Depois do diagnóstico, a esperança: Josiely vence o câncer e celebra uma nova fase da vida
Moradora de Pomerode, ela descobriu um linfoma após perceber um inchaço na clavícula, enfrentou sete meses de tratamento e hoje segue em acompanhamento, além de esperar a chegada do primeiro filho
Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode
A vida de Josiely Oliveira Dias mudou em poucos dias. Morando em Pomerode havia cerca de quatro meses, ela levava uma rotina normal quando, ao vestir um vestido, percebeu um inchaço na região da clavícula. O que inicialmente parecia algo simples acabou levando a uma investigação médica e, posteriormente, ao diagnóstico de linfoma.
A descoberta aconteceu depois de algumas tentativas de atendimento. Primeiro, Josiely procurou uma unidade de saúde, mas não conseguiu ser atendida naquele momento. No dia seguinte, voltou ao local e, novamente, acabou sendo orientada a procurar o hospital.
Foi durante o atendimento hospitalar que a investigação ganhou novos rumos. Após avaliação médica, exames de imagem e uma internação, Josiely foi encaminhada a Blumenau para realizar uma tomografia com contraste. Ao retornar a Pomerode, recebeu a informação de que havia uma grande possibilidade de ser um linfoma.
“Eu não sabia o que era linfoma. Aí eu disse: mas o que é linfoma? Ele disse que era um câncer do sistema linfático. Então, assim, já vem aquele choque. O seu mundo cai na hora, fica sem ação. Mas ele também me explicou que era muito curável e que agora precisávamos descobrir qual era o tipo.”
A confirmação veio após uma biópsia realizada em dezembro. O linfoma estava localizado no tórax e no pescoço. Josiely permaneceu internada por nove dias e começou a preparação para a primeira quimioterapia.
O tratamento, realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), foi intenso. Ao longo de aproximadamente seis meses, ela passou por 12 sessões de quimioterapia, 17 sessões de radioterapia e dois exames PET scan. Segundo Josiely, já na sexta sessão de quimioterapia não havia mais sinais da doença, mas a equipe médica decidiu manter o tratamento para reduzir o risco de retorno.
Apesar da intensidade do processo, ela conta que não enfrentou alguns dos efeitos colaterais que costumam acompanhar a quimioterapia. O cabelo começou a enfraquecer na primeira sessão e caiu a partir da segunda, mas ela afirma que não teve náuseas ou enjoos durante o tratamento.

Foto: Arquivo pessoal
Fé como fonte de força
Para Josiely, a fé teve papel central durante toda a caminhada. Ela conta que, mesmo diante dos desafios físicos e emocionais, buscava manter a confiança na recuperação.
O tratamento também trouxe efeitos físicos, como cansaço, dores e alterações no braço utilizado para as aplicações. Ainda assim, ela diz que procurava manter a mente voltada para a cura.
“Eu era uma pessoa muito ansiosa e, durante esse processo, fui uma pessoa muito calma. Então, eu vejo que minha força só vem do Senhor. Porque como é que uma pessoa passa por um tratamento tão difícil? Meu braço ficou adormecido, minhas veias secaram e tive muita dor. Tinha também o cansaço de ficar horas fazendo quimioterapia, mas eu sentia minhas forças sendo renovadas todos os dias.”

Foto: Arquivo pessoal
Outro desafio foi lidar com o desejo de ser mãe. Antes mesmo do diagnóstico, Josiely já tinha esse sonho. Por orientação médica, precisou esperar pelo menos dois anos após o tratamento para tentar engravidar. A espera, porém, chegou ao fim. Liberada pelos médicos no ano anterior, ela começou a tentar engravidar e descobriu, em julho, que estava grávida.
Uma nova vida depois do tratamento
O tratamento começou no fim de 2023 e se estendeu ao longo de 2024, com o encerramento em 2025. Desde então, Josiely segue realizando exames de acompanhamento.
A gravidez representa uma nova etapa depois de tudo o que viveu. Ela conta que chegou a ouvir que poderia ter dificuldades para engravidar em razão do tratamento, mas hoje aguarda a chegada do bebê.

Josiely comemorou fim do tratamento com a mãe e o marido. (Foto: Arquivo pessoal)
Para ela, a experiência também mudou a forma de enxergar a própria vida. Depois de enfrentar o diagnóstico e o tratamento, passou a valorizar mais os pequenos momentos e a não dar tanta importância para situações que considera menos relevantes.
Acolhimento que permanece
Durante o tratamento, Josiely também encontrou apoio na Rede Feminina. Ela conheceu a entidade quando procurava um lenço após a queda dos cabelos. A partir daquele primeiro contato, descobriu uma série de atividades e passou a frequentar os encontros.
Mesmo depois do fim do tratamento, continua participando das atividades, como encontros mensais, psicologia, reflexologia, drenagem e momentos de dança.
Segundo ela, o espaço se tornou uma importante rede de apoio não apenas para pacientes, mas também para familiares e acompanhantes.
“Eu digo que a dança é um momento de uma apoiar a outra. A gente ia nas quartas-feiras dançar e acabava distraindo a nossa mente, esquecendo um pouco dos tratamentos. Uma passa a experiência para a outra e tem o abraço das voluntárias. A Rede Feminina foi uma parte essencial durante todo o tratamento, e eu sou muito grata por tudo.”

Foto: Arquivo pessoal
O vínculo criado foi tão significativo que Josiely já pensa em, futuramente, deixar a condição de paciente e se tornar voluntária da entidade.
Ela também destaca o acolhimento oferecido às famílias. Durante o tratamento, sua mãe deixou Sergipe e permaneceu cerca de dez meses em Pomerode para acompanhá-la. Depois, passou a retornar anualmente para visitá-la.
Uma mensagem para quem está começando
A experiência fez com que Josiely passasse a conversar com outras mulheres que enfrentam doenças e tratamentos. Para quem recebe um diagnóstico, ela reconhece que o primeiro momento é marcado pelo medo e pelo choque, mas defende a importância de buscar apoio e seguir as orientações médicas.
Em sua própria experiência, ela encontrou na fé, na família, na medicina e na Rede Feminina elementos que ajudaram a atravessar o período.
“Quando a pessoa recebe um diagnóstico, por mais que tenha fé, na hora vem o baque. Mas depois a gente precisa esfriar a cabeça e se erguer. Eu digo para as mulheres que a vida está aí para nos desafiar e que cada um vai ter o seu processo. É preciso obedecer à medicina, ter fé, buscar apoio, cuidar da alimentação e encontrar pessoas que possam acolher.”
Hoje, Josiely olha para trás sabendo que viveu um período que transformou sua maneira de enxergar a vida. A doença ficou para trás, o acompanhamento continua e uma nova história começa a ser escrita com a chegada do filho.
Para quem ainda está enfrentando o tratamento, ela deixa uma mensagem baseada na própria trajetória: viver um dia de cada vez, buscar apoio e acreditar que o período difícil pode passar.
“É descansar e viver a vida com alegria, saber aproveitar ao máximo. Quem passa por um diagnóstico e um tratamento consegue ver a vida de outra forma e dar valor aos mínimos detalhes. Não deixar de viver durante esse tempo. É saber que logo vai acabar, porque cada processo tem um tempo. O meu foi mais rápido, outras pessoas não. Mas é importante entender que vai passar.”