Um novo olhar sobre o maestro
“João, o Maestro” pode facilmente se encaixar na categoria filme musical. A trilha sonora, como era de se esperar, dá o tom do longa inspirado na vida e carreira de João Carlos Martins. Ela é uma espécie de protagonista junto com atores que dão vida ao pianista e maestro em fases distintas.
“João, o Maestro” pode facilmente se encaixar na categoria filme musical. A trilha sonora, como era de se esperar, dá o tom do longa inspirado na vida e carreira de João Carlos Martins. Ela é uma espécie de protagonista junto a Alexandre Nero, Rodrigo Pandolfo e Davi Campolongo, atores que dão vida ao pianista e maestro em fases distintas.
Todas as músicas são clássicas e entram no filme nas mãos dos atores com ajuda do piano. Boa parte delas são composições de Johann Sebastian Bach: João é considerado um dos maiores intérpretes do compositor alemão e o único a gravar a obra completa dele.
Nas cenas que envolvem romance e paixão, os toques do piano dão leveza à trama. Para as cenas que mostram momentos de superação e a sua clara obsessão pela perfeição, a trilha é digna de filme de suspense.
O toque do piano e embalo da sinfonia só deixam de fazer parte da trilha quando João é carregado por uma maca após sofrer uma embolia.
João além do maestro – Em “João, o Maestro”, João Carlos Martins é retratado muito além do “ótimo pianista, que perdeu os movimentos das mãos após problemas de saúde e se tornou maestro“, como o diretor Mauro Lima (“Meu Nome Não é Johnny” e “Tainá 2”) disse achar que era a história do retratado.
João aparece ali como um mulherengo de primeira, que perde a virgindade em um bordel. Também é o cara que pensa em suicídio e que, por duas vezes, tenta se arriscar longe de sua obsessão pela música. Acaba passando por difíceis situações, como seus problemas de saúde.
Tchau, comendador
Alexandre Nero se despede de vez da sombra do comendador, seu personagem na novela “Império”. O ator, que não teve alguma dificuldade em se desprender do magnetismo dessa figura na novela “A Regra do Jogo”, parece ter mergulhado no mundo do maestro. Inseriu sotaques, trejeitos e ansiedade no papel.
Rodrigo Pandolfo, que faz o maestro no início da fase adulta, e Davi Campolongo, que interpreta João na infância, também não ficam devendo em nada.
As três fases se intercalam ao longo de todo o filme, mostrando os pontos da infância que refletem em João Carlos Martins adulto. E Rodrigo consegue retratar no filme o que ele enxergou sobre o maestro quando começou a construir o personagem: “Ele era quase sobre-humano”.
Um pequeno spoiler
O final é o já esperado, momento em que o personagem retratado aparece em cena, assim como acontece com “2 Filhos de Francisco” e outros filmes do gênero.
Como esperado ao longo da história, João Carlos aparece nos palcos nos tempos atuais, mostrando seu trabalho mesmo após todos os problemas de saúde.
Hoje com 77 anos, o maestro passou por mais de 20 cirurgias em toda sua vida. Sofreu com uma atrofia nos dedos, tratou um tumor na mão direita e uma embolia pulmonar no começo deste ano. Também foi golpeado em sua cabeça durante um assalto, o que originou um problema no cérebro e dificuldade de movimentação na mão direita.
“João, o Maestro” estreia em 17 de agosto. O elenco também tem Alinne Moraes e Fernanda Nobre, como as mulheres do maestro, além de Caco Ciocler, professor de piano que ajuda João a decolar na carreira.
Fonte: G1