Réveillon mais silencioso
Florianópolis adota medida que faz com que os fogos, na virada do ano, façam menos barulho. Prefeitura Municipal da “Ilha da Magia” resolveu que utilizará fogos que terão menos estampidos, no tradicional Réveillon na Beira-Mar Norte, um dos mais famosos do Brasil
O fim do ano está logo ali e muitos esperam, ansiosamente, pelo momento da virada, com toda a festa que vai celebrar a chegada de 2019. Mas, a capital do nosso estado, Florianópolis, está planejando fazer algo diferente neste ano, pensando no bem-estar dos animais e nas pessoas que possuem sensibilidade na audição.
Neste sentido, a Prefeitura Municipal da “Ilha da Magia” resolveu que utilizará fogos que terão menos estampidos, no tradicional Réveillon na Beira-Mar Norte, um dos mais famosos do Brasil. A medida, já adotada em outras cidades do país, evita o mal-estar causado pelo barulho, principalmente nos animais, mas que incomoda as crianças pequenas e, também, idosos.
Aqui em nossa região, a medida, que foi adotada na capital, está sendo discutida para ser implementada na virada de ano em Blumenau. Um requerimento, solicitado pelo vereador Bruno Cunha, solicita que o poder executivo estude a possibilidade de utilizar os fogos silenciosos nas festas de fim de ano, na cidade. Para ele, a beleza dos fogos não é considerada pela questão sonora, mas sim, pelo seu visual.
Em São Paulo, o prefeito Bruno Covas sancionou uma lei que proíbe o manuseio, utilização, queima e soltura de fogos de estampido ou artefatos pirotécnicos de efeito sonoro ruidoso na cidade. No entanto, representantes do mercado de pirotecnia foram à Justiça e, às vésperas da Copa, uma liminar liberou fogos de artifício ruidosos na capital paulista.
Algumas cidades do país já vetaram fogos com estampido. Na virada do ano, a festa foi menos barulhenta, por exemplo, em Campos do Jordão, Ubatuba e Ilhabela (SP), ou Alfenas (MG) – que desistiu dos fogos no Réveillon.
Os animais
Com a audição muito mais sensível que a dos humanos, os animais sofrem com o estampido dos fogos. No caso dos cães, coração acelerado, salivação excessiva e tremores são indicativos de que algo não está bem.
Em pânico, os bichinhos podem ter reações inesperadas e se machucar. No caso de animais doentes, o quadro de saúde pode se agravar. Também podem ocorrer mortes.
Em Goiânia, uma shih tzu, que tem medo de fogos, caiu do terceiro andar de um prédio no último dia de 2017. Nesse caso, os vizinhos agiram rápido e ela foi salva. Já uma moradora de Cotia (SP), relatou, em rede social, a morte de sua cadela na virada do ano. Nina faria dois anos em janeiro e, segundo a publicação, não tinha medo de fogos. Mas o barulho foi tão intenso e tão perto do quintal, que ela não resistiu.
Nas crianças, idosos e pessoas com sensibilidade auditiva
Os fogos com estampidos de decibéis muito altos, também podem prejudicar aos seres humanos. As crianças com menos de seis meses de idade, reagem negativamente ao excesso de barulho, devido à audição sensível e, também, aos sustos que esse bebê pode levar durante a queima dos fogos, o que pode ocasionar choro, demostrando incômodo com os ruídos.
Quem sofre com essa poluição sonora excessiva são os idosos, principalmente, aqueles que já sofrem com algum tipo de perda auditiva. Os ruídos podem complicar ainda mais o estado da audição de quem lida com esse tipo de problema, além dos incômodos que podem fazer com que o idoso perca o sono e se estresse.
E, para quem é portador de sensibilidade auditiva, o barulho em excesso pode se tornar uma grande dor de cabeça. Afinal, quem sofre com isto, recebe esses sons um pouco mais alto do que o normal. Os autistas, que podem portar a hipersensibilidade auditiva, podem ter crises durante as queimas de fogos, devido ao incômodo dos estampidos.