Arte que eterniza memórias: artista transforma retratos de cães em homenagens carregadas de emoção
Autodidata, Daniela Coutinho desenvolve trabalhos para diferentes países e encontrou nos retratos realistas de animais uma forma de preservar histórias e fortalecer laços afetivos entre tutores e seus companheiros de quatro patas
Foto: Arquivo Pessoal
A arte acompanha Daniela Coutinho desde a infância. Entre lápis, pincéis e uma curiosidade constante por diferentes técnicas, a artista transformou aquilo que começou como um hobby em uma carreira internacional. Hoje, mesmo vivendo em Blumenau, ela encontrou em Pomerode uma oportunidade especial para apresentar um trabalho que emociona famílias: retratos realistas de cães e outros animais de estimação, capazes de eternizar memórias e histórias afetivas.
Autodidata e formada em Letras Espanhol, Daniela trabalha há anos com ilustrações e projetos gráficos para diferentes países, produzindo pôsteres para festivais de música, capas de livros e discos, estampas e murais. No entanto, são as aquarelas dedicadas aos animais que ocupam um lugar especial em sua trajetória.
“Desde criança, desenhar e pintar sempre foi o que mais gostava de fazer, e nunca parei. Sempre fui fascinada por pinturas realistas. Como artista, me intriga demais a possibilidade de criar a ilusão de uma imagem 3D em uma superfície bidimensional. É como ser um mágico e pregar peças no seu cérebro”, conta.

Foto: Arquivo Pessoal
A possibilidade de transformar a paixão em profissão surgiu de maneira inesperada. Os desenhos feitos apenas por prazer chamaram a atenção de outras pessoas e abriram as primeiras portas para o mercado de trabalho.
“Foi quando alguém viu os desenhos que eu fazia simplesmente por hobby e me chamou para fazer um teste para trabalhar com criação de estampas para a indústria têxtil. Foi ali que percebi que aquilo que eu fazia por amor também poderia se tornar uma profissão”, relembra.
Embora resida em Blumenau, Daniela já morou em São Paulo e desenvolve trabalhos para clientes em diferentes partes do mundo. Entre eles, projetos realizados na Dinamarca, Alemanha e Inglaterra. A aproximação com Pomerode aconteceu por meio da Feira de Cães, oportunidade que considera especial.

Foto: Arquivo Pessoal
“Eu realizo trabalhos para várias partes do mundo, como Dinamarca, Alemanha e Londres, fazendo pôsteres para festivais de música, capas de discos, capas de livros, retratos de pets e muitas outras coisas. A Feira de Cães foi a primeira oportunidade que tive de trabalhar em Pomerode e fiquei muito feliz, pois é uma cidade que tenho muito carinho”, afirma.
Aprendizado construído pela prática
Sem formação acadêmica em artes, Daniela construiu sua trajetória por meio da observação, da prática e de cursos complementares. Ao longo dos anos, aprendeu diversas técnicas, desde pintura de murais até design gráfico.
“Sou autodidata. Sempre desenhei, pintei e tive grande curiosidade por diversas técnicas que envolvessem arte. Ao longo da carreira tive grandes professores em workshops e cursos curtos. Aprendi a formatar revistas, banners, outdoors e pintar murais em paredes, tudo sozinha, conforme a necessidade surgiu. Um curso de Design teria sido de muita ajuda nessas horas”, comenta.
Segundo a artista, um dos maiores desafios de quem escolhe viver da arte é acreditar no próprio potencial e persistir diante das dificuldades naturais do processo criativo.

Foto: Arquivo Pessoal
“O desafio maior de todo artista é apostar em si mesmo, acreditar que, depois de um considerável montante de tempo, dedicação, estudo e investimento em materiais, vai conseguir chegar a um resultado satisfatório. Todo artista, quando começa, não consegue realizar aquilo que tem em mente. Leva muito tempo de estudo para conseguir pintar algo próximo do que se deseja. A frustração pode fazer você acreditar que não é bom naquilo, mas o bom resultado exige muito esforço e perseverança”, destaca.
Animais como inspiração
Entre os diversos trabalhos que produz, Daniela encontrou nos animais uma fonte inesgotável de inspiração. Cães, gatos e cavalos fazem parte das obras que mais despertam sua sensibilidade.
“Outro segredo de um bom artista é trabalhar com aquilo que faz seus olhos brilharem e o coração bater mais forte. Os animais despertam o que há de melhor em mim. Adoro pintar cães e gatos, mas os cavalos também são uma grande paixão”, diz.
Cada retrato é construído a partir da convivência e das histórias compartilhadas pelos tutores. Mais do que reproduzir uma fotografia, Daniela procura traduzir a personalidade de cada animal.
“Saber das histórias, da personalidade e da relação com os humanos ajuda muito a trazer veracidade para o retrato. Eu adoro escutar sobre as manias e peculiaridades de cada um. Isso faz parte do processo”, explica.
Nas pinturas, a artista utiliza aquarelas profissionais, papéis 100% algodão e pincéis específicos para cada tipo de pelagem. Os animais de pelo branco estão entre os mais desafiadores.

Foto: Arquivo Pessoal
“Os animais de pelo branco exigem muita habilidade de nuances entre sombras quentes e frias. Sempre que tenho tempo livre, estou praticando pelagens brancas, seja de cães, gatos ou cavalos. Cada textura pede uma técnica diferente. Em um Spitz, por exemplo, utilizo a técnica wet on wet, com o papel molhado, para criar aquele aspecto fofo e suave”, detalha.
Arte que eterniza memórias
Muitos dos retratos encomendados são homenagens a animais que já morreram. Daniela afirma que cerca de metade dos pedidos chegam de pessoas que desejam preservar a memória de um companheiro de quatro patas.
“Sou uma pessoa muito empática e me coloco no lugar de quem me procura com o coração partido por uma perda tão valiosa. Procuro transformar essa tristeza em um sentimento maior de amor e respeito por tudo aquilo que essa pessoa teve a sorte de viver ao lado do animal”, relata.
Uma das histórias que mais a marcaram aconteceu dentro da própria família, quando decidiu presentear a cunhada com o retrato de Zed, uma labradora que havia partido cerca de dez anos antes.
“Eu não esperava que despertasse tantas emoções. A família inteira que estava presente caiu no choro e se abraçou. Foi muito emocionante. Recebo muitos vídeos das pessoas recebendo as pinturas, e geralmente elas choram de emoção. É algo muito bonito de presenciar”, conta.
Entre as conquistas mais marcantes da carreira, Daniela destaca o período em que trabalhou na Dinamarca produzindo o quadro anual dos músicos da Orquestra Real, experiência que a levou a passar um mês na Ópera Real de Copenhague.
“Foi bastante surreal. Passei um mês trabalhando na Ópera Real em Copenhagen, entre músicos, bailarinos e cantores do mundo inteiro. É uma experiência que guardo com muito carinho”, lembra.
Apesar dos trabalhos desenvolvidos para grandes marcas e projetos internacionais, Daniela revela que são justamente os retratos de animais aqueles que mais a emocionam.
“Eu trabalho criando imagens para muitas coisas diferentes, como estampas para roupas, capas de livros e discos, pôsteres para concertos e papéis de parede, mas com certeza os retratos de animais são os que mais deixam o meu coração quentinho, justamente pela intensa resposta emocional. Me sinto extremamente honrada por trabalhar com algo que evoca sentimentos tão bonitos nas pessoas”, conclui.