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Companheiros inseparáveis: a história de amizade entre Marcos Krahn e o cão Jow

Criado desde filhote, o cachorro acompanha o tutor em todas as atividades do dia a dia, ajuda na propriedade rural, recepciona turistas e protagonizou um reencontro emocionante após desaparecer por um dia.

29 de agosto de 2026

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

Quem conhece Marcos Krahn logo percebe que ele dificilmente está sozinho. Ao seu lado está sempre Jow, um cão que, há quase nove anos, deixou de ser apenas um animal de estimação para se tornar um verdadeiro companheiro de vida. Entre o trabalho na propriedade rural, as viagens, o turismo rural e os momentos de descanso, os dois construíram uma relação marcada por lealdade, confiança e muito carinho.

Morador da divisa entre Pomerode e Jaraguá do Sul, Marcos conta que Jow chegou à propriedade quando ainda era um filhote.

“Eu precisava de um companheiro para me ajudar na lida com os bois e também para estar comigo no sítio. Quando peguei ele, era muito pequenininho, cabia dentro de uma caixa de sapatos. Parece que foi ontem, mas já vai fazer nove anos. Desde então, ele nunca mais saiu do meu lado. É um amor, não tem preço isso. Se eu vou passear, ele vai junto; se eu vou trabalhar, ele está comigo. Um é a sombra do outro.”

A rotina dos dois começa cedo. Jow dorme dentro de casa, tem seu próprio espaço na sala e acompanha o tutor desde o primeiro momento do dia. Segundo Marcos, o cachorro parece saber exatamente quando ele acorda.

“Todo dia é igual. Eu levanto, abro a porta e ele já vem me dar bom-dia. Depois vai comigo cuidar dos bois, acompanha tudo o que eu faço. Se eu escuto algum barulho à noite e preciso sair para olhar, não preciso nem chamar. Quando vejo, ele já está do meu lado. A gente mora sozinho, então é ele quem faz companhia o tempo todo.”

A parceria também se estende ao turismo rural desenvolvido na propriedade. Enquanto Marcos recebe visitantes, Jow se tornou uma espécie de anfitrião oficial. Quem retorna ao local frequentemente pergunta primeiro pelo cachorro antes mesmo de procurar pelo dono.

“Se eu não estou ali, ele recepciona as pessoas. As crianças gostam muito dele e quem já visitou o sítio sempre pergunta: ‘E o Jow, está aí?’. Nos passeios de trator ele vai junto, acompanha os bois e faz parte da experiência. As pessoas se encantam porque percebem que ele realmente participa de tudo.”

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

 

Ao longo dos anos, Marcos também ensinou algumas funções ao companheiro de quatro patas. Sem ajuda profissional, treinou Jow para acompanhar o manejo do gado, permanecer ao seu lado durante o trabalho e até ajudar em situações de emergência.

“Eu sempre gostei de ensinar as coisas para ele. Se alguém cair na lagoa que tem lá em casa, ele entra na água para a pessoa se segurar nele e consegue puxar até a margem. Tenho vídeos disso. Quando estou mexendo com os bois, ele também fica do meu lado o tempo inteiro. Se percebe algum perigo, ele já assume uma posição de proteção.”
Apesar do porte e do instinto de defesa, Marcos afirma que Jow é extremamente dócil com crianças e pessoas que conhece.

“Ele é muito manso. Com criança então, não tem problema nenhum. Agora, se alguém vier para cima de mim ou se aproximar do carro de um jeito que ele ache estranho, aí ele muda completamente. Ele entende que precisa me proteger.”

Um dia de angústia

A confiança entre os dois foi colocada à prova em um episódio que Marcos ainda relembra com emoção. Em um dia comum, ao sair de casa, chamou Jow para acompanhá-lo. Como o cachorro não apareceu imediatamente, Marcos acreditou que ele havia ficado na propriedade. Na verdade, o animal correu atrás do carro e acabou se perdendo no caminho.

Foi somente horas depois, ao retornar para casa, que Marcos percebeu a ausência do companheiro. “Na hora eu entrei em desespero. Perguntei para os vizinhos se tinham visto ele, fui procurando para todos os lados e ninguém sabia de nada. Eu não dormi naquela noite. A única coisa que passava pela minha cabeça era onde ele estaria e se estava bem. Quem tem um animal sabe o quanto a gente sofre numa situação dessas.”

Enquanto Marcos o procurava, duas pessoas encontraram Jow caminhando pela estrada. O comportamento tranquilo e o bom estado de saúde do cachorro fizeram com que elas percebessem rapidamente que ele não havia sido abandonado.

Jow é o companheiro no trabalho com o gado da propriedade. (Foto? Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

“Eles viram que ele era muito bem cuidado. Como é muito manso, entrou no carro deles sem medo. Levaram para casa, deram comida, deixaram ele solto no pátio e começaram a procurar o dono. Foram pessoas de um coração enorme. Se não fossem elas, talvez eu nunca mais encontrasse o Jow.”

Na tentativa de localizar o cachorro, Marcos recorreu a uma rádio de Jaraguá do Sul, onde pediu ajuda para divulgar o desaparecimento. A estratégia deu certo. As pessoas que haviam acolhido Jow ouviram a divulgação e entraram em contato.

O reencontro aconteceu no dia seguinte e ficou marcado na memória do tutor. “Foi uma choradeira. Não tem outra palavra. Eu estava desesperado e, quando vi ele de novo, parecia que tinha voltado um pedaço de mim. Foi um alívio muito grande. Sou muito grato às pessoas que acolheram ele e fizeram questão de encontrar o verdadeiro dono.”
Uma coincidência tornou a história ainda mais especial. Sem saber o nome do cachorro, a família que o acolheu decidiu chamá-lo justamente de “Jow”.

“Eles contaram que estavam pensando em dar um nome para ele e, sem conhecer a história, começaram a chamar de Jow. Quando me disseram isso, eu não acreditei. Podiam ter escolhido qualquer nome, mas falaram justamente o nome dele. Foi uma coincidência muito bonita.”

Reconhecimento inesperado

Em junho, Marcos levou Jow para passear em um evento voltado aos cães realizado em Pomerode. A intenção era apenas acompanhar as atrações, mas uma categoria destinada aos visitantes acabou chamando a atenção da dupla.
Sem grandes expectativas, eles participaram da brincadeira e Jow foi escolhido como o destaque entre os cães visitantes.

Para Marcos, no entanto, a medalha recebida representa muito menos do que a história construída ao longo dos anos.

“Eu não participo porque quero ganhar alguma coisa. O prêmio foi uma alegria, claro, mas o mais importante é poder estar com ele. Tenho orgulho de dizer que esse é o meu companheiro. A gente vive junto todos os dias, um cuida do outro. Isso não tem preço.”

Hoje, quase nove anos depois daquele filhote que cabia em uma caixa de sapatos chegar à propriedade, Marcos não consegue imaginar a rotina sem a presença de Jow.

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

“Eu espero que Deus ainda me dê muitos anos ao lado dele. Quem nunca teve um companheiro assim talvez não entenda, mas ele faz parte da minha família. É meu parceiro para tudo. Onde eu vou, ele vai junto. E enquanto eu puder cuidar dele, vou continuar cuidando com todo o carinho.”

Mais do que um cão de estimação, Jow se tornou símbolo da amizade construída diariamente entre homem e animal. Uma parceria feita de confiança, proteção e companheirismo que conquistou não apenas quem convive com a dupla, mas também quem conhece sua história.

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