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Um dia sendo resgatado, em um outro, salvando vidas

Giancarlo Lopes Dias sofreu um grave acidente, em que quase perdeu a sua perna, e hoje atua como bombeiro voluntário de Pomerode, após recuperação e muita superação

23 de março de 2025

Foto: Raphael Carrasco / JP

Na manhã do dia 19 de fevereiro de 2021, Giancarlo Lopes Dias saiu de casa para mais um dia de trabalho. Montado em sua moto, percorria as ruas de Pomerode quando, repentinamente, um carro cruzou seu caminho.

O impacto foi direto contra sua perna esquerda, causando uma grave fratura exposta, perda significativa de massa muscular e o rompimento de músculos e tendões. O socorro veio rapidamente: o Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, em conjunto com o SAMU, prestou o primeiro atendimento e encaminhou Giancarlo ao Hospital e Maternidade Rio do Testo.

Os sete dias seguintes no hospital foram desafiadores. Sem poder sequer levantar-se para ir ao banheiro, Giancarlo precisou adaptar-se à nova realidade. “Sete dias que pareciam uma eternidade”, relembra.

A fratura exigia o uso de um fixador externo, tornando qualquer movimento extremamente difícil. Banhos e necessidades básicas precisavam ser realizados no leito hospitalar, o que intensificava ainda mais o período de recuperação.

A gravidade da lesão preocupava os médicos, que desde o início foram transparentes sobre a possibilidade de amputação.

Giancarlo conta que os médicos sempre foram muito sinceros com a sua situação clínica. Antes da cirurgia, avisaram à família que o jovem tinha 80% de chance de perder a perna.

Nos primeiros dias após o procedimento, as incertezas eram constantes. Cada visita dos médicos trazia diferentes perspectivas, algumas esperançosas, outras desanimadoras. “Foram dias de muita angústia. Havia momentos bons e ruins, e cada dia era imprevisível.”

Giancarlo na época de sua recuperação, após alta do hospital. (Foto: Arquivo pessoal)

 

A cirurgia inicial durou cerca de quatro horas. Depois disso, iniciou-se um longo processo de recuperação, marcado por fisioterapia intensa para reestabelecer movimentos e reaprender a andar. Durante um ano, Giancarlo enfrentou desafios diários para fortalecer a perna e recuperar parte das funções motoras.

Mesmo com a dedicação e os esforços, algumas limitações permaneceram. “Infelizmente, alguns movimentos e a sensibilidade de partes do pé não voltaram. Ainda assim, me adaptei a essa nova realidade.”

Se a experiência foi transformadora em termos físicos, também teve um impacto profundo em sua trajetória pessoal. Antes do acidente, Giancarlo já tinha o desejo de ingressar no Corpo de Bombeiros Voluntários, mas foi a experiência de ser socorrido que o impulsionou a concretizar esse plano.

“O que mais me motivou a entrar nessa jornada foi o fato de que, no momento em que mais precisei, essas pessoas estavam ali para me ajudar. Hoje, poder salvar vidas é extremamente gratificante.”

Atuar no Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode representa mais do que apenas um trabalho ou voluntariado para Giancarlo. É uma missão de vida, um testemunho de superação.

“Ser um exemplo de superação é mostrar que é possível transformar momentos de dor e dificuldade em motivação para ajudar outras pessoas. Ao ingressar no Corpo de Bombeiros, não apenas honro aqueles que me ajudaram, mas também posso retribuir ajudando aqueles que um dia precisarão de resgate.”

A gratidão também ocupa um papel central em sua jornada. Giancarlo faz questão de agradecer àqueles que estiveram ao seu lado nos momentos mais difíceis. Inclusive, sua namorada, Ana Clara Rodrigues, ingressou no curso de formação de Bombeiros Voluntários, junto com o jovem. Na ocasião, os dois se formaram na mesma oportunidade, no ano passado. Hoje, Giancarlo e Ana compartilham os dias de plantão na corporação, unindo vida pessoal com o profissional. Ele aproveita para fazer um agradecimento a todos que fizeram parte deste processo de recuperação e superação.

Giancarlo e namorada Ana atuam juntos na Corporação dos Bombeiros Voluntários de Pomerode. (Foto: Raphael Carrasco/ JP)

 

“Gostaria de agradecer primeiramente à minha família e namorada, que sempre me apoiaram. Foi deles que tirei forças para seguir em frente e vencer essa batalha de cabeça erguida.”

Além disso, estende seu agradecimento à equipe do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, ao SAMU e a todos os profissionais de saúde que participaram de sua recuperação.

“Em especial, ao médico que realizou minha cirurgia no dia do acidente: meu muito obrigado por acreditar e se esforçar até o final. Se não fosse por você honrar sua profissão com tanto amor, esse milagre não teria acontecido!”

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