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Recuperando objetos centenários

Morador de Pomerode se dedica ao conserto de relógios, muitos deles com mais de 100 anos de existência

28 de maio de 2022

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

O conserto de relógios é uma prática já não tão comum nos dias atuais. São poucos os remanescentes que entendem sobre o funcionamento dos relógios, principalmente os modelos mais antigos, tão comuns nas casas, antigamente.

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Mas Vanildo Crispim, morador de Pomerode, é um colecionador aficionado pelos relógios e se dedica ao conserto deles, principalmente aos relógios mais antigos, com décadas de existência. Ao todo, em sua casa, Crispim tem 72 relógios, dos mais diversos modelos.

A sua relação com o conserto de relógios começou há cerca de 40 anos. “Eu venho de uma família humilde e minha mãe trabalhava na casa de uma família mais rica. Quando o dono decidiu se desfazer de alguns destes objetos, eu já adorava essas coisas antigas e fiquei com alguns deles: uma banheira, um quadro da Santa Ceia e um relógio cuco”, relembra Crispim.

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Estes dois últimos, segundo o aposentado, estavam bem degradados devido à ação dos cupins e Crispim se dedicou a consertá-los. Na época, ainda não sabia muito sobre consertos de relógios, mas começou a aprender devagar, aos poucos, e foi tomando gosto pela coisa.

“Eu sempre fui autodidata, aprendi como consertar os relógios e como fazer as caixas por conta própria. Eu me encontrei neste serviço e continuei, desde então. Depois de um tempo, além de consertar os relógios eu construí alguns, comprando peças do mecanismo e para montar a caixa e, hoje, 90% dos relógios que tenho são de fabricação minha”, afirma.

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

 

Além dos relógios montados por conta própria, Crispim possui uma variedade de marcas e modelos, que foi adquirindo com o passar dos anos, visitando os chamados “mercados de pulgas” e por meio da internet. Vários deles são centenários, sendo que, um dos mais antigos da coleção é datado por volta de 1870 e 1880.

Por conseguir restaurar e consertar estes relógios bem antigos, o aposentado é procurado por pessoas do país todo, que buscam recuperar estes objetos antigos. E por mais complicado que fosse o trabalho, sempre conseguiu realizar os trabalhos. Um dos mais difíceis, segundo Crispim, foi um dos primeiros que consertou.

“Um dos que eu recolhi, da casa onde minha mãe trabalhava, foi um dos mais difíceis, porque eu ainda não tinha, muita experiência. Outros trabalhos que foram bem memoráveis foram os relógios que construí utilizando madeira que foi jogada fora, de algumas instalações do Weege”, comenta.

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

 

Crispim também demonstra seu vasto conhecimento da área, ao falar sobre as marcas que mantém consigo. Cerca de 80% da coleção é da Alemanha, de marcas conceituadas, como Gustav Becker, Junghans e Duas Setas, todas alemãs. Inclusive, os relógios Gustav Becker são alguns dos mais caros atualmente, no mercado, por serem centenários.

“Se você tem um cuidado com estes relógios antigos, eles continuarão durando muitos anos. Outro modelo curioso, que eu tenho em minha coleção é chamado de relógio aniversário. Era comum que eles fossem dados de presente às esposas, no aniversário, e eram chamados assim porque só precisavam de corda uma vez por ano. E tenho ainda relógios de parede, relógios carrilhões e de bolso, alemães e portugueses”, destaca.

Recentemente, nos últimos anos, Crispim enfrentou um tratamento contra o câncer, o que desacelerou muito o seu ritmo de vida. Agora que avançou em sua recuperação, ele voltou aos reparos de relógios e continua no ofício, mantendo-se como um dos poucos a realizar este tipo de serviço.

Inclusive, um de seus maiores sonhos está relacionado aos relógios, que são uma de suas grandes paixões. “Tenho um sonho de fazer algo parecido com um museu, em que poderei expor os relógios e demais objetos antigos que eu coleciono em casa, e espero poder realizar este sonho em breve”, enaltece.

Caso alguém tenha um relógio que precise de um conserto, poderá entrar em contato com Vanildo Crispim por meio do número (47) 3380-8229.

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