Venosa Profunda.
A Tromboflebite costuma apresentar-se como um cordão endurecido em trajeto de veia superficial ou variz, vermelhidão no local, dor e um discreto inchaço ao redor da veia acometida pelo processo inflamatório ocasionado. Não há febre ou calafrios. Começa de forma espontânea, em geral, em membros inferiores, mas as veias dos membros superiores também são acometidas, como complicação de cateterismo venoso (coletar exames de sangue, fazer medicações endovenosas). O diagnóstico é feito pelo médico, preferencialmente, um cirurgião vascular /angiologista, de forma clínica – podendo ser complementada com exames de ecodoppler. Normalmente, resolve-se entre quatro e seis semanas, com auxilio de calor local, meias de compressão elástica, anti-inflamatórios prescritos pelo médico e repouso relativo (pode-se fazer atividades rotineiras em casa sem grandes exageros, com intervalos de repouso e pernas elevadas). Importante seguir acompanhamento médico, pois pode haver complicações, como a Trombose Venosa Profunda, em 8% dos casos, e Embolia Pulmonar, até 10% dos pacientes com Tromboflebite. Nesses casos, há necessidade de anticoagulação sanguínea também.
A Trombose Venosa Profunda acontece nas pernas entre 80 e 95% dos casos. A principal complicação na fase crônica da doença, após alguns anos da trombose, é a Síndrome pós-trombótica: uma “cicatriz” na circulação e o paciente permanece com inchaço constante na perna, muitas vezes, associado a dores do tipo peso, cansaço ardência ou queimação. Evolui com manchas escuras e formação de úlceras.
Na fase aguda da Trombose Venosa, a complicação mais comum é a Embolia Pulmonar: um coágulo de sangue, que se desloca da perna até a circulação do pulmão, causando insuficiência respiratória e com alto índice de mortalidade. Entre 5% e 15% dos indivíduos com Trombose não tratados podem morrer de Embolia Pulmonar. A rápida adoção de estratégias diagnósticas e terapêuticas é crucial para evitar essas complicações.
Fatores de Risco para Trombose: idade avançada, câncer, trauma, procedimentos cirúrgicos, imobilização – uso de gesso -, talas gessadas, pacientes acamados ou de pouca mobilidade, viagens longas de avião, com sequelas de AVC – por exemplo, uso de estrogênio (anticoncepcionais ou reposição hormonal pós menopausa, gravidez e pós parto -, distúrbios de hipercoagulabilidade, histórico familiar de trombose, varizes calibrosas, doenças renais, doenças reumatológicas, entre outras. Não há consenso sobre a necessidade de avaliação de familiares, mas quem teve a Trombose, precisa de uma boa investigação clínica das causas.
O diagnóstico se baseia na história clínica: dor e inchaço, com endurecimento da panturrilha, calor local algumas vezes. A literatura existente recomenda a anamnese e o exame físico, combinados com a realização de testes laboratoriais e exames de imagem – ecodoppler e angiotomografia. Confirmada a Trombose, precisa-se começar o tratamento que, na maioria das vezes, é a anticoagulação a fim de evitar a Embolia Pulmonar. Além de medicações para dor, repouso relativo e uso de meias de compressão elástica. Alguns casos mais graves e incomuns, precisam de internação, com tratamentos cirúrgicos.
Após iniciada anticoagulação o seguimento médico é importante, bem como, informar a todos os demais médicos assistentes e dentistas sobre uso da medicação.
O tempo de tratamento é variável, entre três e seis meses, podendo a chegar a um ano. Porém, se o paciente tiver um segundo episódio de Trombose, esse tratamento será de forma perene.
Dra. Patrícia M. Mellek Kaestner – Cirurgiã Vascular
CRM 10872 / RQE 7304