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Fibromialgia: entenda os sintomas e os desafios da doença

Apesar de não ser uma doença que mata ou causa deformidades, a fibromialgia pode afetar profundamente o cotidiano

29 de julho de 2026

Foto: Imagem Ilustrativa/Envato Elements

Dor pelo corpo todo, sensação constante de cansaço, noites mal dormidas e dificuldade de concentração. Esses são alguns dos sintomas enfrentados por pessoas com fibromialgia, uma condição que, apesar de não causar deformidades ou lesões nos tecidos, pode ter um impacto profundo na qualidade de vida. Segundo o reumatologista Dr. Augusto Kienen, a síndrome é uma desordem caracterizada por dor generalizada, distúrbios do sono e fadiga intensa, frequentemente acompanhada por alterações de humor.

“A fibromialgia não causa danos às estruturas do corpo, mas os sintomas persistentes podem comprometer muito a vida do paciente”, explica.

Entre os sintomas mais comuns estão dores constantes em diversas partes do corpo, sensação de sono não reparador e um cansaço desproporcional ao esforço físico ou mental realizado. Muitos pacientes também relatam dificuldade de concentração e raciocínio, quadro conhecido como “fibrofog” ou “névoa cerebral”.

“O paciente costuma dizer que está com o cérebro em uma névoa ou dentro de um vidro de conserva”, descreve o especialista.

Não é uma doença autoimune

Apesar de alguns estudos apontarem a presença de proteínas inflamatórias em determinadas regiões do cérebro, não existem evidências científicas que permitam classificar a fibromialgia como uma doença inflamatória ou autoimune.

“Até o momento, nenhum tratamento utilizado em doenças autoimunes demonstrou eficácia para aliviar os sintomas da fibromialgia”, afirma Kienen.

A síndrome acomete principalmente mulheres entre 40 e 60 anos, mas pode surgir em qualquer idade, inclusive na infância. Entre os fatores frequentemente associados ao desenvolvimento da doença estão predisposição genética, estresse intenso, traumas psicológicos, transtornos de humor e histórico de abuso físico ou emocional.

Diagnóstico pode ser desafiador

De acordo com o reumatologista, um dos principais desafios é o diagnóstico. Os sintomas podem se confundir com tendinites, bursites e até com outras doenças reumatológicas e infecciosas.

“Muitas vezes, pacientes e até profissionais acabam atribuindo todos os sintomas a alterações encontradas em exames de imagem, como bursites ou tendinites, mesmo quando esses achados não explicam a intensidade das dores”, destaca.

A fibromialgia também pode coexistir com doenças autoimunes, como artrite reumatoide e artrite psoriásica, tornando mais complexa a avaliação da evolução dos sintomas.

Exercícios são os maiores aliados

Embora ainda não exista cura, é possível controlar os sintomas e recuperar a qualidade de vida. Segundo Dr. Augusto Kienen, nenhuma medicação mostrou resultados superiores à prática regular de exercícios físicos.

“Nenhum tratamento testado supera a atividade física regular, moderada, de aproximadamente 150 minutos por semana, preferencialmente exercícios aeróbicos”, afirma.

Além dos exercícios, o controle do estresse é considerado fundamental. “Na fibromialgia, estresse é igual a dor”, resume.

Medicamentos como duloxetina, pregabalina e amitriptilina também podem ser utilizados, além de medicações de resgate em momentos de piora, sempre sob orientação médica.

Impacto vai além da dor

Apesar de não ser uma doença que mata ou causa deformidades, a fibromialgia pode afetar profundamente o cotidiano. O cansaço constante dificulta tarefas simples e compromete a disposição, o humor e a percepção geral de saúde.

Outro desafio enfrentado pelos pacientes é a falta de compreensão por parte das pessoas ao redor. Como a síndrome não provoca alterações físicas visíveis, muitos convivem com comentários que colocam em dúvida a existência dos sintomas.

“É muito comum ouvir relatos de pacientes que tiveram suas dores invalidadas, inclusive por familiares. Há quem sugira que se trata de preguiça ou busca por atenção, mas a fibromialgia é uma desordem neurológica real”, ressalta o médico.

Estresse pode agravar os sintomas

Segundo Kienen, a dor não é psicológica, mas fatores emocionais podem desencadear ou intensificar as crises.
“Luto, problemas familiares, estresse no trabalho e outras situações de tensão podem piorar as dores, mas elas possuem uma causa neurológica definida”, explica.

Quando procurar ajuda

Dores persistentes pelo corpo inteiro, sensação constante de estar gripado ou “como se tivesse apanhado”, sono não reparador e fadiga intensa devem servir como sinais de alerta.

“Se esses sintomas surgirem e persistirem, é importante procurar atendimento médico para confirmar o diagnóstico e excluir outras doenças que podem estar associadas ou agravando o quadro”, orienta o reumatologista.

Para o especialista, embora a fibromialgia ainda não tenha cura, o tratamento adequado e a adoção de hábitos saudáveis permitem que muitos pacientes recuperem a qualidade de vida e, em alguns casos, consigam ficar completamente sem dor.

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