Vídeo: Na companhia de uma família diferenciada
Família que mora próxima a divisa de Pomerode tem como os xodós, quero-queros que também já se tornaram “moradores” da casa
Quando você escuta falar em quero-queros, logo vem a ideia de uma ave um pouco “nervosa”, principalmente quando se trata de filhotes por perto, já que o animal procura defender a sua cria, quando há um perigo próximo.
Mas, um pouco dessa fama de “brigão” acaba ficando de lado na casa da estudante Beatriz Krüger, que fica localizada próxima à divisa entre Pomerode e Blumenau. Isto porque, uma família de quero-queros está todos os dias na residência, e aproveita para descansar, petiscar e até tomar banho de bacia. O carinho e mansidão das aves é tão grande, que elas vão comer na mão da jovem, sem nenhum tipo de “rebeldia”.
Beatriz conta que o contato próximo dos quero-queros iniciou há cerca de 10 anos. Antes de se mudarem para o local que moram nos dias atuais, os quero-queros já se faziam ali presentes, porém, de geração para geração. Hoje, são cinco aves que frequentam a casa da estudante e de sua família. Todos têm nomes, inclusive.
“Os dois mais velhos, os pais no caso, são a Mili (fêmea) e o Ante (macho), esses nomes vieram de uma brincadeira, pois tínhamos o costume de chamá-los de Meliantes, daí ficou os nomes, A Mili e o Ante. Já os três filhotes são Atos, Portos e Aramis, uma homenagem a obra ‘Os três mosqueteiros’”, comenta.
Esse carinho e tranquilidade dos quero-queros com a família de Beatriz, só foi possível por conta do respeito ao espaço das aves, principalmente na época dos filhotes. Com o passar do tempo, eles foram se aproximando, conforme eles permitiam, e a confiança deles foi crescendo a cada dia. Os últimos filhotes nasceram na última primavera, mais especificamente no mês de novembro.

Beatriz tem como xodós, uma família querida de quero-queros. (Foto: Sido Krüger)
“Essa nova geração de quero-queros se aproximou ainda mais de nós. Meus pais acreditam que essa aproximação de um dos filhotes se deve a um fato que aconteceu quando eram menores. Os mais velhos estavam tentando levar os filhotes para ao terreno ao lado, como naquela época eles ainda não sabiam voar, os mais velhos tinham que levá-los andando. Conseguiram levar um dos filhotes, mas os outros se negaram a ir, então dois dias depois tentaram trazer o outro novamente para nossa casa, só que no meio do caminho ele acabou indo parar no terreno do meu avô, onde tem quatro cães. Por sorte, por ser mais de noitinha, dois estavam presos, detectamos que o menor estava tentando voltar e fomos procurar ele, encontramos ele próximo a um pé de acerola ao lado do nosso portão, tentamos pegá-lo, eu e minha mãe, com medo de que os cachorros o descobrissem antes. Conseguimos trazê-lo novamente para casa, meus pais de início ficaram com receio de que os mais velhos iriam me atacar por estar com um dos filhotes na mão, para a surpresa deles, os mais velhos deixaram que eu me aproximasse e soltasse o filhote bem próximo a eles. Devido a esse fato e contato eles acham que esse filhote é o quero-quero que geralmente vem se alimentar em nossas mãos”, explica.
Há algumas semanas, Beatriz publicou um vídeo em seu Facebook, alimentando os quero-queros no quintal de sua casa. Isso já virou uma rotina para jovem e ela já considera estes momentos com as aves, muito especiais.
Confira o vídeo, abaixo!
“É muito legal, meu pai costuma dizer que eles cuidam melhor da casa do que um cachorro, eles sempre avisam quando percebem algo estranho, dependo do som que eles emitem já conseguimos distinguir qual a ameaça da vez. Já desenvolvi um certo apego a eles, posso dizer que o mesmo carinho que dou aos meus cachorros dou a eles também, apesar de não poder fazer um carinho físico, já que preferimos respeitar o espaço deles. Eles são muito amados e tratados com muito amor e carinho. Acho que qualquer ser vivo gosta de ser tratado assim, quando se dá amor e carinho, você recebe o mesmo em troca”, relata.
Beatriz também contou algumas curiosidades sobre a presença ilustre dos amigos quero-queros. Ao entardecer, quando a família coloca as telas nas janelas, para evitar a entrada de mosquitos, eles geralmente estão na varanda e começam a segui-los a procura de comida.

Família de quero-queros descansando no quintal da casa. (Foto: Sido Krüger)
Uma bacia com água foi colocada no jardim. Nos dias mais quentes, eles costumam tomar banho. Já nos dias mais frios, eles costumam se deitar na calçada, geralmente onde pega mais sol, para se aquecerem com o calor da pedra.
“Outro fato interessante é que na primavera eles geralmente montam o ninho em frente a varanda do quarto dos meus pais. Eles já sabem que se um dos gatos da região tenta se aproximar, basta fazerem barulho, que meu pai acorda e espanta o gato, dessa forma acho que eles se sentem mais seguros para montar o ninho ali”, finaliza.
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