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Jovem chama atenção em Pomerode ao passear pelas ruas montado em búfalos

Matheus cresceu cercado por animais e hoje divide a rotina com quatro búfalos; dois deles são treinados para montaria e costumam chamar a atenção durante os passeios pela cidade

31 de outubro de 2026

Foto: Arquivo Pessoal

Quem passa pelas ruas de Pomerode e se depara com um jovem montado em um búfalo provavelmente não esquece a cena tão cedo. O tamanho do animal, a tranquilidade durante o passeio e, principalmente, a situação pouco comum despertam curiosidade por onde Matheus passa. Para ele, porém, a relação com os búfalos vai muito além da montaria. É uma história construída a partir de carinho, convivência e uma paixão por animais que começou ainda na infância.

A criação de búfalos na família começou de maneira quase inesperada. Durante uma festa em Pomerode, Matheus conheceu Bento, um búfalo que tinha apenas alguns dias de vida. O encanto pelo animal foi imediato. A família decidiu adquiri-lo, mas surgiu uma preocupação: deixá-lo sozinho entre os outros animais.

Foi então que Catarina entrou para a história. A búfala foi adquirida para fazer companhia a Bento e, a partir daí, começou uma relação que só cresceu ao longo dos anos.

Atualmente, são quatro búfalos no sítio, além de outras cabeças de gado. Entre eles está também um casal de nelore pintado PO. Mas dois animais têm uma característica que chama ainda mais atenção: são treinados para a montaria.

A ideia surgiu depois que Matheus conheceu uma realidade diferente. Ele soube que, em uma região do Pará, búfalos são utilizados por policiais em rondas. A cena despertou a curiosidade e a vontade de, um dia, também montar em um desses animais.

A oportunidade apareceu durante uma feira de exposição de animais, quando Matheus conheceu Tobias, um búfalo que já era treinado para montaria e estava à venda. O animal foi negociado e levado para Pomerode. A experiência acabou incentivando Matheus a treinar também Bento.

Hoje, os dois podem ser utilizados para passeios.

Apesar do tamanho e da força, Matheus conta que a montaria em búfalos é tranquila. Segundo ele, os animais são mansos, pacientes e têm um caminhar diferente dos cavalos.

“É algo sensacional”, resume.

Para chegar a esse ponto, porém, existe treinamento. Os búfalos precisam aprender a responder a comandos básicos, como parar e virar para a direita ou para a esquerda. O processo exige paciência e, principalmente, confiança entre o animal e o dono.

Essa confiança é resultado de uma convivência diária. A relação de Matheus com os animais começou ainda antes dos búfalos. Na família, o contato com o gado vem de gerações, desde os bisavós.

A paixão foi passada adiante e ganhou novas formas com o passar dos anos.

“Você acaba criando um apego tão grande por eles que não tem explicação. E eles, do jeito deles, também retribuem esse carinho, com uma cheirada ou até mesmo uma lambida”, conta.

Os animais fazem parte da rotina de Matheus. Mesmo com as obrigações do trabalho e da faculdade, ele procura reservar um momento todos os dias para visitar os bichos. Nem que seja apenas para dar um “oi”.

Foto: Arquivo Pessoal

É nos finais de semana, porém, que ele consegue dedicar mais tempo aos cuidados. Banhos, alimentação e atenção fazem parte da rotina no sítio.

Os passeios com os búfalos também costumam acontecer aos finais de semana, principalmente pelas ruas próximas à propriedade. E basta aparecer na rua para a cena provocar reações.

“Certa vez, um motorista chegou a parar o carro para perguntar que espécie de animal era aquela. Além da curiosidade, ele quis saber se poderia tirar uma fotografia e até mesmo montar no búfalo”, conta.

A reação não é uma exceção. Para muitas pessoas, o tamanho e o porte robusto dos animais tornam difícil identificar imediatamente que se trata de um búfalo.

É justamente essa mistura de curiosidade e admiração que torna os passeios especiais para Matheus. Mais do que chamar atenção, eles mostram uma relação pouco comum entre um jovem e animais que passaram a fazer parte de sua vida.

No sítio, os quatro búfalos já são parte da família e da rotina. Para Matheus, a montaria é apenas uma das maneiras de aproveitar essa relação. O mais importante, segundo ele, continua sendo a convivência diária com os animais.

Entre uma passada pelo pasto, um banho e um passeio pelas ruas de Pomerode, a história de Matheus e seus búfalos mostra que algumas paixões começam de maneira inesperada e podem crescer até se transformar em uma amizade de quatro patas, grande, forte e nada convencional.

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