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União para cuidar da história de uma comunidade

Moradores de Testo Alto se unem para cuidar do Cemitério de Testo Alto II

22 de maio de 2022

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Uma iniciativa para preservar a história de toda uma comunidade. Moradores do bairro Testo Alto, por meio da Comunidade local, estão realizando melhorias no Cemitério de Testo Alto II, o local do bairro que é utilizado atualmente para os sepultamentos, uma vez que o Cemitério dos Imigrantes, na Rua Progresso, não é mais utilizado.

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Com cerca de 110 anos de história, o Cemitério de Testo Alto II é o segundo mais antigo do bairro e preserva boa parte da história das famílias que ali residiram. De acordo com o presidente da Comunidade, Wilson Strutz, foi decidido trabalhar em reparos no cemitério como forma de preservar o local.

“Nós sempre cuidávamos e limpávamos as lápides e ao redor. Mas com o asfalto e as melhorias feitas nos arredores do cemitério, começamos a perceber que ele precisava de reparos maiores, principalmente no piso e na estrutura de alguns túmulos”, relata Strutz.

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A primeira etapa do trabalho foi a limpeza dos túmulos, que acumulavam muita sujeira e musgo. Esta parte dos serviços ficou a cargo de Jorge Kühl, que realiza este tipo de trabalho e foi parceiro na empreitada.

Wilson e Waldir estiveram em boa parte das ações. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

Com os túmulos limpos, a segunda parte foram os reparos nas estruturas. “Na semana que antecedeu a Páscoa nós fizemos a limpeza e depois desta data foram feitos os reparos no cimento do piso do cemitério, principalmente onde havia buracos e em pontos onde costumava haver acúmulo de água, devido à questão da dengue. Também consertamos algumas cruzes que estavam quebradas, tudo para manter o local da melhor forma”, enumera Strutz.

Após a limpeza, diversos membros da comunidade, especialmente quem tem parentes enterrados no Cemitério de Testo Alto II, vieram para dar os retoques finais nos túmulos de sua família, tornando o trabalho uma união de forças, em prol de um mesmo objetivo.

 

Algumas lápides já foram pintadas e demonstram como ficará ao fim do trabalho. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

Na próxima semana, segundo Strutz, a ideia é iniciar os trabalhos de pintura dos túmulos mais antigos, para ficaram em um padrão. Dois deles, inclusive, já foram pintados e demonstram como ficará o Cemitério, quando os trabalhos forem terminados.

Segundo o presidente, já foram conseguidas doações da comunidade e de empresários para a compra de tintas para a tarefa, mas quem quiser contribuir, ainda pode. Basta entrar em contato com os telefones 3306-1203, e falar com Wilson, ou ainda no número 3395-1514, com o tesoureiro, Norival Baier.

 

Preservação histórica

Conforme dito, o Cemitério de Testo Alto II é centenário na cidade. Alguns dos túmulos possuem datas de falecimento com mais de um século, dos anos de 1912, 1913, e no total, são mais de 200 em todo o terreno utilizado do Cemitério.

Segundo o vice-tesoureiro, Waldir Schwarz, a iniciativa dos reparos também foi motivada pelo fato de que o Cemitério tornou-se também uma fonte de conhecimento sobre a história do bairro e diversas pessoas visitam o local apenas para conhecerem os túmulos mais antigos e descobrirem como eram naquela época.

“É bem visível a diferença entre os túmulos mais antigos e os de hoje em dia. Meu pai, inclusive, trabalhava como pedreiro e chegou a participar da construção de alguns túmulos. Por isso também achamos que deveríamos fazer este trabalho de recuperação, porque é a nossa história aqui. Alguns dos túmulos mais antigos do local acabaram se perdendo, pois não havia mais inscrições que identificassem quem estava enterrado ali, e também ninguém mais buscou aquele lugar, e isso não podia mais acontecer”, afirma Schwarz.

 

Túmulos antigos têm detalhes especiais. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

Caminhando pelo Cemitério, é possível entender a importância do local para a história de Testo Alto. Além do estilo de construção dos túmulos, que nos revelam um pouco da visão de mundo daquela época, muitos dos túmulos do século passado possuem todas as inscrições das lápides em alemão, em um padrão bem diferente do que é feito hoje em dia. Das mulheres, inclusive era colocado o sobrenome de nascimento.

Outra curiosidade é quanto ao local onde eram enterradas as crianças, que ficam em uma “ala” separada, à direita de quem entra no Cemitério a pé. E seguindo a tradição luterana, as lápides ficam de costas para a rua, viradas na direção Leste, de forma que os falecidos fiquem voltados para o Sol nascente, simbolizando o retorno de Jesus.

“Em todos os cemitérios que conhecemos, os túmulos são virados na direção do nascer do sol, e sempre foi assim que eu escutei, desde pequeno, em casa. E muitos dos antepassados dos moradores do bairro Testo Alto estão enterrados ali, então temos que manter o local preservado, e cuidar da nossa história”, finaliza Strutz.

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