Revista JP

Motivação para recomeçar

Para um pai, provavelmente, não existe nada mais doloroso do que ficar longe de seus filhos. Porém, quando a medida é necessária para poder ser alguém melhor para eles, é feito de boa vontade. Esta é uma parte da história de Isélio Vicente, de 38 anos, ex-usuário de crack.

14 de agosto de 2017

Para um pai, provavelmente, não existe nada mais doloroso do que ficar longe de seus filhos. Porém, quando a medida é necessária para poder ser alguém melhor para eles, é feito de boa vontade. Esta é uma parte da história de Isélio Vicente, de 38 anos, ex-usuário de crack, que precisou abdicar do convívio familiar para fazer o seu tratamento, na Casa da Solidariedade, em Pomerode.

Ele nasceu em Ibirama, mas foi morar em Navegantes com apenas sete anos de idade. Dez anos depois, Vicente se tornava pai pela primeira vez. “Era o que eu mais queria naquele momento, meu maior desejo. Eu e minha mulher, à época, tentamos várias vezes até que ela conseguiu engravidar”, conta. 

Porém, com 22 anos, ele começou a se envolver com as drogas, momento em que começou a perder o rumo de sua vida. “Eu comecei a cometer vários erros, ir por um caminho perigoso. Cheguei a ser preso, mas não fiquei muito tempo. Passei também por várias clínicas de reabilitação até chegar aqui e hoje sei que tenho a chance real de mudar de vida”, relata o ex-usuário. 

Vicente confessa que sente muitas saudades dos filhos todos os dias, mas admite que sabe que este processo é necessário. Ele está internado no local há sete meses e já sente uma evolução, principalmente focado em voltar a poder estar com a família e na fé em Deus. E, o interno possui, agora, uma motivação a mais. A primeira neta, de apenas um ano de idade. “Devo ser um dos avôs mais jovens que existe”, brinca. “Só tenho 38 anos e já tenho uma neta, mas ela é uma das maiores alegrias da minha vida”. 

Durante as visitas mensais à família, segundo Vicente, é só alegria. “Logo quando chego ao portão da minha casa, em Navegantes, minha filha já vem me abraçar, anunciando para todos que eu cheguei. Não demora para os outros virem também me dar um abraço, o que me fortalece muito”, revela. 

Mas, existe uma dificuldade que ele espera poder superar em breve, assim que sair da reabilitação. Há anos ele não vê o filho caçula, fruto de outro relacionamento, que vive com a mãe. 

Infelizmente, Vicente não poderá estar com a família durante o Dia dos Pais, pois já realizou a sua visita mensal de agosto, mas, no próximo mês, ele já estará de novo na companhia de suas maiores motivações. 

Ele finaliza, contando que, vir para a Casa da Solidariedade, em Pomerode, foi uma das melhores decisões que já tomou, pois aqui se sente muito bem. “É o melhor local em que já estive, me sinto bem e tenho ajuda quando preciso. Me sinto preparado para mudar completamente de vida e voltar a ser feliz com a família”, encerra.

Notícias relacionadas