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Uma tradição antiga, resgatada pela nova geração

Aluna pomerodense resgata tradição de Páscoa do avô, para técnica de pintura natural de casquinhas

1 de abril de 2023

Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode

As tradições relacionadas à Páscoa sempre estiveram presentes na casa da família Manske, nesta época do ano. Martina Manske, junto da mãe, Joana, dos irmãos e do pai, sempre montou uma Osterbaum, pintou casquinhas de ovos e ajudou a decorar a casa.

E neste ano, além destas tradições já cultivadas, surgiu a oportunidade de resgatar mais um costume antigo, que fazia parte das celebrações de Páscoa há algumas décadas. Participando do concurso municipal de pintura de casquinhas, Martina teve a oportunidade de utilizar a técnica de pintura natural e, assim, resgatar uma forma antiga de dar mais cor às casquinhas de ovos, como era feito por seus avós.

“Quando trouxe a ideia para casa e começamos a fazer a casquinha, minha mãe contou que o pai dela, quando criança, não tinha como ter ovos de chocolate e, por isso, ele e a família faziam ovos cozidos, com as casquinhas pintadas. Minha mãe relembrou que ele costumava contar que usava cascas de cebola para fazer o tingimento das casquinhas e decidimos partir desta ideia, para achar uma forma de pintar a minha casquinha”, relata Martina, de 14 anos.

A aluna da Escola Básica Municipal Olavo Bilac relata que ela e a família começaram a pesquisar formas de colorir as casquinhas e até mesmo de fazer desenhos nelas, e neste processo encontraram opções como hortelã, menta, cúrcuma e beterraba. Ainda, Martina quis encontrar alguma folha de planta que pudesse criar um formato na casca, e assim decidiu por utilizar a samambaia.

“O escolhido foi feito com casca de beterraba, que formou a cor roxa, junto com menta, que formou verde, os dois foram misturados com cúrcuma que resultou em um marrom claro com alguns espaços cor de rosa. Para os detalhes do ovo, decidi colocar a samambaia e para a minha surpresa, ela tingia também e ficou um verde claro no formato dela”, disse a estudante.

Texto elaborado para ser apresentado junto à casquinha escolhida para o concurso. (Foto: Divulgação)

 

Mas, além da pintura escolhida, a família também fez outros testes, com outras combinações, para ver como seria o resultado na casquinha, utilizando cada um dos ingredientes.

Um deles foi feito com a cor gerada pelo uso da casca da cebola, que é um tom de laranja, com o desenho da folha de samambaia; Outro foi feito com o cozimento da folha de hortelã, que gerou apenas uma cor mais clara; Outra tentativa foi com folha de mostarda de jardim; e assim foram sendo testadas novas combinações. Ainda, uma delas teve, ao invés da samambaia, uma folha de aipim e, para manter estas folhas no lugar, na hora do ovo ser colocado na água fervente, com os ingredientes, a família usou meias-calças.

“Todos os materiais usados para a confecção do ovo foram produzidos em casa, incluindo o ovo das nossas galinhas. Para não prejudicar muito os ovos, com um furo muito grande, para tirar o conteúdo de dentro dele, fiz o furo com uma agulha, em cima e embaixo do ovo e depois soprei a clara e a gema para fora”, explica a mãe da aluna, Joana Manske.

Martina exibiu algumas das casquinas coloridas com ingredientes naturais. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)

 

Joana também explica que, para ficar com o tingimento mais forte, é necessário que a casquinha permaneça na água fervente por cerca de 30 minutos, uma hora. Se não, caso a intenção seja uma cor mais suave, deve ficar entre 10 a 15 minutos.

A mãe da menina destaca, ainda, o quanto a experiência foi importante também para a família, por resgatar uma tradição que poderia ter ficado esquecida.

“Meu pai falava muito que, na noite anterior, faziam o cozimento dos ovos, e ficou muito gravada na minha memória a história do tingimento com a casca de cebola. Por isso, quando a Martina trouxe a intenção da pintura natural, lembrei desta história e até aproveitei para contar como era antigamente, como eles tingiam os ovos para comer no dia seguinte. Eu gosto muito de trazer para meus filhos as histórias que eu vivi e que meu pai viveu, pois marcou para mim e quero que marque para eles também”, enaltece Joana.

Já para a estudante, a oportunidade de trazer de volta uma tradição de seus antepassados foi valiosa, além de proporcionar uma experiência diferente e enriquecedora.

Processo de pintura de uma das casquinhas feitas por Martina. (Foto: Arquivo pessoal)

 

“Foi bem diferenciado fazer a pintura das casquinhas desta forma, por toda a mão de obra, de separar os ingredientes, arrumar com a meia calça e ir testando o tingimento. Eu já havia participado do concurso de casquinhas, em outra categoria, mas neste ano é marcante, por toda a história envolvida e por ser diferente do que já fazíamos, e eu achei muito bacana o resultado destas casquinhas”, frisa Martina.

Por fim, a mãe da estudante revela que mesmo as casquinhas que fizeram parte dos testes, agora terão um lugar especial na casa, como forma de homenagem a esta tradição.

“Pretendemos fazer uma Osterbaum apenas com estas casquinhas tingidas usando ingredientes naturais. Sempre temos uma árvore de Páscoa em nossa casa, decorada com coisas que temos em casa, mas esta será especial e eu gostaria de deixar uma sugestão, para todas as famílias, que possam resgatar estas histórias que nossos pais e avós viveram, e assim, manter as nossas tradições”, finaliza Joana.

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