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“Foi como receber a vida de volta”: bebê sobrevive a 13 paradas cardiorrespiratórias e recebe alta, em Blumenau

Isabelly foi diagnosticada com bronquiolite e rinovírus e passou semanas na UTI Pediátrica; para o pai, Wellington Civiero, cada pequena evolução durante o tratamento representou uma vitória

12 de setembro de 2026

Isabelly com os pais, Wellington e Carolina. (Foto: Arquivo pessoal)

Uma infecção respiratória que começou com sintomas aparentemente comuns se transformou em uma longa e delicada batalha pela vida de Isabelly. A bebê foi diagnosticada com bronquiolite e rinovírus, precisou ser internada, intubada e permaneceu por semanas na UTI Pediátrica do Hospital Santo Antônio, em Blumenau.

Durante o período de internação, Isabelly enfrentou complicações graves, incluindo Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SARA), pneumotórax bilateral e hipertensão pulmonar, além de ter sofrido 13 paradas cardiorrespiratórias.

Foram 53 dias de internação, entre 22 de junho e 13 de agosto de 2026. A maior parte desse período foi vivida na UTI, onde a família acompanhou diariamente uma batalha marcada por medo, incertezas, fé e pequenas conquistas.

Hoje, já em casa e seguindo a recuperação, os pais enxergam a história de Isabelly como um verdadeiro milagre. Em entrevista, o pai, Wellington Civiero, contou detalhes dos momentos mais difíceis e também das vitórias que marcaram a trajetória da filha.

Sintomas respiratórios evoluíram rapidamente

Segundo Wellington, tudo começou com sintomas respiratórios. Isabelly foi diagnosticada com bronquiolite e os exames também identificaram a presença de rinovírus. A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões, e pode ser causada por diferentes vírus. O Ministério da Saúde destaca que, além do VSR, outros agentes, como o rinovírus, também podem desencadear a doença.

No caso de Isabelly, entretanto, a evolução foi muito mais grave do que a família poderia imaginar inicialmente. “Tudo começou com sintomas respiratórios, mas o quadro evoluiu muito rápido. O que inicialmente parecia ser uma situação respiratória que poderia ser tratada acabou se tornando algo extremamente grave”, relata Wellington.

A bebê foi internada no dia 22 de junho, às 9h11. A partir daquele momento, o quadro respiratório se agravou rapidamente e Isabelly precisou ser encaminhada para a UTI Pediátrica, onde foi intubada.

A família conta que os médicos identificaram uma série de complicações decorrentes da evolução grave do quadro. Entre elas estavam a SARA, o pneumotórax bilateral e a hipertensão pulmonar.

A situação exigiu ventilação mecânica, uso de óxido nítrico, medicamentos para auxiliar o coração e a circulação e transfusões. Mas um dos momentos mais dramáticos aconteceu quando Isabelly sofreu 13 paradas cardiorrespiratórias. “Foram momentos em que realmente lutávamos pela vida dela, um dia de cada vez”, lembra o pai.

53 dias entre a UTI e a recuperação

A internação se estendeu por mais de sete semanas. Ao todo, Isabelly permaneceu 53 dias no Hospital Santo Antônio, em Blumenau. A maior parte desse período foi na UTI Pediátrica, justamente na fase em que enfrentou as complicações mais graves.

Depois de deixar a UTI, porém, a batalha ainda não havia terminado. Isabelly continuou internada para acompanhamento, recuperação e adaptação até que finalmente estivesse em condições de receber alta.

O momento chegou no dia 13 de agosto de 2026, às 12h. Para Wellington, o período vivido no hospital foi, sem dúvida, o mais difícil da vida da família. “Foi, sem dúvida, o período mais difícil das nossas vidas. A gente acordava sem saber o que aquele dia traria”, conta.

A cada nova avaliação, o cenário poderia mudar completamente. “Em alguns momentos recebíamos uma notícia boa e, pouco tempo depois, tudo poderia mudar.” Foram noites sem dormir, lágrimas, medo e ansiedade. Mas, em meio à incerteza, a família também encontrou motivos para comemorar.

Pequenas evoluções se transformaram em grandes vitórias

Durante uma internação tão prolongada e delicada, acontecimentos que poderiam parecer simples fora do ambiente hospitalar passaram a representar grandes conquistas para a família. Reduzir uma medicação. Retirar um suporte. Respirar um pouco melhor. Ser extubada. Tomar novamente uma mamadeira. Voltar para o colo dos pais.

“Cada pequena evolução se transformava em uma grande vitória: diminuir uma medicação, retirar um suporte, conseguir respirar melhor, ser extubada, tomar novamente uma mamadeira e voltar para o nosso colo”, relata Wellington.

A experiência fez a família mudar completamente a percepção sobre as pequenas coisas do cotidiano. “Aprendemos a comemorar coisas que antes poderiam parecer simples, porque ali entendemos o verdadeiro valor de cada pequeno avanço”, afirma.

Pais viveram medo de perder a filha

Para Wellington e a mãe de Isabelly, Carolina Silva Vieira, acompanhar a filha tão pequena em uma UTI foi uma experiência extremamente dolorosa. Como pai e mãe, o desejo natural é proteger o filho. Dentro de uma UTI, entretanto, existem momentos em que os pais precisam confiar na equipe médica e acompanhar, da maneira possível, os procedimentos necessários.

“Como pai e mãe, nosso instinto é proteger nosso filho de tudo, mas dentro de uma UTI existem momentos em que você percebe que não consegue fazer nada além de estar presente, confiar nos profissionais e acreditar”, desabafa Wellington.

Assistir à filha enfrentando uma situação tão grave foi desesperador. Mesmo diante desse medo, os pais procuravam permanecer fortes.

Fé foi um dos pilares durante a internação

Em meio às incertezas, a fé também se tornou uma importante fonte de força para a família. Wellington conta que, quando humanamente parecia não haver mais o que fazer, eles recorriam às orações. “Nossa fé também teve um papel fundamental. Quando humanamente parecia que não tínhamos mais o que fazer, nós rezávamos.”

A família pedia pela recuperação da filha e contou também com uma grande corrente de orações formada por pessoas próximas e até desconhecidos. “Pedíamos a Deus, a Nossa Senhora e contávamos com as orações de muitas pessoas.”

Corrente de orações acompanhou Isabelly

Enquanto a família permanecia dentro do hospital acompanhando a luta de Isabelly, uma rede de apoio se formava do lado de fora. Mensagens, orações, velas, missas e pedidos pela recuperação da bebê chegaram de diferentes pessoas.

Segundo Wellington, muitas dessas pessoas sequer eram conhecidas pessoalmente pela família. “Foi emocionante e algo que nunca vamos esquecer. Recebemos mensagens e orações de pessoas próximas e também de pessoas que nem conhecíamos pessoalmente. Saber que existia tanta gente colocando o nome da Isabelly em suas orações nos dava força.”

Enquanto os pais viviam a batalha dentro do hospital, havia uma corrente de apoio acontecendo do lado de fora. Por isso, Wellington faz questão de agradecer a cada pessoa que participou dessa corrente.

Foto: Arquivo pessoal

 

“Somos profundamente gratos a cada pessoa que rezou, mandou uma mensagem, acendeu uma vela, colocou o nome dela em uma missa ou simplesmente parou alguns minutos do seu dia para pedir pela vida da nossa filha.”

Voltar a segurar Isabelly no colo foi como receber a vida de volta

Entre todos os momentos vividos durante a recuperação, um dos mais marcantes para os pais foi poder segurar Isabelly novamente no colo.

Depois de semanas vendo a filha intubada, cercada por aparelhos, medicamentos e profissionais de saúde, o simples ato de tê-la novamente nos braços ganhou um significado completamente diferente.

“Pegar a Isabelly novamente no colo depois de tudo o que aconteceu é uma sensação impossível de explicar completamente”, conta Wellington.

Para ele, aquele momento representou uma espécie de reencontro com a filha depois de uma batalha que parecia interminável. “Depois de vê-la intubada, cercada por aparelhos, medicamentos e profissionais lutando pela vida dela, poder sentir nossa filha novamente nos braços foi como receber a vida de volta.”

Alta hospitalar marcou um dos dias mais felizes da família

Depois de 53 dias de internação, chegou o momento pelo qual os pais esperavam desde o início: deixar o hospital. A alta ocorreu em 13 de agosto de 2026, às 12h.

Para Wellington, sair do Hospital Santo Antônio com Isabelly nos braços não significava apenas encerrar uma internação. Era o retorno para casa depois de uma experiência que mudou completamente a família.

“A alta foi um dos dias mais felizes das nossas vidas. Não estávamos simplesmente voltando para casa. Estávamos levando para casa uma filha que tinha enfrentado uma batalha gigantesca. Depois de tudo o que vimos, cada sorriso dela, cada mamadeira, cada noite em casa e cada evolução passaram a ter outro valor.”

Família evita apontar uma única causa para a gravidade do quadro

Durante o período de tratamento, Isabelly foi diagnosticada com bronquiolite e teve exames positivos para rinovírus.

A família ressalta, porém, que prefere não atribuir toda a gravidade do quadro a uma única causa. A bronquiolite corresponde à inflamação das pequenas vias respiratórias dos pulmões e pode estar associada a diferentes vírus respiratórios. O rinovírus, por sua vez, é um dos vírus que podem estar envolvidos em infecções respiratórias e também podem ser identificados em casos de bronquiolite.

No caso de Isabelly, a partir do quadro respiratório houve uma evolução muito severa, com comprometimento pulmonar e outras complicações.

Por isso, Wellington reforça que a família não busca apontar um único fator como responsável por tudo o que aconteceu, mas contar a história da filha e alertar para a importância de observar atentamente os sinais apresentados por bebês e crianças pequenas.

Wellington alerta outros pais para sinais respiratórios

Depois de tudo o que viveu, Wellington deixa uma mensagem de atenção para outros pais. A principal orientação é não subestimar alterações respiratórias em bebês e crianças pequenas.

Ele recomenda que os pais observem especialmente a respiração, a alimentação e o comportamento da criança. Caso percebam dificuldade para respirar, piora importante, muita sonolência, dificuldade para mamar ou qualquer situação que cause preocupação, a orientação é procurar atendimento médico.

O Ministério da Saúde também orienta que bebês com dificuldade para respirar ou respiração muito rápida, sonolência excessiva, lábios ou extremidades arroxeados, pausas respiratórias ou dificuldade para se alimentar sejam avaliados rapidamente.

A prevenção também passa por medidas como higiene das mãos, evitar contato próximo com pessoas que apresentam sintomas respiratórios, evitar aglomerações e manter os ambientes ventilados.

Para quem está na UTI, mensagem é viver um dia de cada vez

A experiência também fez Wellington pensar em outras famílias que, neste momento, podem estar vivendo uma situação semelhante.

Para esses pais, a mensagem é de que a internação em uma UTI é marcada por altos e baixos. “Nossa mensagem é para que tentem viver um dia de cada vez. A UTI é uma montanha-russa. Existem dias bons e dias extremamente difíceis.”

Por isso, recomenda confiar na equipe médica, buscar informações, fazer perguntas e permanecer presente.

“Confiem na equipe médica, façam perguntas, estejam presentes e procurem apoio nas pessoas que amam. E, para quem tem fé, agarre-se a ela. Para nós, a fé foi essencial para atravessarmos tudo isso.”

Gratidão aos profissionais que cuidaram de Isabelly

Ao lembrar dos 53 dias de internação, Wellington afirma que a família jamais conseguirá esquecer tudo o que Isabelly enfrentou. Mas, junto com as lembranças dos momentos difíceis, também permanecem os agradecimentos às pessoas que participaram da recuperação da bebê.

A família faz questão de reconhecer o trabalho dos profissionais que acompanharam Isabelly ao longo da internação.

Foto: Arquivo pessoal

 

“Também jamais esqueceremos as pessoas que fizeram parte dessa história: médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas e todos os profissionais que cuidaram dela e também acolheram nossa família.”

Para os pais, cada profissional passou a fazer parte da história de recuperação da filha.

“Hoje, quando olhamos para a Isabelly sorrindo, evoluindo e seguindo sua recuperação, enxergamos muito mais do que aquilo que vivemos no hospital. Para nós, enxergamos um milagre. Aprendemos que aquilo que parece pequeno pode ser gigantesco: um sorriso, um colo, uma mamadeira, uma noite em casa com nossa filha.”

Depois de tudo o que passaram, Wellington resume o sentimento da família em uma palavra: gratidão.

“Depois de tudo o que passamos, só conseguimos agradecer. Deus é bom demais. A Isabelly é a maior prova disso para nós.”

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