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Depois de quase quatro dias foragido, Polícias Civil e Militar capturam Marciano Wehrmeister, no mesmo bairro onde aconteceu o crime.
16:25. Quinta-feira chuvosa em Pomerode. O telefone toca. Começou então a correria em busca de câmera, filmadora, microfone, caderno de anotações, canetas e muita disposição. A informação recebida, era a mais esperada há dias. Marciano Wehrmeister, acusado do primeiro homicídio do ano, foi preso pela Polícia Militar, na divisa entre Pomerode e Rio dos Cedros.
Após uma operação conjunta entre Polícias Civil e Militar, ponto de espera foi a delegacia de Polícia de Pomerode, para onde a PM estava encaminhando o criminoso. No local, várias pessoas, que aos poucos também ficavam sabendo da prisão do jovem, formaram um maciço de gente, à espera de Marciano. A espera parecia longa, mas foram apenas alguns minutos, até que as luzes vermelhas do ‘Giroflex do carro da Polícia Militar anunciaram a chegada mais esperada dos últimos tempos, em Pomerode. O sentimento de todos ali, próximo à Delegacia, era um só: sensação de alívio, pela justiça feita.
A viatura foi conduzida ao pátio atrás do prédio, e o portão fechado, para que a comunidade não pudesse entrar e tentar fazer justiça com as próprias mãos. Policiais Civis e Militares fizeram a escolta e a condução do acusado, algemado, até o interior da delegacia. Marciano, revoltado, tentava a todo custo se desvencilhar da pressão física e moral que lhe eram impostas. Ao ser questionado por nossa equipe de reportagem, sobre o motivo do homicídio, a resposta foi curta: 'Vai pro inferno. Quero que vocês todos vão pro inferno'.
Mostrando agitação, policiais tiveram que ser mais duros com ele, pois Marciano não demonstrava apreensão, muito menos medo das autoridades policiais, muito menos do que o esperava.
Conduzido para dentro da delegacia, por lá permaneceu durante longos minutos. A portas fechadas, o delegado responsável pelo caso, Gilberto Azevedo, interrogou o acusado enquanto, do lado de fora, chegavam alguns familiares de Marlene Hackbarth Maas. Os olhos curiosos do irmão da vítima, Alcides Hackbarth, o Cidinho, tentavam buscar alguma imagem, alguma justificativa do acusado, através da janela fumê da sala do delegado. Sereno, porém não conformado, ele disse: 'Agora estamos aliviados; aconteceu o que nós esperávamos da Justiça. Eu sempre digo que nós temos Deus e graças a Ele nós conseguimos isso e deu tudo certo'.
Cidinho disse ainda que a irmã não vai voltar. Mas que ele não entende e nunca vai entender a causa de Marciano ter tirado a vida de uma pessoa indefesa, boa, amável e querida por todos. 'No fundo, eu tenho é pena de uma pessoa como o Marciano, por ter escolhido um caminho como esse', lamenta.
Mais alguns minutos de espera, e a porta do corredor da delegacia se abriu. Na frente, um policial militar denunciando que por aquele local sairia, em instantes, a figura tão esperada. Algemado, de cabeça baixa e um pouco transtornado, Marciano foi colocado na viatura da Polícia Civil. De Pomerode, foi a Blumenau até o Instituto Geral de Perícias (IGP), para fazer o exame de Corpo de Delito e, em seguida, foi encaminhado ao Presídio Regional e Blumenau.
Sobre o depoimento – Gilberto Azevedo, delegado responsável pelo caso, disse que, em depoimento, Marciano não confessou e nem negou a autoria do crime. 'Ele disse apenas, em todo o momento, que tinha o corpo fechado e que era protegido pelo diabo. Além disso, também confirmou que era usuário de crack e cocaína; situação que já estava gerando uma aparente crise de abstinência', revelou Dr. Gilberto.
Com a prisão de Marciano, o delegado afirmou que a comunidade do bairro de Pomerode Fundos e os moradores de Pomerode em geral, se sentiram mais aliviados, visto o medo que ele vinha causando na população, principalmente após o registro do homicídio. Além disso, Dr. Gilberto também revelou que ele deve ser enquadrado também por tentativa de latrocínio e roubo, registrados no Morro Azul, em Timbó. Os fatos aconteceram na quarta-feira à tarde, quando Marciano esteve no local. Um atendente do Parque do Morro Azul, identificou o acusado, ligou para a polícia e, em seguida, foi atingido com um tiro, na região do ombro. Logo após, teve sua moto roubada pelo criminoso que mais tarde trocou tiros com a polícia, mas fugiu pelo mato e conseguiu escapar.
As buscas – Desde a noite de segunda-feira, as Polícias Civil e Militar de Pomerode, com reforços de Blumenau, Indaial, Timbó e Rio dos Cedros realizaram buscas em toda a região, a fim e capturar Marciano. Os trabalhos foram intensificados, inclusive com cães farejadores. Depois do fato relatado no Morro Azul, quando Marciano conseguiu fugir, as buscas continuaram durante toda a noite de quarta-feira, seguiram pela madrugada e manhã de quinta-feira. No período da tarde, a Polícia Civil recebeu uma denúncia anônima, de que Marciano estaria na região da SC-416, quase na divisa de Pomerode com Rio dos Cedros, nas proximidades da gruta da Santa. A Polícia Militar foi acionada e conseguiram prender o suspeito.
Com ele, havia uma mochila que continha mais de R$150,00 em dinheiro, um estilete, alguns pacotes de suco em pó, um penal, um óculos, uma cédula de identidade e outros itens. Tudo foi encaminhado à perícia. Marciano deverá aguardar o julgamento, no Presídio Regional de Blumenau.