Especiais

Da paixão pelos vinhos a uma adega na Rota do Enxaimel: conheça a história de Fredolf Raduenz

O que começou com visitas a vinícolas da Serra Gaúcha, há décadas, ganhou novos sabores e se tornou uma adega criada ao lado do genro, em Pomerode

31 de outubro de 2026

Foto: Arquivo Pessoal

Para Fredolf Raduenz, uma garrafa de vinho carrega muito mais do que uma bebida. Ela reúne aromas, sabores, histórias, tradições e, principalmente, a possibilidade de descobrir algo novo a cada taça. Uma paixão que começou décadas atrás, durante viagens à Serra Gaúcha, e que hoje ocupa um espaço especial em sua rotina e também na propriedade da família, em Pomerode.

Nas décadas de 1980 e 1990, as viagens para Gramado e Canela costumavam incluir visitas a vinícolas que já se destacavam naquela época. O contato com diferentes variedades despertou em Fredolf a curiosidade de conhecer mais sobre o universo dos vinhos, desde as características de cada uva até os processos de produção.

O interesse foi crescendo com o passar dos anos. Entre 2007 e 2009, Fredolf deu um passo importante em sua trajetória ao participar de cursos de degustação e harmonização com o sommelier Guilherme Correa, eleito melhor sommelier brasileiro em 2006 e 2009, em uma tradicional importadora de vinhos de Blumenau.

Foto: Arquivo Pessoal

Foi nesse período que o hobby ganhou ainda mais conhecimento. Fredolf passou a compreender os fundamentos para avaliar um vinho, enfim perceber todas as características organolépticas presentes num vinho, além do tipo de maturação e perceber se a bebida estava equilibrada.

Os ensinamentos também mostraram que, por trás de cada garrafa, existe uma história. Nas viagens realizadas pelo sommelier Guilherme, fotografias de famílias de produtores ajudavam a mostrar como o conhecimento da fabricação de bons vinhos é transmitido entre gerações.
“Produção de bons vinhos exige tradição e dedicação”, destaca Fredolf.

Um universo de descobertas

É justamente essa combinação entre história e sensações que continua despertando o interesse de Fredolf. Para ele, o vinho é um universo que nunca se esgota.

Foto: Arquivo Pessoal

A bebida acompanha a humanidade há milhares de anos e aparece em diferentes momentos bíblicos, históricos e culturais. Para Fredolf, além do aspecto histórico, o vinho reúne experiências visuais, olfativas e gustativas, fazendo com que cada degustação possa revelar novas características.

Ao longo dos anos, também vieram as preferências pessoais.

Entre os tintos, Fredolf aprecia especialmente os vinhos frutados produzidos com variedades que se adaptaram ao solo do Sul do Brasil, como Merlot, Pinot Noir, Sangiovese e Marselan. Para quem prefere exemplares mais encorpados, a Tannat, produzida com destaque na Campanha Gaúcha, está entre suas escolhas.

Já entre os brancos, a Chardonnay ocupa um lugar especial. A variedade é conhecida pela versatilidade e tem boa produção na Serra Gaúcha, além de participar da elaboração de diferentes estilos de vinhos e espumantes brasileiros.

Quando o hobby ganhou endereço

A paixão de Fredolf acabou ganhando uma nova dimensão quando ele decidiu, incentivado pelo genro, transformar parte desse conhecimento em uma experiência para outras pessoas.

Foto: Arquivo Pessoal

Assim nasceu a Adega Pomerode, instalada na propriedade da família, que já está localizada dentro da Rota do Enxaimel. A proximidade com o roteiro turístico contribuiu para a decisão de integrar o empreendimento à Associação Rota do Enxaimel, fundada em junho de 2021, mesmo período em que a adega foi constituída.

A proposta é receber principalmente visitantes que percorrem a região por conta própria e que buscam experiências relacionadas à cultura, ao turismo e, claro, aos vinhos.

A parceria entre a família também facilita as decisões. Eles dividem opiniões, experiências e impressões na hora de escolher o que será oferecido aos visitantes.

E a escolha dos rótulos não acontece por acaso.

Todos os anos, eles visitam feiras em Bento Gonçalves e São Paulo em busca de novidades. A preferência é por vinhos nacionais de pequenos produtores, que trabalham com variedades diferentes de uvas, processos de vinificação diferenciados e lotes limitados, muitas vezes com garrafas numeradas.

Outro diferencial está na proximidade com os produtores. Em grande parte das vinícolas, a Adega Pomerode mantém contato direto com o proprietário ou com o enólogo responsável.

Foto: Arquivo Pessoal

Até o transporte é levado em consideração. A preocupação é evitar que os vinhos sejam submetidos a longos períodos de transporte sem controle de temperatura antes de chegar ao ambiente climatizado da adega.

De longe para Pomerode

Desde a abertura, Fredolf coleciona histórias proporcionadas pelos visitantes.

Um dos momentos que mais o marcam é observar famílias reunidas no espaço de Weingarten da propriedade, aproveitando o ambiente para confraternizar.

A localização também faz com que a adega receba visitantes de diferentes partes do Brasil. Já passaram pelo espaço turistas de estados como Acre, Amapá, Rondônia, Amazonas e Pará.

Em janeiro deste ano, uma dessas visitas chamou atenção: um casal acompanhado dos dois filhos percorreu o caminho de São Luís, no Maranhão, até Pomerode de carro próprio. Ao conhecer a cidade, a região e a adega, a família ficou encantada com a experiência.
Para Fredolf, momentos assim mostram que o vinho também pode ser uma forma de aproximar pessoas e culturas.

Uma paixão que continua crescendo

Apesar de toda a trajetória, Fredolf não trata o vinho como uma obrigação ou profissão. Ele prefere defini-lo de uma maneira mais simples: um hobby estimulante.

Foto: Arquivo Pessoal

A ideia é compartilhar com visitantes e amigos opções de vinhos locais, nacionais e internacionais, sempre buscando qualidade e preços justos.

“Costumo dizer que a vida é muito curta para ter que tomar vinho ruim e caro”, afirma.

A frase resume um pouco da filosofia que acompanha Fredolf. Para ele, conhecer vinho exige pesquisa, curiosidade e disposição para experimentar.

Depois de décadas desde as primeiras visitas às vinícolas da Serra Gaúcha, o hobby continua rendendo descobertas. A diferença é que, agora, Fredolf não precisa esperar pela próxima viagem para compartilhar essa paixão.

Na Rota do Enxaimel, em Pomerode, ele abriu as portas de sua própria adega e transformou uma paixão construída ao longo de décadas em uma experiência que pode ser dividida com quem chega de perto ou de muito longe.

Notícias relacionadas