Vidas afetadas pelo trânsito
Conheça histórias de pessoas que tiveram a vida completamente mudada, por um instante no trânsito
A cor amarela, comumente, é associada à atenção, ao alerta. E é neste sentido que surgiu a campanha Maio Amarelo, que visa conscientizar a população sobre a responsabilidade no trânsito. Pomerode registra, todos os meses, diversos acidentes de trânsito, vários deles com pessoas feridas e que poderiam ser evitados com mais cuidado no trânsito.
De acordo com os dados do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode, somente em 2021 (até esta quarta-feira, 19, fechamento desta edição), a corporação foi acionada para atender a 135 ocorrências de trânsito. Maior número de ocorrências no trânsito é o de quedas de bicicleta, contabilizando 26 casos deste tipo. Na sequência, aparecem as casos de queda de motocicleta e acidentes entre carro e moto, ambos com 25 ocorrências cada.
Em 2020, durante todo o ano, foram 295 atendimentos, com dois óbitos ocasionados por acidentes de trânsito. Estes óbitos foram registrados após dois atropelamentos, um no Centro e um em Testo Central Alto, sendo as duas vítimas, mulheres. Em 2019, o número de acidentes de trânsito chegou a 291, com o registro de seis óbitos.
Se levarmos em conta os acidentes de trânsito que resultaram apenas em danos materiais, atendidos pela Polícia Militar, foram 25 casos neste ano. A PM também registrou em 2021, 11 ocorrências de condução de veículo automotor sob influência do álcool, destes, cinco resultaram em prisões em flagrante e seis foram apenas autuados na esfera administrativa.
Seja por influência do álcool, imprudência ou apenas um descuido, os acidentes de trânsito podem provocar consequências graves para a vítima do acidente, ou para família dele. E, em Pomerode, são diversas as histórias de vida de pessoas que tiveram suas vidas afetadas por um acidente de trânsito.
Uma delas é a de Gabriel Horney, de 38 anos, que sofreu um acidente de moto em março de 2015. Segundo a versão do condutor do carro, contra o qual Gabriel colidiu, ele teria invadido a contramão, o que ocasionou a colisão. O motociclista afirma que não possui nenhuma lembrança do momento do acidente.
Ele sofreu múltiplas fraturas pelo corpo e traumatismo cranioencefálico, sobrevivendo ao acidente quase por um milagre. Depois, Horney foi internado na UTI e ficou oito dias em coma, mais seis dias na Terapia Intensiva, e 40 dias internado. Mesmo após receber alta, ele continuou recebendo acompanhamento todos os dias, durante mais de um mês.
“Eu passei a fazer fisioterapia, tomar vários medicamentos, na época mais de 30 por dia. Também comecei a fazer acompanhamento neurológico e psiquiátrico, com especialistas, pois também tive algumas sequelas, como perda de algumas memórias. Mas minha mãe sempre esteve ao meu lado, me ajudando, me apoiando, e isso me deu muita força”, comenta Horney.
Atualmente, devido às sequelas do acidente, Gabriel é aposentado por invalidez, no INSS. Porém, ele não perdeu a esperança de um dia voltar à vida normal. “Ele continua os tratamentos e faz perícias periodicamente no INSS. Mas o Gabriel tem esperança de se recuperar, para poder voltar a trabalhar no serviço de operação de máquinas”, afirma a mãe, Iolanda Hoe.
Outra grade ajuda para a sua recuperação é o novo hobby de Gabriel: andar de bicicleta. A atividade física se tornou uma terapia, de acordo com o aposentado. “Tem dias que pedalo cerca de 200 quilômetros, vou até a praia e depois volto. Comecei a andar de bicicleta assim que me recuperei mais e não sinto receio de estar no trânsito de bicicleta”, pondera.
No entanto, Gabriel enaltece que, de moto, não estará mais no trânsito. “Acredito que as pessoas deveriam ter muito mais cuidado no trânsito, não beber e depois dirigir e exercer o respeito mútuo entre as diversas partes que utilizam as ruas. Também agradeço muito a Deus pela oportunidade de continuar vivendo. Um dos meus maiores aprendizados é ter adquirido a fé e a gratidão pela vida”, enaltece.
Consequências para toda a vida
Quem também teve a vida mudada por um acidente de trânsito foi José Ione Leite, de 52 anos. Em 03 de março de 2003, ele estava com uma companheira em um estabelecimento, e, por uma discussão, os dois pararam na rua e acabaram sendo atropelados por uma caminhonete. Devido ao impacto, José sofreu um trauma na cabeça e ficou com sequelas neurológicas.
A irmã, Bernadete Leite, com quem ele mora há cerca de 17 anos, comenta que ele sofreu inúmeras sequelas e hoje, os traumas neurológicos são os mais sérios. Seu irmão por parte de mãe depende quase que inteiramente dela. Por causa disso, ele recebe acompanhamento da Apae de Pomerode, mas não frequenta mais a instituição de forma presencial devido à pandemia.
“Meu irmão depende de mim para quase tudo e sempre precisamos estar cuidando dele. O caso dele foi uma fatalidade, mas acredito que todos nós precisamos ter mais responsabilidade e cuidado no trânsito, para que casos como este sejam evitados”, afirma.
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