Vincenz Weh: o legado musical e cultural em Pomerode
Músico dá nome ao coreto da Praça Jorge Lacerda
Foto: Isadora Brehmer / JP
Pomerode tem um marco que ressoa até os dias de hoje. O coreto da Praça Jorge Lacerda, um local onde tantas gerações passaram momentos de lazer e convivência, carrega o nome de um homem que dedicou sua vida à música e ao desenvolvimento cultural da cidade: Vincenz Weh.
Segundo uma pesquisa de Roseli Zimmer e Luís Germano Harmel, Weh é nascido em 11 de junho de 1907, em Leipferdigen, na Alemanha, Weh e teve uma vida marcada tanto por desafios pessoais quanto pela busca incansável pela arte. Com a saúde fragilizada pela asma, ele decidiu deixar sua terra natal, movido pela esperança de encontrar um ambiente mais saudável. Assim, em 1933, ele desembarcou no Brasil, iniciando uma nova trajetória que o levaria, anos depois, a se tornar um dos maiores nomes da cultura pomerodense.
A vinda de Vincenz para o Brasil não foi apenas uma mudança geográfica, mas uma transformação profunda em sua vida. Após desembarcar em São Francisco do Sul, o alemão encontrou em Santa Catarina um novo lar e, aos poucos, reconstruiu sua carreira. Embora tivesse começado sua jornada como professor em escolas particulares de cidades como Porto União, Presidente Getúlio e Benedito Novo, sua paixão pela música sempre esteve presente. Ao lado de músicos como Emil, Alfred e Willy Morsch, Vincenz fez história no jazz e nas festas regionais.
Mas foi em Pomerode, no Rio do Testo, onde ele se estabelecerá definitivamente e onde sua história musical ganharia outra dimensão. Em 1954, junto de Hans Roedel, fundou o Círculo Juvenil de Pomerode, um projeto que acolheu e formou gerações de jovens em atividades culturais e musicais. Através dessa iniciativa, muitos descobriram o amor pela música, como o Grupo de Bandolins, a Banda Lyra de Pomerode, e outras manifestações culturais que marcaram a cidade por décadas.
O Círculo Juvenil tornou-se um ponto de referência para os jovens da cidade, oferecendo um espaço de aprendizado musical, convivência e expressão cultural. “Ele foi um expoente na vida cultural de Pomerode”, diz Edalina Weh, nora de Vincenz. “Meu sogro era uma pessoa muito boa, eu me lembro com muito carinho dele, era um pai pra mim”, complementa, lembrando do amor que ele tinha com todos ao seu redor.
A Banda Lyra, criada com a colaboração entre comerciantes, industriais e a comunidade de Pomerode, foi uma das grandes realizações de Vincenz. Ela não só representava o talento dos jovens da cidade, mas também o amor do próprio Vincenz pela música, que era sua verdadeira paixão. “A vida dele era música, ele se doava sem reservas à arte, sem exigir pagamento pelos seus ensinamentos, apenas a satisfação de ver seus alunos e a cultura local florescerem”, afirma Edalina.

Foto: Isadora Brehmer / JP
A dedicação de Vincenz à música e à educação nunca foi uma busca por reconhecimento ou fama. Pelo contrário, ele cultivava o seu amor pela música e pela cultura local de forma discreta e generosa, incentivando a todos a se expressarem através das artes. A presença do Círculo Juvenil em Pomerode proporcionou aos jovens da década de 1950 e 1960 uma oportunidade de se aproximar de diversas manifestações culturais, como teatro, danças folclóricas, ginástica e, claro, música.
Os instrumentos adquiridos para os grupos musicais, como os bandolins e violões, eram frutos de parcerias entre pais, jovens e a própria dedicação de Vincenz. Ele acreditava firmemente no poder da união e na importância da formação cultural para o crescimento das novas gerações. Muitos dos jovens que passaram pelo Círculo Juvenil se tornaram não apenas músicos, mas cidadãos mais engajados e solidários.
“Os laços de amizade criados no Círculo Juvenil ainda permanecem fortes até hoje”, afirma Edalina, refletindo sobre a importância daquele espaço não só para a formação musical, mas também para a construção de uma comunidade unida. Muitos dos casamentos que aconteceram na cidade nos anos seguintes tiveram como ponto de origem o Círculo, algo que reflete a força dos laços criados ali.
O legado imortalizado
O nome de Vincenz Weh permanece imortalizado na cidade de Pomerode, não apenas no coreto da Praça Jorge Lacerda, mas também nos corações de todos que foram tocados pela sua arte e generosidade. Sua dedicação à cultura local e ao desenvolvimento dos jovens deixa um legado que continua a influenciar a cidade, com suas manifestações culturais e com a memória viva de sua história.
Hoje, o Círculo Juvenil e a Banda Lyra são apenas alguns dos reflexos do trabalho incansável de um homem que fez da música sua vida. As exposições e os objetos encontrados, como as fotografias, o símbolo criado por Rosita Junkes e os cadernos de notas escritos por Vincenz, ajudam a manter viva a memória desse grande mestre da música. Seu legado, como ele mesmo dizia, é uma semente que precisa ser cultivada pelas gerações futuras.

Banda Lyra. (Foto: Arquivo pessoal)
“Ele adorava a Banda Lyra, os compositores da banda eram os filhos dele”, lembra Edalina, visivelmente emocionada ao falar do sogro. “Ele gostava de cultivar flores, e acredito que ele deixou em cada um de vocês que o conheceram de perto, uma semente. Cabe a vocês deixá-la germinar, fazê-la crescer e florescer para lançar novas sementes para a juventude de hoje, para assim perpetuar a vida cultural do município de Pomerode.”
Em cada acorde, em cada melodia, o nome de Vincenz Weh ressoa, lembrando-nos de sua paixão pela música e seu compromisso com o desenvolvimento cultural da cidade. Ele plantou a semente da arte em Pomerode, e sua herança continua a florescer até os dias de hoje.
