Segurança

PF investiga invasão hacker que enviou 10 alertas falsos da Defesa Civil para milhões de brasileiros

Mensagens com termos como “misantropia” e “invasão alienígena” foram disparadas durante a madrugada; sistema foi retirado do ar preventivamente.

20 de junho de 2026

Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) investiga a invasão ao sistema Defesa Civil Alerta que resultou no envio de mensagens falsas para milhões de brasileiros entre a noite de sexta-feira, dia 19 de junho e a madrugada deste sábado, dia 20 de junho. Segundo a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, ligada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), a principal hipótese é de um ataque hacker coordenado.

Durante coletiva de imprensa realizada na manhã deste sábado, o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, informou que foram disparados ao menos 10 alertas falsos por meio dos sistemas utilizados pelo governo para comunicação de emergências.

“Foram nove mensagens emitidas pelo Cell Broadcast e uma pelo sistema SMS”, afirmou. O Cell Broadcast é a tecnologia implantada em 2025 para envio de alertas de emergência, enquanto o sistema por SMS era utilizado desde 2014 e foi substituído no ano passado.

Embora o número exato de pessoas atingidas ainda não tenha sido divulgado, Wolff afirmou que as mensagens alcançaram “milhões de brasileiros”.

Mensagens citavam “misantropia” e “invasão alienígena”

Por volta da 01h30min, celulares de diversas regiões do país receberam notificações classificadas como “alerta extremo”, categoria reservada para situações de risco iminente, como desastres naturais. Além de um alarme sonoro de alta intensidade, os avisos continham textos sem relação com emergências reais.

Entre os termos enviados estavam palavras como “misantropia” — que significa aversão ou ódio à humanidade — e referências a uma suposta “invasão alienígena”.

Após identificar a invasão, a Defesa Civil retirou preventivamente do ar a plataforma responsável pelo envio dos alertas. Segundo o órgão, o serviço será restabelecido somente quando todas as condições de segurança forem garantidas.

Investigação tenta identificar autores

De acordo com Wolff, a investigação conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a equipe técnica da Defesa Civil buscará identificar se a ação foi realizada por uma única pessoa ou por um grupo organizado.

O secretário informou que o primeiro disparo teria partido do Paraná, mas destacou que ainda não é possível confirmar a origem exata da invasão.

“Sabemos que o primeiro alerta partiu do Paraná, mas depois que o acesso foi desativado outras mensagens foram emitidas”, explicou.

Segurança do sistema será reforçada

Questionado sobre a confiabilidade da plataforma, Wolff afirmou que a equipe técnica já vinha trabalhando desde o ano passado para aprimorar os mecanismos de segurança do Defesa Civil Alerta.

“Não é a primeira vez que sistemas de órgãos públicos são atacados por hackers cometendo crimes cibernéticos”, disse. “Lamentavelmente, existem pessoas que se propõem a fazer um desserviço à nação”, acrescentou.

Segundo o secretário, o episódio servirá para fortalecer o sistema e corrigir eventuais vulnerabilidades.

“Temos que considerar o que aconteceu nesse ataque, como essas pessoas conseguiram ultrapassar a nossa segurança”, concluiu.

Como funciona o Defesa Civil Alerta

O Defesa Civil Alerta foi criado para avisar a população sobre situações reais de risco, como enchentes, deslizamentos e outros eventos climáticos extremos.

Os alertas são enviados automaticamente para celulares compatíveis com redes 4G e 5G localizados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio.

O chamado “alerta extremo” é o nível mais grave do sistema. Nesses casos, o aviso sonoro é acionado mesmo que o aparelho esteja configurado no modo silencioso.

Fonte: Agência Brasil

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