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A emoção do “sim”, de uma forma diferente

Casal realiza cerimônia civil no campo, em meio aos cuidados necessários devido à pandemia

92b6bfb8902030900ae747045d79ee3c.jpg Foto: Divulgação

Assim como diversos outros eventos, a realização dos casamentos foi suspensa em todo o Estado, uma vez que aglomerações estão proibidas para evitar a disseminação do novo coronavírus. Mesmo assim, diversos casais encontraram formas de oficializar a união, com o casamento civil, de forma a eternizar este momento.

 

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Foi o caso de Daniele Büttgen e Guilherme Augusto Raduenz, que realizaram a cerimônia em um local aberto, seguindo as regras de segurança e distanciamento social, com a presença das pessoas especiais na vida de ambos. 

“Nosso noivado foi curto, noivamos no início deste ano em março, mas tínhamos o desejo de nos casar, até porque já moramos juntos. Porém, ficamos na incerteza do casamento poder acontecer devido a todas mudanças que sofremos, mas conseguimos nos informar junto ao cartório e agendar uma data. Já sabíamos que não teríamos um casamento ‘normal’, mas para nós o mais importante era a nossa união mesmo que não desse pra ter todas pessoas queridas”, comenta Daniele. 

 

 

Segundo ela, muitos casais, inclusive amigos, precisaram cancelar ou adiar a data. Alguns optaram também por adiar o casamento religioso e realizar agora só o civil. Como o casamento religioso não poderia acontecer, Daniele e Guilherme tinham apenas a opção do casamento civil, esta que poderia acontecer normalmente no cartório, porém com restrição de apenas os noivos, mais duas testemunhas dentro do cartório. 

“Desta forma, nossos pais e demais familiares não poderiam participar. Então optamos por fazer uma cerimônia fora do cartório em um local mais aberto, onde pudéssemos trazer com mais segurança essas pessoas tão especiais. Para muitos a ideia de casamento é na igreja e festa com centenas de convidados, mas mesmo com as limitações que enfrentamos, conseguimos realizar um casamento do jeito que sonhamos, ao ar livre debaixo de um pé de nozes, no sítio da minha oma, onde brinquei muito na minha infância”, relata. 

Os noivos buscaram, então, informações com a Prefeitura e conseguiram realizar a cerimônia civil com 25 pessoas envolvidas, incluindo noivos, Juiz de Paz, oficial do cartório, e seguindo medidas de segurança, como distanciamento, uso de máscaras, higienização. “Infelizmente não pudemos trazer muitas das pessoas que gostaríamos, em tempos normais gostaríamos de ter naquele momento primos, familiares mais distantes e outros amigos. Mas tivemos a alegria de poder ter conosco as pessoas de maior significado em nossas vidas que são nossos pais, avós, testemunhas e também os tios”, conta.

O casal também optou por transmitir a cerimônia ao vivo pelas redes sociais, para que outras pessoas pudessem acompanhar. “Familiares que moram longe até estiveram presentes virtualmente. Penso que a tecnologia cada vez nos aproxima mais, por isso acredito até que essa transmissão ao vivo possibilitou que muitas pessoas, que se tivessem sido convidadas (em tempos normais) talvez nem poderiam estar presentes fisicamente e dessa forma conseguiram fazer parte desse momento”, enaltece Daniele.

 

A noiva comenta que a grande maioria dos convidados ficou muito feliz e satisfeita com a forma que o casamento ocorreu. Muitos amigos e familiares participaram da cerimônia pela transmissão ao vivo e o feedback foi muito bom, segundo Daniele. Ainda, de primeira, quando conversaram sobre o casamento, alguns estranharam o casamento no sítio, principalmente os avós por acreditarem que o casamento deve ser na igreja. Mas depois todos entenderam que não havia esta opção e que o que é importante para Daniele e Guilherme era a oficialização da vida conjugal.

“Para nós foi uma situação totalmente nova, tanto no sentido de ser a primeira vez planejando um casamento, mas também por ser um casamento em tempos de pandemia. Mas tudo aconteceu perfeitamente. Nos certificamos de que todos os convidados estavam bem, disponibilizamos álcool em gel e também precisamos pedir que todos utilizassem máscaras. Quando cheguei lá fiquei maravilhada com o que vi, exatamente o que um dia sonhei. Debaixo do pé de nozes, uma tenda com mesas para cada família, flores brancas e velas sobre as mesas, o chão simples de serragem. A cerimônia aconteceu com todos convidados sentados em suas mesas e apenas os noivos e testemunhas de pé ao altar de frente para a dona Léa Hoge Hass e o Juiz de Paz Silvio Schroeder que nos casaram. Quem trouxe as nossas alianças foi o nosso cachorro Max! A cerimônia também foi marcada por um poema lindo que o Sr. Silvio trouxe e combinou comigo antes para dar um toque especial. Na hora eu até esqueci que estávamos transmitindo ao vivo, para mim aquele momento foi de um significado muito grande, foi o casamento perfeito”, destaca Daniele.

Após o “sim”, Daniele e Guilherme subiram o pasto e plataram uma muda de Ipê Amarelo para simbolizar o seu amor, que crescerá forte. A cerimônia ser feita de uma forma diferente também foi uma forma de tornar o momento ainda mais parecido com o que Daniele e Guilherme desejavam.

“Algo que foi diferente para mim, mas não pela pandemia, foi o fato de eu já ter perdido meu pai e também meu irmão. Na hora de pensar em como eu entraria para a cerimônia eu me senti um pouco triste por não ter uma figura paterna que me acompanhasse, mas senti a presença deles comigo abençoando aquele dia. Como o casamento todo já não aconteceria como normalmente, então decidimos por não fazer nada de entrada do noivo, testemunhas, pais, noiva. Assim também não corria o risco de eu ou minha mãe nos emocionar nesse momento pela falta desses homens especiais em nossas vidas. Provavelmente esta situação toda inclusive nos permitiu ter uma experiência mais simples e do jeito de nós aproveitamos mais”.

Mesmo assim, o que valeu foi a emoção do início da vida de ambos como um casal, trilhando juntos este novo caminho, para uma vida a dois.

“Nós ficamos muito felizes com o casamento poder ter ocorrido e tão lindo e especial do jeito que foi. Mas claro que ficamos com o sentimento de que gostaríamos de ter a oportunidade de convidar mais pessoas queridas nessa data. Acredito que o meu casamento serviu se inspiração para muitas pessoas que acompanharam. Fugir dos padrões e fazer algo simples muitas vezes é mal visto e também julgado por familiares. Por isso penso que todas mudanças que enfrentamos também nos proporcionaram algo positivo, pois nos reaproximou do simples, da natureza, do real significado. Vi muitos elopment weddings acontecendo ultimamente e vi como a alegria desse momento persistiu e como o momento a dois se tornou ainda mais especial. E no fim das contas, o que mais importa é realmente o amor do casal. Mas vai de cada um saber o que valoriza e como deseja que seja seu grande dia. Espero que todas noivinhas e noivinhos que estão à espera do seu casamento tenham uma experiência tão incrível e marcante quanto nós tivemos”, finaliza Daniele.