Pomerode na linha de fogo
“Jamais poderia imaginar que um ônibus fosse incendiado ao lado da minha casa”, conta o motorista de ônibus, Ivan Borchardt.
“Eu acompanho as notícias e essa era uma realidade longe da minha. Sei que está próximo, mas jamais poderia imaginar que um ônibus fosse incendiado ao lado da minha casa”, conta o motorista da empresa Canarinho, Ivan Borchardt, que teve o ônibus com o qual trabalha incendiado na madrugada de sábado, dia 02 de fevereiro.
De acordo com o motorista, o incêndio foi percebido por um caminhoneiro que passava pela Serra que faz limite entre Pomerode e Jaraguá do Sul e acordou a família para tentar conter as chamas.
O motorista do ônibus e outros dois caminhoneiros tentaram apagar as chamas com os extintores de incêndio de seus veículos, mas em vão. O Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode foi imediatamente acionado e levou cerca de uma hora e meia para conter o fogo.
A porta do ônibus havia sido arrombada e acredita-se que gasolina tenha sido jogada no ônibus. Ao lado do veículo incendiado, havia outro ônibus que foi retirado a tempo e não sofreu nenhum tipo de dano.
A preocupação de moradores do local era com as chamas e a proximidade do ônibus incendiado com as três residências da família. O veículo estava na beira da estrada, no bairro do Alto da Serra.
A ação, segundo a Polícia, pode ter relação com a série de ataques que vem ocorrendo por todo o Estado de Santa Catarina. Ninguém se feriu, mas a ação marcou o município no mapa de cidades atingidas pelos atentados.
Os atentados em Santa Catarina – A segunda onda de atentados em Santa Catarina começou na noite de quarta-feira, dia 30 de janeiro, no Vale do Itajaí. Até a manhã de terça, dia 05 de fevereiro, a Polícia Militar confirmou 54 ataques. Veículos foram incendiados e foram disparados tiros e jogados coquetéis-molotovs contra prédios públicos. As ocorrências foram registradas em 18 municípios: Navegantes, São José, Florianópolis, Criciúma, Itajaí, Palhoça, Camboriú, São Francisco do Sul, Laguna, Araquari, Gaspar, Joinville, Balneário Camboriú, Jaraguá do Sul/Pomerode, Maracajá, Chapecó, Tubarão e Ilhota.
O policiamento foi reforçado em todas as regiões. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a suspeita é que as ordens sejam comandadas por uma facção criminosa e partam de dentro dos presídios. As autoridades investigam a relação dos ataques com denúncias de maus-tratos no Presídio de Joinville e com transferências de detentos no sistema prisional do estado. Em Joinville e Florianópolis, são feitas escalas especiais de escolta para os ônibus do transporte coletivo.
Em novembro de 2012, quando aconteceu a primeira onda de atentados, durante sete dias foram confirmados 58, em 16 municípios catarinenses. Os ataques cessaram depois do anúncio da saída do diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara.
Prisões e apreensões – A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), até a tarde de segunda-feira, dia 04 de janeiro, já contabilizava 24 pessoas presas e/ou apreendidas desde o início dos ataques criminosos, no dia 30 de janeiro. Destas, seis são adolescentes entre 13 e 17 anos.
Tortura a presos – Um inquérito policial começa a apurar as denúncias de abusos no presídio regional de Joinville, no norte de Santa Catarina. A tortura realizada por agentes durante uma operação “pente fino” foi flagrada por câmeras de segurança da unidade e é apontada como o estopim para a nova onda de atentados no estado.
O delegado Fábio Estuqui, da delegacia do bairro Itinga, irá ouvir o depoimentos de agentes envolvidos a partir de terça-feira, dia 05 de fevereiro. Os abusos teriam ocorrido no dia 18 de janeiro e os servidores identificados (cerca de dez) acabaram afastados. As imagens mostram agentes desferindo tiros de borrachas contra cerca de 70 presos seminus. Alguns chegam a ser arrastados pelos policiais.
O caso preocupa e fez com que a presidente da Comissão de Direitos Humanos da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Joinville, Cynthia Pinto da Luz, passasse a acompanhar as investigações de perto. Ela deve levar as imagens à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.