Segurança

Cinco horas de terror

Assaltantes invadem residência em Testo Rega e fazem casal de refém

1 de junho de 2015

Reféns do terrorismo
A vítima temeu pela vida quando um dos assaltantes que invadiu sua casa, colocou o revólver em sua testa e exigiu dinheiro, de modo bastante agressivo. Em negativa ao pedido, o bandido apertou o gatilho. Nesse momento a vítima teve a certeza de sua morte, mas não houve disparo, a arma estava descarregada. Essa foi apenas uma amostra do que aconteceu na última quinta-feira, 26 de junho, com um casal morador da região de Testo Rega.

O casal estava em sua residência quando, por volta das 19h, foi rendido por três assaltantes. A esposa, de 58 anos, ouviu um barulho no fundo da casa e, ao sair para a área do quintal, foi surpreendida pelos homens. Neste momento ela gritou e o marido correu para saber o que havia acontecido, mas também acabou rendido. Ambos foram amarrados com fita adesiva. Os criminosos sabiam muito bem o que faziam, pois imobilizaram as pernas, braços e mãos, além de amordaçar as vítimas.

Levaram o casal para um dos quarto e saíram em busca de dinheiro e coisas de valor. A casa foi totalmente revirada e não encontraram o que buscavam. Então o pesadelo começou.

Falavam de morte o tempo todo e faziam todo tipo de terrorismo. Em um momento a esposa foi ameaçada de estupro, em outro ameaçaram atear álcool e fogo em seu corpo. Com o marido, a promessa foi de jogá-lo amarrado na piscina da casa, de modo a afoga-lo. Ora colocavam capuz no rosto do casal, ora tiravam. A esposa, que sofre de problemas respiratórios, chegou a ficar com as mãos e a face roxas de tão apertadas que estavam as amarras.

Completamente embriagados, os assaltantes reviraram toda a casa. Nenhum espaço ficou intacto. Praticamente todas as garrafas com bebidas alcóolicas que havia na local, foram consumidas. E quando perceberam que de fato não havia dinheiro, ligaram para um suposto mandante que veio imediatamente para tomar providências. E o pesadelo continuou.

Os homens então arrastaram o marido ao banheiro, o jogaram em cima do vaso sanitário, e após darem um tapa em seu rosto, e colocarem a arma em seu joelho falaram, novamente de modo bastante agressivo. Quer ver o que vai acontecer?, referindo-se ao tiro que ameaçavam dar.

Os criminosos não estavam nem um pouco intimidados. Diziam que conheciam todos em Pomerode, mas que não eram da região. E de fato conheciam a família que estavam roubando. Eles falavam que esse era o trabalho deles, explica o dono da casa. Falavam em alto e bom som que não temiam a polícia, tanto que, com exceção do líder, nenhum deles estava mascarado. Mostraram o rosto sem pudor algum.

O terror durou até quase meia noite. Foram cinco horas de medo e incertezas. Os bandidos roubaram todo tipo de objeto que puderam carregar. Desde eletrônicos, a roupas, lembranças e comida. Até o sabonete eles levaram, disse a dona da casa, com expressão de desgosto, enquanto arrumava a bagunça. O prejuízo, segundo os proprietários da casa ficou em torno de R$20 mil. Colocaram tudo dentro de dois carros da família e foram embora do local.

 

Ação policial – O casal foi deixado amarrado na casa e a polícia só foi acionada quando conseguiram se libertar e pedir socorro a um vizinho. A polícia, então alertou os municípios próximos e iniciou-se a caçada. Um dos carros foi encontrado abandonado na Hermann Weege, próximo à ponte Ramthun. Os bandidos danificaram uma das rodas do veículo e foram pedir auxílio para trocar o pneu a um dos moradores, que por sua vez desconfiou e avisou as autoridades. Mais tarde o outro veículo foi localizado pela polícia em Indaial, com quatro homens dentro. Houve troca de tiros, mas os fugitivos adentraram em um matagal e acabaram escapando. Um deles já foi identificado.

 

Pomerode sem segurança – Embora as vítimas estejam satisfeitas com a pró-atividade da polícia pomerodense, e a rápida recuperação dos veículos alertam que falta segurança na cidade. Ficamos realmente impressionados com a atenção prestada pela polícia que ficou o tempo todo ao nosso lado. Quando fomos recuperar um dos carros, havia pelo menos 15 policiais envolvidos no caso. Acredito na boa vontade da polícia de Pomerode e tenho muito a agradecer pelo serviço prestado na noite do crime, mas é preciso que haja a contrapartida do governo para que a segurança funcione, desabafa a vítima.

Essa foi a quinta vez que a residência foi atacada por criminosos. Em 2011 a família conseguiu uma audiência pública para trazer mais policiais à cidade, mas até agora não perceberam melhoras reais e o susto de ontem comprova isso. A família agora cobra a prefeitura da cidade a tomar iniciativas mais efetivas.

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