Coluna da Acip

Coluna da Clip – À beira dos 50

Confira o texto da Coluna da Clip desta semana

16 de junho de 2022

Foto: Envato Elements

Sou de 1972 e de lá pra cá vivi coisas impensáveis para a grande maioria das pessoas que convivem comigo no dia a dia. Essa viagem no tempo me deu um insight para essa e para as próximas colunas.

Convido vocês a seguirem comigo nessa viagem.

Nessa incursão pela história falarei de coisas familiares para alguns e absolutamente desconhecidas para outros tantos. Começarei falando da escola e de coisas de escola como fixar as atividades escolares, exceto as reproduzidas em mimeógrafos, com uma cola feita de farinha de trigo e água. Esse momento sempre acontecia com a supervisão da mãe.

Os cadernos ficavam úmidos e era necessário deixar que secassem ao sol. Sua apresentação e organização deveria ser impecável! Cadernos e livros tinham que ser, obrigatoriamente, encadernados com papel pardo, um papel grosso e resistente. Posteriormente vieram as encadernações com um plástico quadriculado azul que somente algum tempo adiante passou a ter nas versões vermelho, amarela e por último, verde.

Um pouco mais adiante vieram as capas de plástico duro que se encaixavam nas capas originais dos cadernos. Imaginem que nessa época, os cadernos tinham sempre capas muito finas e que facilmente se rasgavam com o uso diário. Somente com a chegada ao mercado de cadernos de capa dura e com ilustrações alegres e coloridas foi que capas deixaram de ser utilizadas. Todos gostaram de tamanha inovação pela praticidade. Ficou na lembrança um ritual de início do ano letivo muito comum.

Lembro-me saudosa dos momentos em família para simplesmente encapar cadernos e livros. Etiquetá-los todos, sem exceção! Não tínhamos materiais coloridos e purpurinados, mas tínhamos muito amor pelos que possuíamos. Não eram descartáveis, pois eram caros.

Os lápis eram geralmente pretos, só depois vieram os verdes e amarelos. Alguns lápis vinham com borrachas, mas isso realmente não era comum. Comum era ter uma borracha simples acinzentada com aparência de encardida ou a de duas cores, na qual o lado vermelho apagava a escrita feita a lápis e o lado azul, apagava a escrita feita a caneta.

Essas borrachas manchavam muito os cadernos e foi uma grande alegria quando chegaram as borrachas brancas com capa verde de plástico! Penso que os professores foram a delírio. 😉

As canetas esferográficas eram todas “Bic”, sempre azul, vermelha e preta. Depois vieram as canetas verdes, mas essas serviam apenas para destacar partes do texto.

Todos sabiam que a caneta vermelha era utilizada exclusivamente para corrigir as atividades e pela professora.

A grande revolução de pontas veio através da “Bic” ponta fina e embora pareça que estou fazendo propaganda, nada é mais simbólico que uma caneta dessas. Estojos eram de madeira com uma tampa de correr e sempre havia uma régua também de madeira e um apontador de ferro dentro deles. As canetinhas eram pequenas e tinham marcas de flores no tubo branco e eram muito caras e põe esse motivo eram usadas com muito cuidado.

Quando as lapiseiras ingressaram no mercado foi uma febre! Elas tinham um grafite grosso e precisavam ser apontadas. Os dedos ficavam todos manchados e em seguida era necessário pedir para ir ao banheiro. Sim, nós também gostávamos de passear pelos corredores. Não tanto, mas também o fazíamos.

Assim como as canetas, somente depois de muito tempo, vieram as lapiseiras de ponta fina.

Certamente para os jovens esse relato soe tão estranho como era para mim ouvir meus pais e avós contarem sobre escrever em pequenas lousas ao invés de cadernos ou ouvir contarem sobre a escrita em folhas com canetas tinteiros e o uso de mata-borrões, tempo em que a educação era privilégio de poucos e um sonho distante aos menos favorecidos.

Notícias relacionadas

Mais Lidas