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Diabetes: como diagnosticar, controlar e tratar os diferentes tipos da doença

Saiba tudo sobre o diagnóstico da doença

20 de março de 2022

Foto: Envato Elements

No Brasil, 12 milhões de pessoas convivem com diabetes, segundo dados de 2021 compartilhados pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Há, no entanto, diferentes tipos da doença, com sintomas, tratamentos e cuidados próprios.

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A grande maioria (90%) tem o tipo 2, que exige, além de medicações específicas, mudanças nos hábitos de vida. O uso da insulina é mais prevalente nos pacientes com o tipo 1 da doença, que representa entre 5% a 10% dos diagnosticados, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes.

 

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Há quantos tipos de diabetes?

Há diferentes versões da doença, mas as principais e mais prevalentes são duas: o diabetes tipo 1 e o tipo 2.

No tipo 1, as células responsáveis pela produção da insulina no pâncreas são atacadas pelo próprio sistema imunológico, e a produção do hormônio é reduzida ou paralisada. O papel da insulina é ajudar as células a usarem o açúcar (glicose) — que vem dos alimentos consumidos — como fonte de energia. Sem insulina, a glicose em circulação no sangue permanece em níveis altos, prejudicando outros sistemas do corpo.

O problema apresentado pelo tipo 2 é diferente: o pâncreas não deixa de funcionar, mas algumas alterações no organismo prejudicam o trabalho da insulina. Pessoas com hipertensão, colesterol alterado e excesso de gordura abdominal, por exemplo, têm mais risco de desenvolver a chamada resistência à insulina. Se antes o corpo precisava de uma determinada quantidade de hormônio para promover o consumo adequado da glicose pelas células, nos pacientes com resistência insulínica, o organismo passa a exigir uma quantidade bem maior.

Há ainda diabetes gestacional, que é um tipo à parte. Neste caso, a placenta produz o hormônio lactoplacentário, que aumenta o risco da resistência à insulina nesse período. Embora todas as gestantes desenvolvam esse hormônio, o surgimento do diabetes não é regra. Por isso a importância de ser testada pelo menos duas vezes durante o pré-natal: no início do acompanhamento e entre a 24ª e 28ª semana de gestação, quando a placenta já está maior, e produzindo mais o hormônio que poderia induzir à resistência.

 

Como eu sei se tenho o tipo 1 ou 2?

Segundo o bioquímico Rodrigo Rodrigues do Laboratório Sandriini, os sintomas se diferenciam entre os tipos de diabetes, assim como o perfil do paciente. Em geral, o diabético tipo 1 recebe o diagnóstico na infância, adolescência ou mesmo no início da fase adulta. O principal sinal de alerta é o surgimento de sintomas, como rápida perda de peso, apesar de um aumento no apetite, excesso de sede e aumento do volume urinário, além do crescimento nas taxas de açúcar no sangue.

No caso do tipo 2, a prevalência é maior entre adultos e idosos com comorbidades associadas, em especial a síndrome metabólica, que inclui alterações nos níveis de colesterol, hipertensão e o aumento na circunferência abdominal, que favorece a resistência à insulina.

Crianças e adolescentes diagnosticados com o tipo 2 de diabetes chamam atenção para um problema: a obesidade infantil. “Temos uma alimentação mais baseada em ultraprocessados, e há uma menor mobilidade da população. Diagnóstico do tipo 2 em crianças está associado ao perfil metabólico”, explica Rodrigo Rodrigues.

 

Sintomas

Como no tipo 1 o pâncreas está com dificuldade em produzir a insulina, há maior circulação do açúcar na corrente sanguínea, gerando a hiperglicemia. Ao filtrar esse açúcar e mandá-lo para fora do corpo, o volume urinário aumenta e a pessoa tem mais vontade de fazer xixi.

“Ela perde muita água e desidrata. Se tiver uma capacidade física adequada, consegue repor bebendo. Por isso aumenta a ingestão de líquidos, que é outro sintoma. Ela não urina mais porque bebeu mais água, mas bebe porque urinou demais”, explica Rodrigo Rodrigues.

Outro sintoma é o aumento do apetite. Como a glicose que é ingerida não está sendo aproveitada, o paciente permanece com fome apesar de ter se alimentado. Ela come, mas essa glicose não entra na célula para virar energia. É como se estivesse passando fome em meio à fartura. Ao não usar a energia que consome, perde peso.

Também podem ter queixas mais inespecíficas, como fraqueza, indisposição, alteração e turvação visual.

Os mesmos sintomas do tipo 1 podem surgir entre os diabéticos tipo 2 — visto que a hiperglicemia  está presente nesse grupo também. Além de ocorrer mais em adultos e idosos, são pessoas com um conjunto de fatores de risco, chamado de síndrome metabólica:

Alteração no perfil do colesterol;
Risco aumentado de hipertensão;
Aumento da circunferência abdominal;
Níveis alterados de glicemia.

Histórico familiar da doença também deve chamar atenção e, embora a idade seja fator de risco, há cada vez mais diagnósticos do tipo 2 em crianças e adolescentes.

Como se trata de uma doença silenciosa, o rastreamento por exames é a melhor forma de diagnosticar precocemente. “A partir dos 40 anos, todo mundo deveria fazer um exame de glicemia em jejum pelo menos a cada três anos”, destaca o bioquímico Rodrigo Rodrigues.

Diagnóstico do tipo 1 e do tipo 2

Para o diagnóstico de diabetes tipo 1, além dos sinais clínicos, os especialistas solicitam um exame de dosagem da insulina e dos autoanticorpos.
Já para o tipo 2, é solicitada uma análise da glicemia em jejum, feita a partir de um exame de sangue comum. O exame de curva glicêmica é usado principalmente para a confirmação do diagnóstico.

“Para o diagnóstico, é preciso dois exames alterados. Podem ser dois do mesmo tipo, ou de tipos diferentes”, explica o bioquímico.

 

Níveis de referência

Glicemia em jejum:
Menor que 100 mg/dL: normal;
Entre 100 e até 125 mg/dL: alterada, ou possível pré-diabetes;
Acima de 126 mg/dL: potencialmente diabéticos;
Hemoglobina glicada:
Menor que 5,7%: normal;
Entre 5,7% e 6,4%: risco aumentado para diabetes ou pré-diabetes;
Maior ou igual a 6,5%: diabetes para diagnóstico.
Curva glicêmica:
Duas horas após ingerir a solução de glicose:
Menor que 140: normal;
Entre 140 a 199: intolerância à glicose, ou mais um componente para a pré-diabetes;
Igual ou acima de 200: diabetes.

 

Tratamento

Feito o diagnóstico da doença, o paciente deve procurar um médico especialista, endocrinologista, para avaliar qual o melhor tratamento.

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