Quando o palco se torna um caminho: a trajetória da estudante de teatro Nathiély Maria da Silva
Estudante defende a valorização dos artistas locais e destaca o poder transformador do teatro na formação humana
Foto: Arquivo Pessoal
No Dia Nacional do Teatro, celebrado em 19 de setembro, a trajetória da estudante de teatro Nathiély Maria da Silva mostra como a arte pode transformar vidas, despertar novos olhares e abrir caminhos profissionais. Moradora de Pomerode há quase 10 anos, ela encontrou nos palcos muito mais do que um passatempo: descobriu um espaço de pertencimento, expressão e mudança.
A relação com o teatro começou ainda na infância. Entre brincadeiras, personagens imaginários e histórias criadas dentro de casa, ela já dava os primeiros passos em direção ao universo artístico, mesmo sem perceber.
“Poeticamente falando, gosto de pensar que, quando criança, enquanto eu criava brincadeiras e imaginava os mais diversos cenários e personagens, eu já estava adivinhando minha futura paixão”, conta.
Mas foi durante a juventude que o interesse se transformou em escolha de vida. O que começou como um hobby ganhou força até se tornar uma vocação.

Foto: Arquivo Pessoal
Uma lembrança, em especial, marcou essa decisão. Depois de uma apresentação, já durante a madrugada, ela voltava para casa ao lado dos amigos, carregando um prêmio conquistado pelo grupo. O cenário da peça dividia espaço com os integrantes da equipe dentro do veículo.
“Acho que foi ali que o espírito do teatro tocou meu ombro e falou: ‘Vai, minha filha, vai estudar teatro’”, relembra.
Mais do que técnicas de interpretação, a formação acadêmica proporcionou mudanças profundas na forma como ela enxerga o mundo. Segundo Nathiély, o teatro ensina a observar diferentes perspectivas, compreender os limites individuais e reconhecer a força do trabalho coletivo.

Entre as experiências mais marcantes está a adaptação da obra Dois Perdidos numa Noite Suja, do dramaturgo Plínio Marcos. Na montagem, ela interpretou Paco, personagem que a levou a encarar uma realidade distante da sua vivência.
A peça retrata a vida de duas pessoas em situação de rua e exigiu da estudante um mergulho em questões sociais e humanas. A experiência, segundo ela, ampliou sua compreensão sobre diferentes realidades.
Atualmente, outra área tem despertado seu interesse: a pesquisa sobre teatro para bebês. Ao lado de uma colega da faculdade, ela desenvolveu um estudo que relaciona o fazer teatral ao desenvolvimento cognitivo de crianças na primeira infância.

Foto: Arquivo Pessoal
Para a estudante, acompanhar o impacto da arte no desenvolvimento infantil reforçou a convicção de que o teatro possui um enorme potencial transformador.
Além do aspecto artístico, ela acredita que o teatro também desempenha um papel social importante.
“O teatro dá voz a todas as existências. As pessoas passam a ver e perceber coisas que normalmente não perceberiam”, afirma.
Em sua avaliação, a arte permite que as pessoas expressem sentimentos em uma sociedade cada vez mais marcada pelo excesso de informações, pela ansiedade e pelo isolamento.
Ela também faz uma reflexão sobre a realidade cultural de Pomerode. Apesar de considerar a cidade rica em tradições e reconhecer a qualidade da estrutura do Teatro Municipal, Nathiély acredita que ainda falta valorização dos artistas locais.
Para ela, são necessários mais projetos que democratizem o acesso aos espaços culturais e incentivem a prática teatral entre crianças, adolescentes e adultos.
A estudante destaca que muitos artistas da cidade enfrentam dificuldades para encontrar oportunidades, o que acaba desestimulando novas gerações.
Em tempos de relações cada vez mais mediadas pelas telas, ela defende que o teatro continuará sendo essencial para fortalecer os vínculos humanos.

Foto: Arquivo Pessoal
“O teatro nos lembra de que somos humanos. Necessitamos do contato, temos urgência de autocuidado e criação de laços. O teatro nos traz para o presente”, ressalta.
Ao falar com jovens que ainda não tiveram contato com essa linguagem artística, ela faz um convite: permitir-se viver essa experiência.
Para Nathiély, assistir a uma peça ou subir ao palco pode ser um caminho para a transformação pessoal que pode impactar à sociedade como um todo.

Afinal, como ela mesma define, depois do primeiro encontro com o teatro, a vida nunca mais é a mesma.