Revista JP

Amor de pai sem limites

A adoção é sempre um processo cuidadoso, que exige consenso entre o pai e mãe. Quando a criança que se pretende adotar é especial, tudo precisa estar mais certo ainda. Um desses casos é o menino Alex Rosa, hoje com 24 anos, filho de Lisbete e Ademir Rosa.

15 de agosto de 2017

A adoção é sempre um processo cuidadoso, que exige um consenso de desejos entre o pai e mãe. Quando a criança que se pretende adotar é especial, tudo precisa estar mais certo ainda. Um caso de adoção de uma criança especial bastante conhecido em nossa cidade é o menino Alex Rosa, hoje com 24 anos, filho de Lisbete e Ademir Rosa. 

Quem conhece a história, provavelmente sabe como aconteceu pelo ponto de vista da mãe, Lisbete, que era enfermeira em um hospital de Porto Alegre, e conheceu o menino quando estava internado lá. Porém, são poucos os que sabem como foi esse caso de amor pela visão de Ademir, como ele conheceu o menino e se apaixonou por ele da mesma forma. 

“Eu sempre ouvia a Lisbete falar do menino especial do qual ela cuidava no hospital, mas não o conhecia. Eu entrei na história a partir do momento em que ele precisou de um leite especial, que não havia no hospital, que era público. Então, como sabia da necessidade dele, decidi comprar, mesmo sendo mais caro. Foi quando o conheci também e comecei a acompanhá-lo mais e me apaixonar, pouco a pouco”, relembra o engenheiro mecânico.

O casal então decidiu adotá-lo, mesmo com diversas pessoas questionando sobre a certeza deles quanto a esta decisão, pois os laudos médicos apontavam que ele estava em estado terminal de saúde. “Nós não tivemos dúvidas. Mas admito que, na época, não fazia ideia do tamanho da responsabilidade que era cuidar de uma criança especial como o Alex. Naquele momento, foi na coragem do ignorante”, admite Rosa. 

Ele comenta também que só se deu conta da real responsabilidade que tinha nas mãos quando precisou ficar sozinho por um tempo com o Alex em casa, pois viu o quanto a saúde dele era frágil e dependia dos cuidados dele, logo depois de deixarem o hospital. Mas, Ademir respira aliviado e relembra que tudo correu bem.

O desenvolvimento do Alex sempre foi surpreendente para o pai, sem problemas para comer, nem para aprender a andar. “Até mesmo as atividades comuns do dia a dia entre pai e filho são algo que ele conseguiu nos surpreender. Eu achei, por exemplo, que ele teria dificuldades para aprender a andar de bicicleta, que precisaríamos adaptar uma bicicleta para ele, mas em pouco ele conseguiu, o que foi maravilhoso”, conta. Atividades como jogar bola também se tornaram muito tranquilas para ele. 

Quanto à questão do preconceito e da discriminação, Ademir admite que já enfrentaram inúmeras situações, na maioria das vezes não intencionais. Um caso foi na primeira escola que tentaram matriculá-lo, em Porto Alegre. Em um primeiro momento, de acordo com eles, a escola aceitou receber o Alex e garantiu que ele poderia sim frequentar a turma normalmente, que os professores estariam preparados para lidar com a situação dele.

Mas, não foi isso que aconteceu e não foi possível ele se adaptar ao modelo de trabalho na escola. Então, em menos de 15 dias, a diretoria da instituição os convidou a deixar o local e procurar outra escola para lidar com a educação do Alex. 

“Naquela oportunidade me senti mal, senti-me bem discriminado com a situação. Mas hoje entendo que a escola não estava preparada. Aqui em Pomerode, tivemos muita sorte com a questão da escola, porque encontramos uma ótima, que foi incrível para o Alex”, elogia o pai. 

Este sempre foi o maior objetivo dos pais, oferecer o melhor para Alex, mas Ademir admite que ele lhes oferece muito mais em troca. “É um aprendizado de vida espetacular. Você se envolve totalmente com aquele ser, é um amor que surge acima de qualquer coisa. A pessoa especial te dá um retorno mais especial ainda, pois não veste máscaras nem tem rótulos sociais. É uma relação bem mais pura”, afirma o engenheiro mecânico. 

Ademir afirma, ainda, que acredita que a situação de terem se tornado pai e filho, era algo que era para ser assim, mesmo que não tenha sido biologicamente.  “Não ser biológico não o torna menos meu. Se me perguntarem se eu adotaria uma criança especial novamente, eu diria que a resposta é não, porque quem vê de fora, não faz ideia do tamanho da responsabilidade e de todos os cuidados que são necessários. Mas, se perguntarem se eu adotaria o Alex de novo, eu diria com certeza, mil vezes se fosse possível”, pontua o pai do Alex.

 

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