Unindo pesquisa, preservação e educação ambiental
Conheça o trabalho do meliponário, na FURB
Foto: Envato Elements
Maio é o mês em que se celebra o Dia Mundial da Abelha, no dia 20, e a data serve como um lembrete sobre a importância desses insetos para o meio ambiente e para a vida humana.
Aproveitando o gancho da data, a Universidade Regional de Blumenau (FURB) destaca o trabalho realizado com abelhas nativas sem ferrão em seu meliponário, localizado no campus da instituição. O espaço é coordenado pelo professor Sérgio Luiz Althoff, e atualmente conta com sete espécies diferentes de abelhas nativas. O foco do projeto é a pesquisa científica e a educação ambiental.
“As abelhas são mantidas em caixas racionais, e algumas em caixas didáticas utilizadas em exposições. Criamos o Projeto Meliponini junto ao PET-Biologia, e com ele, os alunos também ajudam na manutenção do meliponário e no atendimento a visitantes, como as escolas que marcam visitas guiadas ao local”, explica o professor.
O meliponário é mais do que um espaço de criação de abelhas. É um centro de disseminação de conhecimento sobre a importância das abelhas para o ecossistema. A principal contribuição desses insetos é a polinização. Muitas plantas dependem exclusivamente das abelhas para se reproduzirem. Sem elas, a produção de sementes e frutos seria drasticamente reduzida.
“A polinização é a função mais lembrada, mas não podemos esquecer que as abelhas também fazem parte da cadeia alimentar e contribuem para o equilíbrio da biodiversidade. Espécies como as aves se alimentam delas, por exemplo”, acrescenta Althoff.
Apesar de sua importância, as abelhas ainda são ameaçadas por diversas ações humanas. Muitas vezes, são mortas por medo, mesmo quando pertencem a espécies sem ferrão. Além disso, o uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras é um dos principais fatores de mortalidade entre os enxames. “Mesmo quando os agrotóxicos são utilizados conforme a bula, eles ainda são venenos”, alerta o professor.
O fumacê, aplicado em cidades para combater o mosquito da dengue, é outro vilão. Althoff explica que, além de não ser muito eficaz, o fumacê afeta diversas outras espécies, como as abelhas.
“Temos que atacar o mosquito nos criadouros e não no ar com venenos que intoxicam a todos”, defende.
O paisagismo urbano também pode representar um perigo. Espécies de árvores tóxicas para abelhas e beija-flores, como o Nim (mais comum no Nordeste) e a Espatódea (frequente no Sul), são utilizadas em vias e praças. Essas plantas contribuem para a morte de polinizadores. Outro fator importante é o desmatamento, que retira árvores antigas com ocos, locais usados pelas abelhas para criação dos ninhos. “Tiramos a casa e a comida delas ao mesmo tempo”, resume o professor.
Para ajudar na preservação desses insetos essenciais, algumas medidas podem ser adotadas. “Nas cidades, é preciso fazer o controle de pragas por ações mecânicas, como eliminar criadouros, e não com produtos químicos. Além disso, é fundamental manter as florestas em pé e evitar a introdução de espécies de abelhas de outras regiões ou países”, afirma Althoff. Segundo ele, a introdução de espécies não nativas pode trazer doenças e gerar competição por alimentos e locais de criação.
Questionado sobre quais espécies podem ser criadas na região, Althoff destaca que a resposta depende da finalidade da criação. “Temos mais de uma dezena de espécies que podem ser mantidas aqui, mas é preciso considerar se o objetivo é pesquisa, produção de mel ou educação ambiental, por exemplo”.
A preservação das abelhas nativas é fundamental para a manutenção da biodiversidade e das florestas, e também para a produção de alimentos. “Muitos de nossos alimentos dependem das abelhas para produção. Se elas desaparecessem, teríamos um impacto direto na disponibilidade de frutas e outros alimentos, tanto para humanos quanto para outros animais”, afirma.
A meliponicultura, como é chamada a criação de abelhas sem ferrão, vem crescendo em todo o Brasil, inclusive na região do Vale do Itajaí. Segundo o professor, as finalidades dessa atividade são diversas: contemplação das abelhas, comércio de enxames, e de subprodutos como mel, própolis, pólen e cera.
Quem tiver interesse em conhecer o meliponário da FURB pode agendar uma visita pelo e-mail exposicaodecienciasnaturais@furb.br. Althoff reforça o convite:
“O meliponário está aberto à comunidade, é uma oportunidade de conhecer de perto o trabalho de preservação e pesquisa com esses animais fundamentais para a vida na Terra”.