Uma tradição repleta de doçura
Família Pein mantém tradição de quatro gerações, no preparo de bolachas artesanais
Quanto tempo pode durar uma tradição culinária? Se depender da família Pein, o hábito de produzir bolachas artesanais ainda será mantido por diversas gerações. A relação da família com os doces começou décadas atrás, com Karolina Kieckhöfel. Na juventude, ela trabalhou com a produção de bolachas e, nas vezes em que estava produzindo os doces, começou a ter uma ajuda muito especial, a da filha, Erica Volkmann.
Hoje com 95 anos, Erica aprendeu, na época, a receita com a mãe, acompanhando o preparo enquanto pôde e, quando formou sua própria família, continuou a tradição, ensinando às filhas a receita e a forma correta de preparo das bolachas, principalmente as de Natal e as amenteigadas, uma tradição nas famílias pomerodenses, que se reúnem para fazer o doce.
Uma das filhas, já na terceira geração envolvida com o preparo das bolachas, Roseli Pein, conta que a sua família sempre seguiu a tradição de prepararem juntas as bolachas. “Antigamente era assim a tradição. A família se juntava para fazer as bolachas de Natal, fazer as bolachas amanteigadas. Então, dali que fui aprendendo, com a minha mãe e agora posso passar a receita para a próxima geração. Mas tudo começou com a minha avó, que era doceira. Inclusive, nós ainda guardamos algumas forminhas que ela usava, que devem ter mais de 100 anos, já”, conta Roseli.

Roseli e Aline guardam as forminhas usadas pela primeira geração da família a fazer os doces, com mais de 100 anos.
(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
A filha, Aline, que já representa a quarta geração a guardar a herança da produção artesanal de bolachas, fala com carinho das lembranças da infância, envolvendo a produção. “Eu cresci vendo minha mãe fazendo as bolachas, desde criancinha eu via ela na produção do doce, começando em casa, mesmo, para consumo próprio, até vender para a família, vizinhança, crescendo e chegando aonde a gente está hoje”, relembra Aline, falando do registro da marca artesanal, seguindo os passos iniciados anos trás, com a sua bisavó, Karolina.
Roseli e Aline guardam um caderno antigo de receitas, feito pela avó, Erica, em que estão registradas as receitas de bolachas e outros doces. Algumas delas são, ainda, originais da época de doceira de Karolina e outras foram sendo adaptadas para os dias de hoje, sendo incrementadas com ingredientes novos, como chocolate, por exemplo.
Além de manterem algumas receitas originais, a família também tenta, sempre que possível, estar reunida para cozinhar, principalmente em aniversários e datas comemorativas. E, a quinta geração da família a estar envolvida no preparo das bolachas já está a caminho de fazer parte da tradição, pois as sobrinhas de Aline, ainda crianças, já acompanham a avó, Roseli, quando ela está fazendo os doces, e começam a aprender os truques para a preparação do doce.

Caderno de receitas guarda os passos para a produção das bolachas. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
“É algo que está no sangue, e é uma forma de estarmos unidas, em diversos momentos. Eu trabalho fora, mas meu ‘segundo trabalho’ é ajudar a minha mãe, às vezes. A gente produz as bolachas, conversa e canta, principalmente, ou então escutamos o culto. É um momento bem divertido, para relaxar”, enaltece Aline.
Aline relembra, ainda, com um sorriso, sobre um momento mais recente, em que a sua avó, Erica, fez questão de ajudar na produção das bolachas de Natal. “Aos 95 anos, ela fez questão de vir, pois queria saber se ainda sabia fazer as bolachas, então ajudou na pintura. E aquele momento foi único, comigo, minha mãe e minha avó, fazendo as bolachas”.
Na época do Natal, como a produção aumenta, Roseli sempre conta com ajuda pata fazer as bolachas, seja da filha, Aline, ou também das irmãs, Margareth, Dolores e Marlene. “Nós chegamos a fazer cerca de 700 quilos de bolachas, então a ajuda é fundamental para dar conta de terminar as bolachas e manter o sabor original. Mas é sempre muito divertido ter estes momentos em família”, garante Roseli.
E, ao longo dos anos, a tradição rendeu bons frutos, além dos momentos em família. Isso porque Roseli já foi medalhista no concurso de delícias caseiras da Festa Pomerana, na categoria de bolachas, por seis anos, sendo quatro vezes a vencedora e ficando com a segunda posição em outras duas oportunidades.
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