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Uma vida dedicada à educação: Jane Borchardt celebra 40 anos no Colégio Doutor

De registros manuais à era digital, secretária construiu uma trajetória marcada por aprendizado, fé e compromisso

18 de abril de 2026

Foto: Arquivo pessoal

Uma história que se confunde com a própria evolução da educação e da gestão escolar. Assim pode ser definida a trajetória de Jane Borchardt, secretária escolar do Colégio Sinodal Doutor Blumenau, que soma 40 anos de atuação na instituição e uma vida inteira ligada ao ambiente educacional.

A caminhada de Jane no colégio começou de forma inesperada. O primeiro contato foi por meio de um teste para trabalhar na biblioteca, oportunidade que, inicialmente, não se concretizou. No entanto, poucos dias depois, uma nova porta se abriu.

“Tudo começou quando eu fiz um teste nessa sala de aula para trabalhar na biblioteca, porque tinha uma vaga. A sala estava cheia e, depois de duas semanas, saiu o resultado de que um menino ganhou a vaga. Pensei: bom, então eu vou ficar no meu emprego. Mas aí, no dia 1º de abril, o falecido Andreas Ehlert veio me dizer que o Ildo estava me chamando na secretaria. Eu achei que era brincadeira, mas era sério. No dia seguinte, ele disse: ‘Jane, amanhã tu podes começar na secretaria’. E assim eu comecei.”

Aos 16 anos e sem experiência, Jane iniciou suas atividades na secretaria no dia 15 de abril, após se desligar do emprego anterior. Desde então, acompanhou de perto profundas transformações no cotidiano escolar.

Do papel à tecnologia: a evolução da secretaria

Quando começou, a rotina era completamente manual. Documentos, registros e processos exigiam atenção redobrada e muito trabalho operacional.

“Eu vi documentos que eu nunca tinha visto na minha vida e tive a função de separar. Precisava acompanhar cadernetas escolares com presença, ausência, sábado, domingo, feriado. Lançava notas tudo à caneta, e quando a nota era baixa, era caneta vermelha. No fim do ano, divulgávamos os resultados. Não tinha computador. Até o RH era feito na calculadora, com pagamento e impostos. Era uma função enorme.”

Com o passar dos anos, a informatização transformou a rotina. A partir da década de 1990, os primeiros computadores chegaram à secretaria, ainda de forma limitada, mas já sinalizando mudanças profundas.

“Toda a parte de informatização começou lá por volta de 1992. Antes disso, era tudo datilografado. Aos poucos foram chegando os computadores, eram só dois na secretaria e bem restritos. Começamos a fazer carnês impressos, grampeados e enviados para casa. Depois, ao longo dos anos, tudo foi se modernizando e a precisamos acompanhar.”

Hoje, sistemas digitais fazem parte do dia a dia, como a rematrícula online e plataformas de comunicação com famílias.

“O sistema de matrícula mudou muito. Antes, os pais vinham até nós, depois mandávamos documentos para casa. Hoje temos a rematrícula online, que foi um grande avanço. Não tem outra opção: ou você acompanha as tendências ou fica para trás. Hoje tudo é informatizado, nossa vida gira em torno do computador.”

Fé, valores e comunidade

Mais do que mudanças tecnológicas, Jane destaca a essência do colégio, marcada pela fé e pelos valores cristãos da tradição luterana. Eventos escolares, celebrações e momentos de espiritualidade sempre fizeram parte da rotina da instituição.

“Sempre tivemos muitos eventos, festas, noitadas artísticas, homenagens para o Dia das Mães, dos Pais, dos Avós. A fé sempre esteve presente, com meditações, louvor, ensinamentos. Os valores cristãos sempre foram muito fortes no dia a dia da escola. Isso nunca mudou, assim como a qualidade do ensino.”

A ligação com o colégio vai além da vida profissional. Jane também foi aluna da instituição e praticamente nunca se afastou do ambiente escolar.

“Na verdade, eu nunca saí daqui. Trabalhei durante o dia e estudei à noite, fiz magistério. Depois fiz faculdade pela UDESC, cujo polo era aqui na biblioteca. Estou na escola desde 1975. Eu cresci aqui dentro. É minha segunda casa.”

Desafios e aprendizados ao longo dos anos

Entre os principais desafios, Jane destaca a necessidade constante de adaptação às mudanças, especialmente tecnológicas.

“Foi um desafio se adaptar, porque antes era tudo no papel, tinha mais contato direto. Os bilhetes eram datilografados, mimeografados e enviados para casa. Depois vieram os impressos, e hoje temos agenda online, como o Clip Escola. Foram muitos avanços, e deveríamos nos adaptar.”

Apesar das transformações, o contato humano segue sendo o ponto central do trabalho. “Hoje mudou tudo, mas a essência continua sendo o contato com as pessoas. Tenho muito contato com professores, ajudando com notas, orientando. Também auxiliamos pais com acesso a sistemas online. Estou aqui para ajudar.”

Foto: Arquivo pessoal

 

Outro aspecto marcante é a relação construída ao longo das décadas com alunos e famílias. “Uma das coisas mais bonitas é ver alunos que voltam como pais. Isso é único. Não é para todos. É muito especial quando um ex-aluno chega e diz: ‘Que bom te ver’. Isso não tem preço. Além disso, sou grata pelas pessoas que conheci que atuaram comigo aqui no Colégio, que foram muitas ao longo destas quatro décadas”.

Momentos marcantes e transformações

Ao longo dos anos, Jane acompanhou mudanças estruturais, pedagógicas e administrativas. Entre os momentos marcantes, estão as transformações nas festas escolares e o crescimento físico da instituição.

“As festas mudaram muito. Antes eram na escola, depois passaram para pavilhões maiores. No começo estranha, parece que não é mais a mesma coisa. O crescimento físico também impacta: de repente você precisa se adaptar a novos espaços. Também vivi mudanças de direção, diferentes fases do colégio”.

Emoção e gratidão pelos 40 anos

A celebração das quatro décadas de trabalho foi um dos momentos mais emocionantes da trajetória de Jane, graças à homenagem realizada na manhã de quarta-feira, 15 de abril.

“Foi muito emocionante. Eu não imaginava a surpresa. Chorei muito. Passa um filme na cabeça. No dia a dia acabamos não percebendo, mas quando paramos para lembrar, vemos quanta coisa aconteceu. São 40 anos, não é para todos.”

Mais do que tempo de serviço, Jane enxerga sua trajetória como uma missão construída com dedicação e gratidão.

“O colégio representa tudo para mim. Tenho só gratidão. Comecei com 16 anos, sem experiência nenhuma. Cresci aqui como pessoa e como cristã. Vivi aprendizados, alegrias, desafios, lágrimas também. Perdi pessoas ao longo do caminho. É um conjunto de tudo isso. Não é só rotina. As pessoas dependem de você, esperam por você. É uma responsabilidade. É cumprir aquilo que um dia te foi dado como oportunidade. Crescer junto, acompanhar e viver o dia a dia.”

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Após quatro décadas, Jane Borchardt segue sendo parte fundamental da história do Colégio Sinodal Doutor Blumenau, uma trajetória marcada por compromisso, evolução e, acima de tudo, pertencimento, como enaltece a diretora da instituição, Karin Hoeft.

“Há 40 anos, os corredores do Colégio Doutor ganharam mais do que uma secretária; ganharam um verdadeiro ícone. Jane Borchardt não apenas trabalha conosco; ela respira a nossa história. Com uma memória impecável e um coração gigante, Jane conhece cada canto desta instituição como ninguém. Ela guarda consigo lembranças, detalhes e histórias que muitos de nós sequer imaginamos, sempre revivendo cada capítulo com um carinho que transborda. Ao longo desses anos, Jane enfrentou todos os desafios, os altos e baixos de uma jornada de quatro décadas, mantendo-se sempre firme, forte e profundamente dedicada. Sua trajetória se confunde com a própria história do Colégio Doutor. Jane, parabéns por essa marca histórica! Que sua força continue nos guiando por muitos anos mais”, finaliza.

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