60 anos de amor: um legado de união e cumplicidade
Raul e Elrita Duwe celebram Bodas de Diamante e falam sobre a gratidão pela vida que construíram juntos
Foto: Wilson Selke
O casal que tem a chance de celebrar as Bodas de Diamante, com 60 anos de união, merece comemorar e ser enaltecido pela história construída. Raul e Elrita Duwe completaram 60 anos de casamento em 16 de janeiro e festejaram as suas Bodas de Diamante junto a familiares e amigos, no Clube 25 de Julho, em Testo Rega.
A história de amor e companheirismo começou em 1963, quando Elrita e Raul se conheceram. “A Elrita foi trabalhar em Blumenau, como empregada doméstica na casa do Sr. Willy Siewert, que tinha uma loja grande, na época. Eu morava no bairro Ponta Aguda, em Blumenau, com a minha mãe e foi em um baile de aniversário dela que nos encontramos pela primeira vez. A Elrita foi à festa com uma amiga que trabalhava junto com ela, e ali começamos a ter contato”, relembra Raul.
Na festa de aniversário, os dois dançaram pela primeira vez e assim começou a relação. “Quando começou a música, nós dançamos e assim foi indo”, conta Elrita.
Neste mesmo ano, os dois começaram o namoro e logo depois veio o noivado. O casamento foi depois de cerca de um ano de relacionamento, em 16 de janeiro de 1965. Elrita morava em Pomerode e, após o casamento, os dois vieram morar na cidade.
Na mudança para Pomerode, começava uma nova vida para o casal e o primeiro desafio, segundo Raul, era conseguir um bom emprego. “Na época era difícil conseguir um trabalho, pois só havia duas empresas, praticamente, a Porcelana Schmidt e a Indústria e Comércio Weege. Então eu trabalhava na casa dos vizinhos e depois na oficina de um vizinho. Após um ano e meio morando aqui, consegui o emprego na Porcelana Schmidt”, comenta Raul.
Na fábrica de porcelanas, o aposentado trabalhou por cerca de nove, 10 anos. Depois, Raul foi trabalhar na Goede & Lang, onde ficou por 38 anos, até a aposentadoria.
Já Elrita começou a trabalhar na fábrica da Malwee, quando a empresa veio para Pomerode com uma filial. “No início, eu ia para Jaraguá do Sul todos os dias, de ônibus, para aprender como deveria ser o serviço, e depois continuei trabalhando na Malwee aqui”, afirma Elrita.
Segundo Elrita e Raul, a vida que construíram juntos, ao longo de seis décadas de união foi de muito trabalho, de luta e esforço para conquistarem seus sonhos e desejos juntos. Unidos, conseguiram construir a primeira casa, ainda de madeira, e em 1997 começaram a construir a casa de alvenaria que até hoje é o lar do casal.

Raul e Elrita, acompanhados dos filhos.(Foto: Wilson Selke)
Além do emprego na Goede & Lang, Raul também tinha como ocupação ser árbitro de futebol, atuando pela Liga Blumenauense de Futebol (LBF) e também pela Federação Catarinense de Futebol (FCF), da qual fez parte do quadro de árbitros por cerca de 10 anos.
“Nesse tempo eu praticamente não ficava em casa, pois trabalhava durante a semana e sábado e domingo como árbitro. Na época havia mais de 20 clubes, então sempre havia jogos. Depois disso parei quando tinha 45 anos, e então comecei a jogar bolão, começando no Belz (Alto Rio do Testo) e na sequência meus filhos também já começaram a joga bolão”, comenta Raul.
Hoje, o aposentado pratica o esporte no Clube 25 de Julho, em Pomerode, e também no Clube Tirolez, em Blumenau. A parceria entre o casal sempre foi tão forte, que mesmo no bolão Elrita estava junto do marido, já que também praticava o esporte. “Eu jogava também o bolão e íamos juntos para a cancha. Depois precisei fazer uma cirurgia nos joelhos e não consegui mais jogar, só que nem por isso deixei de acompanhar o Raul. Sempre estou com ele no clube, fazendo companhia”, garante Elrita.
Além da companhia da esposa, segundo Raul, o bolão proporciona amizades que seguem firmes e proporcionam momentos de lazer. “Fizemos muitos amigos graças ao bolão e também fazemos parte do grupo da Terceira Idade e, antes de a Elrita fazer a operação no joelho, dançávamos muito. Sempre participamos dos eventos, no café, e buscamos estar junto com nossos amigos, pois faz muito bem ter esta companhia”, destaca Raul.
De acordo com o aposentado, quando pensa em sua esposa, as características de que mais admira nela são a lealdade e a compreensão. “Eu gosto de tudo nele, a forma como sempre está comigo, independente da situação, como é parceiro em todas as horas”, completa Elrita.
União também é palavra que descreve a relação com a família inteira. Raul e Elrita tiveram cinco filhos, Ingelore, Roberto, Cristiane ,Claudio e Tatiana (em memória) ; e cinco netos, Carla, Johann, Bruna, Aline e Esther.
Sempre que é possível, a família se reúne, seja em almoços, em aniversários, ou em visitas frequentes de um a casa do outro. Ao fim de cada ano, um dos filhos é responsável por receber a família para as confraternizações, mantendo assim a união e os laços entre todos, compartilhando memórias inestimáveis com pessoas queridas.

O casal com os netos, na celebração das Bodas de Diamante. (Foto: Wilson Selke)
“Somos muito gratos, principalmente a Deus, por estarmos todos reunidos e por sempre estarmos aqui para nos ajudarmos. O sentimento em ver toda a nossa família bem é de muita gratidão”, comentam Elrita e Raul.
Os filhos, por sua vez, comentam sobre a alegria em poderem vivenciar com os pais este momento tão especial, que é a celebração das Bodas de Diamante. “Só temos a agradecer a Deus por termos nossos pais ainda conosco, juntos, com saúde. É maravilhoso vê-los sempre um ao lado do outro, sendo parceiros para todas as horas”, afirmam.
Ao conversarmos com um casal que possui uma relação tão longeva e ainda tão leve, não poderíamos deixar de perguntar: qual o segredo para uma união tão longa e tão boa de ser vivida?
“O apoio incondicional e a parceria em todos os momentos, isso é o principal. Um casamento é cumplicidade, amor, é gratidão um com o outro, é parceria. Se tiver essas coisas, será uma relação para a vida, como é a nossa”, finalizam.
