Segurança

Pomerodense é vítima de compartilhamento de informações falsas

No dia 23 de maio, quinta-feira da semana passada, uma notícia a respeito da apreensão de um carregamento de drogas chamou a atenção da comunidade pomerodense e provocou um boato, envolvendo uma família da cidade

30 de maio de 2019

No dia 23 de maio, quinta-feira da semana passada, uma notícia a respeito da apreensão de um carregamento de drogas chamou a atenção da comunidade pomerodense e provocou um boato, envolvendo uma família da cidade.

Na data, um motorhome, com placas de Pomerode, foi apreendido na cidade de Caarapó, no Mato Grosso do Sul, com mais de quatro toneladas de drogas. O condutor era um homem de 34 anos, que contou aos policiais do Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que foi contratado para pegar o veículo, já com a droga, em Ponta Porã (MS) e recebeu orientações para seguir até o Estado de São Paulo.

Após a publicação da apreensão, alguns portais de notícias divulgaram o nome do motorista do motorhome: Giovani Nascimento. E foi a partir deste momento que o boato começou.

Diversos link’s com a notícia circulavam nos grupos de WhatsApp da cidade até o momento em que alguém, cuja identidade ainda é desconhecida, procurou por “Giovani Nascimento” nas Redes Sociais e encontrou um perfil de um morador da cidade, que nada tinha a ver com a situação. Mesmo sem checar a informação, a foto do empresário foi repassada nestes grupos, como sendo do motorista que foi preso no Mato Grosso do Sul.

“Na quinta-feira, eu havia recebido a notícia, também, por grupos de WhatsApp, mas foi no dia seguinte que alguém procurou pelo nome do homem que foi preso no Facebook e encontrou meu perfil, já que somos xarás. Foram conhecidos meus que me ligaram e avisaram que a foto estava circulando. Mas em nenhum momento essa pessoa que divulgou a foto procurou saber se estava falando da pessoa certa, e, simplesmente, pegou a minha foto de perfil e repassou nos grupos, dizendo que eu havia sido preso”, conta Giovani Nascimento, de 45 anos, proprietário de uma oficina mecânica.

Com a sua foto, junto de sua família, conectada erroneamente a uma notícia de prisão por tráfico de drogas, Nascimento revela que passou por um constrangimento, pois o boato expôs a ele, sua esposa, seu filho e até mesmo seu negócio, pois, em Pomerode, a maioria das pessoas conhece a sua oficina.

“A foto chegou a circular em outras cidades, porque conhecidos meus de Blumenau vieram me avisar. Além disso, a falsa informação de que eu havia sido preso e estava envolvido com este crime chegou até Porto Belo, onde mora a minha mãe. Ela precisou ser atendida no hospital, porque passou mal depois de ser informada de que seu filho tinha sido preso, o que não era verdade”, revela.

Diante de todos os transtornos, Nascimento procurou a Delegacia de Polícia Civil de Pomerode e registrou um Boletim de Ocorrência, além de ir em busca de um advogado, para representar, legalmente, contra a pessoa que divulgou a foto. A Polícia está investigando o fato para tentar encontrar o responsável pela divulgação.

“Os policias também alertaram que é algo muito sério, porque envolve a questão de drogas. Se alguém que comanda o tráfico achar que poderia sair prejudicado pela prisão, pode tentar uma retaliação, e como é a minha foto, com a minha família, eles podem ser colocados em risco. Por isso, acredito que as pessoas deveriam ter mais consciência das consequências que seus atos podem ter, principalmente, porque muitos compartilharam sem nem consultar para ver se era eu mesmo, o que também é muito sério. Se alguém souber de onde partiu este boato, por favor, denuncie”, destaca o empresário.

O que diz a lei

A divulgação de um boato ou informação falsa é considerada crime quando for caluniosa, difamatória ou injuriosa contra uma pessoa. Por isso, Giovani Nascimento afirmou que entrará com uma ação contra o responsável pela divulgação por Danos Morais, ou seja, crime contra a sua honra.

Tais crimes enquadram-se nos artigos 138 (calúnia), 139 (difamação) e 140 (injúria) do Código Penal. Neste caso, a pessoa que divulgou a foto de Nascimento, conectando-o com o crime de tráfico de drogas, poderia ser processado por calúnia, por acusar alguém de um crime que não ocorreu ou o crime pode ter sido praticado, mas a pessoa não tem nenhum tipo de responsabilidade ou envolvimento em relação a ele; e também poderia haver uma ação por difamação, pois o boato afeta a honra da pessoa, prejudicando a sua imagem perante à sociedade.

A pena para quem é autor de uma calúnia, pode variar de seis meses a dois anos de detenção, de acordo com o Código Penal, além de multa. Já para difamação, a pena pode ser de detenção de três meses a um ano, bem como, multa. 

Vale ressaltar que quem compartilha a informação, ou seja, passa adiante o boato, também pode responder pelos crimes, mesmo que tenha apenas clicado ou encaminhado a mensagem. Isso se deve ao fato de que o Código Penal afirma que, aquele que pratica uma conduta assumindo o risco de resultado, também é autor do crime.

Por isso, antes de compartilhar uma informação sem ter a certeza de sua veracidade, a orientação é procurar verificar se ela é verdadeira. E caso não consiga esta confirmação, não compartilhe.

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