União de forças, de quem tem muito em comum
Alunos haitianos auxiliam uns aos outros na adaptação escolar, na EBM Hermann Guenther
Há cerca de 10 anos, Pomerode recebia diversos imigrantes vindos do Haiti, após a tragédia que abateu o País, com o terremoto de 2010. Em busca de uma vida melhor, eles migraram para o Brasil e, diversos deles chegaram a Pomerode, para trabalhar e recomeçar sua vida em nossa cidade.
Aos poucos, suas famílias também chegaram à nossa cidade e, com elas, as crianças haitianas chegaram à nossa cidade e ingressaram nas escolas do município, várias delas na Escola Básica Municipal Hermann Guenther, no Ribeirão Clara.
O primeiro aluno haitiano da história da escola é Ronalson Jean, de 15 anos, que chegou à escola aos sete anos de idade, ingressando no Ensino Fundamental 1. Ele veio da capital do Haiti, Porto Príncipe e afirma que sua maior dificuldade não foi idioma.
“O problema que eu tive foi me acostumar ao frio e aos costumes daqui. Mesmo assim, eu consegui fazer muitos amigos e gosto muito deles, assim como dos professores da escola. Hoje sou bem feliz morando e estudando aqui”, afirma o estudante.
E a boa experiência na escola já despertou em Ronalson o desejo de fazer mais, pois ele contou que deseja participar da eleição para o cargo de vereador mirim, representando a Escola Hermann Guenther e a comunidade. “Quando os outros alunos ofereceram a chance de participar eu pensei no assunto e depois um aluno do 9º explicou como funcionava e eu me interessei em tentar”, destaca.
Ronalson é um exemplo positivo para os outros 10 alunos haitianos que estudam no local, da pré-escola ao 7º ano. Três destes estudantes chegaram há pouco mais de duas semanas a Pomerode e à escola, vindos do Haiti. Segundo o diretor da instituição, Jelson Luís da Silva, a principal dificuldade é a questão do idioma.

Ronalson Jean, primeiro haitiano da escola. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
“A nossa maior dificuldade, no início e quando chega um aluno estrangeiro novo, principalmente do Haiti, é a questão do idioma. Muitos dos alunos vieram de regiões diferentes e, portanto, falam diferentes dialetos. Os três alunos novos, que chegaram recentemente à Escola, vieram da mesma região que uma aluna que já está conosco há mais tempo, por isso ela está ajudando neste início, como uma intérprete para eles”, comenta o diretor.
Anne Lourdie é a aluna que auxilia os colegas mais novos na escola e, além disso, a equipe escolar utiliza ferramentas como o Google Tradutor e se empenha para integrá-los à rotina escolar da melhor forma possível.
O diretor a Escola Hermann Guenther ressalta, ainda, as diversas qualidades que os alunos haitianos agregam à escola e à comunidade, como um todo.

Os alunos haitianos se ajudam em sala de aula, principalmente com o idioma. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
“O que sempre chamou a nossa atenção com relação a estes alunos é a aptidão que eles têm para a música e, inclusive, muitos fazem parte da fanfarra da escola. Além disso, outra grande virtude é a boa educação que eles trazem consigo, que é exemplar. Nunca tivemos nenhum problema de comportamento, são todos muito respeitosos, e o nível de aprendizagem deles é ótimo. A Anne, inclusive, demonstra um desenvolvimento escolar incrível”, enaltece Silva.
Os alunos haitianos que estudam na Hermann Guenther são: Anna Lourdie, Duniara Constant, Débora Sainvil Constant, Athos Tortolini Mastrangelo, Sanchez Fernanders Jean Baptiste, Arthur Valentino de Quadra Gani, Emmanuella Wesnayda Jean Gilles e os três novos são Mensley Tinville, Mylot Tinville e Ernsley Tinville.

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