Segurança

Pomerodense tem número de celular clonado

Criminoso utilizou o número para criar uma conta no WhatsApp e pedir dinheiro de outras pessoas

20 de fevereiro de 2019

A tecnologia, assim como surgiu como uma maneira de tornar atividades do dia a dia mais fáceis, também teve o seu lado negativo, pois possibilita a pessoas mal intencionadas, mais uma maneira de praticar atos ilícitos. E, nesta semana, uma pomerodense foi alvo de um crime desta natureza.

A advogada Cleide Kamchen teve seu número de celular clonado e o criminoso utilizou o WhatsApp para mandar mensagens aos seus contatos, solicitando um empréstimo de mais de três mil reais. “Inicialmente, o fato ocorreu no dia 15 de fevereiro, perto das 18h30min. Eu estava jantando e meu celular, que estava no quarto, começou a tocar. Como eu vi que era o meu pai, atendi. Ele logo me questionou que dificuldade eu estava passando para pedir três mil reais emprestados. Eu disse que não pedi nada”, relata.

O pai, Valmor Kamchen, explicou que recebeu uma mensagem de Cleide, pedindo o dinheiro pelo WhatsApp. Ao verificar seu celular, havia uma notificação do aplicativo. “Seu número de telefone não está mais registrado neste telefone. Isso provavelmente aconteceu porque você registrou seu número de telefone com o WhatsApp em um telefone diferente”, dizia a mensagem.

Cleide revela que suas primeiras reações foram de susto, perplexidade, indignação e revolta. “Ter a sua privacidade invadida tão repentinamente, é uma situação de impotência total. A vulnerabilidade no mundo digital é muito maior do que eu imaginava. Pois você acredita que tendo o máximo de cuidado no acesso a sites, à aceitação de pessoas no Facebook, nada vai ocorrer e, em instantes, tudo muda”.

Ela, então, entrou em contato com a operadora de celular e solicitou o bloqueio temporário da linha, mencionando o ocorrido. “Depois de solicitar o bloqueio da linha junto à operadora, fiz uma publicação no Facebook sobre o ocorrido, solicitando que ignorassem as mensagens, bloqueassem o número, pois fui vítima de um golpe. Mas, infelizmente, uma pessoa fez a transferência no valor de dois mil reais e está tentando resolver essa situação com o banco”.

Foi registrado o Boletim de Ocorrência e o crime foi enquadrado como estelionato, pois não há uma legislação específica que se aplique a este crime e Cleide avalia se entrará ou não com uma ação judicial.

O delegado da Polícia Civil de Pomerode, Rodrigo Marchetti, ressalta que, caso alguém seja vítima, a orientação é registrar o ocorrido.

“Caso a pessoa seja vítima deste tipo de situação, ela deve procurar a Polícia para registrar o Boletim de Ocorrência e também procurar a sua operadora de celular, para que eles também tomem as providências, até porque é um serviço pago”, destaca.

Para Cleide, o sentimento é, ainda, de vulnerabilidade. “Na vida tudo é um aprendizado constante. Pois, o sentimento de vulnerabilidade a esse crime, seja pela falta de conhecimento total ou parcial em tecnologia, seja devido ao excesso de confiança e seja pela predisposição de solidarizar com o pedido enviado, sem sombra de dúvidas colaboram com práticas criminosas de cidadãos sem escrúpulos, descomedidos. Então é essencial a troca habitual da senha do aparelho ativando a verificação em duas etapas, prestar atenção em alertas de mudança de código, desconfiar de qualquer solicitação de dinheiro, de dados bancários, evitar usar as redes públicas de wi-fi, compreender e aprender com o ocorrido, além de denunciar tais práticas aos órgãos competentes e empresas de telefonia”, ressalta a advogada.

Orientações 

Para aumentar a segurança, a Polícia Civil orienta que seja feita a verificação do aplicativo WhatsApp em duas etapas:

– No sistema Android, é preciso ir em Configurações – Conta – Ajustes em duas etapas;

– No sistema IOS, Ajuste – Conta e Verificação em duas etapas;

Outra informação importante é que, se a pessoa receber um e-mail para desativar a verificação em duas etapas sem tê-los solicitado, não clicar neste link, pois uma outra pessoa pode estar tentando registrar o seu número de WhatsApp.

Também é aconselhável utilizar o WhatsApp apenas em computadores de sua confiança. Mesmo assim, se tiver dúvidas sobre sua segurança, opte por desconectar do WhatsApp logo após utilizá-lo. essa ação. Isso evitará riscos da sua conta de WhatsApp sofrer o espelhamento por WhatsApp Web.

E, caso haja clonagem, a polícia orienta que a vítima peça um novo chip para a operadora e a reativação do número, porque assim derruba o sinal que o bandido está usando.

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