Entre sentimentos e palavras, Eduardo Ramos constrói trajetória na literatura
Natural de Indaial e com uma relação especial com Pomerode, escritor transforma emoções e cenas do cotidiano em poesias, histórias infantis e romances
Foto: Arquivo Pessoal
Uma frase ouvida por acaso, uma pessoa observada ou uma lembrança que reaparece de repente. Para Eduardo Ramos, esses pequenos acontecimentos podem ser o ponto de partida para um novo texto. Aos 36 anos, o designer gráfico também se dedica à literatura como escritor e poeta, transformando sentimentos, pensamentos e situações do cotidiano em palavras.
Natural de Indaial, Eduardo afirma manter uma relação especial com Pomerode. O carinho pela cidade, pelas pessoas e pela cultura local também faz parte de sua trajetória literária.
A aproximação com a poesia começou ainda na adolescência, mas ganhou mais força durante a vida adulta. Segundo ele, desde cedo havia facilidade para expressar sentimentos e pensamentos por meio da escrita.
Eduardo não se recorda exatamente do primeiro poema que escreveu. Muitos dos textos iniciais surgiram espontaneamente e acabaram se perdendo com o tempo. No entanto, ele ainda se lembra das características daquela fase.
“Era um misto de observações do cotidiano e rebeldia”, recorda.
Atualmente, seus textos abordam principalmente o amor, as emoções humanas e as contradições da vida. A inspiração pode surgir de diferentes maneiras, inclusive durante situações comuns do dia a dia.

Foto: Arquivo Pessoal
“Às vezes, uma frase que escuto, uma pessoa que observo ou uma lembrança pode ser suficiente para iniciar um texto”, explica.
O processo de criação geralmente começa com uma frase, uma imagem ou uma sensação. Quando a ideia aparece, Eduardo procura registrá-la imediatamente para não a perder. Depois, retorna ao texto e trabalha com mais calma na construção dos versos ou da narrativa.
Entre as principais influências literárias, ele cita o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade e clássicos da literatura russa, como Fiódor Dostoiévski.
Dos livros infantis aos romances
A produção literária de Eduardo transita por diferentes gêneros. O primeiro livro publicado foi a obra infantil “Mosquitos e Melancias”, em 2023. A história acompanha o menino Ruan e o avô Jucelino, que vivem em uma pequena casa no interior e compartilham momentos da rotina no campo.
Depois veio “Estilhaços de Amor”, coletânea que reúne poemas sobre sentimentos, relacionamentos, saudade e as diferentes formas de amar. A obra possui registro ISBN e reúne textos como “O Preço do Cupido”, “Chuva Leve”, “Amor Digital”, “Mentiras do Vento” e “Foia de Bananeira”.
Sob o pseudônimo Tokyo Aruji, Eduardo também publicou o romance adulto “Diário de Uma Submissa”, em 2025, e o romance clássico “Noites Rosas”, em 2026. Além dos livros próprios, o escritor já participou de diversas antologias e projetos literários.

Foto: Arquivo Pessoal
Entre os momentos que considera mais importantes da carreira estão duas premiações. Segundo Eduardo, ele recebeu o Troféu Neida Rocha, em Pomerode, em 2024, e o Prêmio Machado de Assis, no Rio de Janeiro, em 2025.
Memórias transformadas em poesia
Embora considere que todos os seus poemas guardem um pedaço de sua história, um deles possui significado especialmente afetivo. “Foia de Bananeira” traz uma lembrança da avó e faz referência aos costumes e conhecimentos populares transmitidos entre gerações.
Para Eduardo, escrever também é uma maneira de interpretar aquilo que acontece dentro e ao redor de si.
“A poesia, para mim, é a forma de expressão de como eu observo e entendo o mundo ao meu redor”, afirma.
Na avaliação do escritor, a poesia permanece necessária mesmo diante das mudanças na maneira como as pessoas consomem conteúdo. Em uma rotina marcada por informações rápidas, vídeos, notícias e mensagens curtas, os versos criam um momento de pausa.

Foto: Arquivo Pessoal
“A poesia nos convida a parar por alguns minutos e sentir alguma coisa”, destaca.
Eduardo já trabalha em dois novos livros e pretende continuar publicando poesias e romances, além de desenvolver projetos voltados à literatura adulta e à fantasia.
Para quem gosta de escrever, mas ainda sente receio de mostrar seus textos, ele deixa um incentivo: “Eu diria para simplesmente começar. Não espere escrever o poema perfeito, nem espere alguém dizer que você pode ser escritor. Escreva aquilo que você sente. Pode ter certeza de que várias pessoas vão se conectar com a sua arte de alguma forma”.