Do café aos drinks: Geovani dos Santos conta como descobriu a paixão pelo balcão em Pomerode
Há quase cinco anos na coquetelaria, bartender encontrou nas conversas com os clientes a inspiração para criar bebidas e transformar sua trajetória profissional
Foto: Eliane Cristina / Jornal de Pomerode
Foi durante os intervalos do trabalho como motorista, em uma confeitaria de Pomerode, que Geovani dos Santos começou a descobrir um novo caminho profissional.
Ao ajudar no atendimento e preparar cafés, desenvolveu um interesse que o levou a estudar, buscar formação e, mais tarde, trocar as xícaras pelas coqueteleiras.
Hoje, perto de completar cinco anos como bartender, ele conta que encontrou na profissão uma realização pessoal.
O início dessa história foi na Torten, onde o contato com o café despertou a vontade de aprender. Geovani fez um curso de formação de barista em Florianópolis e passou a se aprofundar no preparo das bebidas. A oportunidade de entrar na coquetelaria surgiu depois, com um convite de Giovanna Marinelli para integrar a equipe do restaurante No Jardim.
“Só que, para mim, era um mundo totalmente diferente. E abracei a causa”, relembra.
Segundo Geovani, a preparação inicial contou com uma consultoria para aprender as bases do trabalho. Depois, vieram outros cursos, estudos e a experiência adquirida na prática. A mudança de função aconteceu dentro de uma relação profissional que já dura cerca de 15 anos com a mesma família.
Uma conversa que pode virar um drink
Um dos maiores desafios da trajetória veio com a atuação no One Gastro Art. Além de preparar as opções da carta, Geovani passou a receber pedidos de clientes que buscavam uma bebida feita de acordo com suas preferências.
A nova dinâmica exigiu mais conhecimento sobre ingredientes, combinações e aromas. Também ampliou o contato com o público, uma parte do trabalho que se tornou especial para ele.
“Isso, para mim, foi mais desafiador, porque eu saí da minha zona de conforto”, conta. “Foi meu divisor de águas.”
Na prática, o atendimento começa com uma conversa. O cliente pode indicar uma fruta, um destilado ou até descrever uma bebida que experimentou em outra cidade. A partir dessas informações, Geovani procura elaborar uma combinação que se aproxime do sabor desejado, considerando os ingredientes disponíveis.
Para ele, a escolha deve acompanhar o paladar de cada pessoa, sem classificar drinks como masculinos ou femininos.
Um pedido de turistas inspirou uma criação
Foi justamente de uma conversa que nasceu uma de suas receitas autorais. Dois turistas de Munique, na Alemanha, chegaram ao balcão com um pedido: queriam ser surpreendidos.
Geovani perguntou o que costumavam beber e propôs uma combinação que reunisse referências alemãs e brasileiras. A receita ganhou tangerina e maracujá e passou a ser apresentada a outros clientes que procuravam uma bebida refrescante.
A recepção, segundo ele, abriu espaço para que a criação fosse incluída na nova carta como a caipirinha da casa.
Já entre as bebidas mais pedidas e elogiadas, o bartender destaca o One Cosmopolitan, apresentado como uma releitura do clássico. A preparação leva uma infusão de gin com manga, canela e laranja, e chama a atenção pela finalização: uma reprodução comestível de uma nota de dólar, feita de papel de arroz.
Geovani descreve o sabor como leve e refrescante, com notas cítricas e um toque doce no final.
Estudo por trás de cada combinação
Para quem vê apenas a bebida pronta, parte do trabalho pode passar despercebida. Geovani explica que preparar um drink exige conhecer as características dos ingredientes e entender como eles se comportam juntos.
“Porque muitos falam assim: é só pegar, botar ali e misturar”, comenta. Na experiência dele, diferenças entre destilados mais florais, cítricos ou intensos influenciam o resultado. “Tem um estudo atrás de cada drink. Tem uma história.”
Embora se considere realizado, Geovani quer continuar aprendendo. Seu próximo objetivo é aprofundar os conhecimentos em mixologia, com foco no estudo técnico dos ingredientes e no desenvolvimento de combinações.
Ele também faz questão de agradecer a Giovanna Marinelli pela oportunidade de conhecer a profissão. Para quem deseja seguir o mesmo caminho, aconselha buscar formação e persistir diante das dificuldades.
“Hoje eu sou um cara muito realizado, feliz na minha profissão, faço por amor”, afirma.
O reconhecimento de quem está do outro lado do balcão é um dos motivos para continuar. Cada elogio, conta, aumenta a vontade de estudar e experimentar novas possibilidades.
“O mundo dos drinks é sem fronteiras. Porque vai na tua imaginação.”



