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Uma profissão essencial à sociedade

No dia do médico, conheça histórias de profissionais da medicina que passaram pela crise da pandemia e o que eles esperam daqui para frente, com uma melhora de cenário

17 de outubro de 2021

Apróxima segunda-feira, dia 18 de outubro, é celebrado o Dia do Médico, uma data que comemora uma profissão tão vital para o ser humano. Desde do ano passado, enfrentamos uma pandemia que desafiou os profissionais da medicina, no mundo todo. A Covid-19 também mudou os nossos hábitos e adaptações para viver com a doença precisaram ser feitas, para que todos pudessem ter uma vida segura e sem contrair o vírus.

Nas últimas semanas, estamos vendo uma melhora neste cenário. Felizmente, os novos casos confirmados da doença começaram a diminuir e as internações de pacientes com complicações graves por conta da Covid-19, também começaram a cair. Agora, vendo esta crise passando, aos poucos, reunimos médicos que estiveram trabalhando intensamente durante o período mais crítico da pandemia do novo coronavírus, em Pomerode e na região como um todo.

Um dos profissionais da medicina que lidou com a pandemia desde o começo, foi o pneumologista e cardiologista pomerodense Dr. Eckart Liesenberg. Com quase 42 anos de experiência na área, o médico conta que no começo a situação assustava, por ser uma nova doença que poucos tinham conhecimento. “A gente foi aprendendo com a doença. No começo, era meio assustador mas depois nós fomos pegando o jeito de fazer o diagnóstico e sabendo como evitar a contaminação do novo coronavírus”, relata.

 

 

Liesenberg comenta que atendeu mais de mil pacientes, durante a pandemia. Todos tiveram um acompanhamento para conferir se os sintomas poderiam se agravar e se haveria uma necessidade de internação.

“Aqui no meu consultório tratei mil e duzentos pacientes. Com todos, fazia acompanhamento diário para ver como estava a saúde da pessoa. Tivemos casos graves que conseguimos fazer a internação no momento certo, tendo uma intervenção para que o paciente pudesse ter uma boa recuperação, em uma situação mais grave”, ressalta.

O pomerodense se sente confiante em relação à melhora de cenário, daqui para frente, já que os números da doença estão em queda.

“A sensação do momento é de que a crise está passando. A vacina tá aí, ela tá mostrando o resultado e eu acho que nós estamos saindo dessa, dessa pandemia”, conclui.

 

Dr. Eckart Liesenberg. (Foto: Divulgação)

 

Outros dois profissionais de Pomerode que atuaram com profundidade durante a pandemia foram a Dra. Nathany Raup e Dr. Fabio Goossen. Nathany tem sete anos de atuação e especialização em envelhecimento e geriatria. No começo, a Doutora conta que o começo foi um dos momentos mais desafiadores, para que se pudesse entender melhor os tratamentos e as maneiras de evitar a propagação do vírus.

“Os primeiros momentos foram os mais desafiadores, tanto para mim, quanto para o dr. Thiago, que encabeçamos esta questão do enfrentamento à Covid aqui no Hospital, com toda a equipe. Houve muitos desafios no início, muita leitura, as literaturas divergiam, as publicações divergiam de um país para outro, uma região para outra, e precisamos estudar muito para adequar qual seria o protocolo de tratamento instituído no nosso hospital. Isso foi muito desafiador, tínhamos vários sentimentos, como culpa, pressão, sentimento de incapacidade, foram vários conflitos internos, fora o enfrentamento da situação contra a doença”, contextualiza.

A médica também fala sobre a questão de lidar com a morte, durante a pandemia, que tirou a vida de 72 pessoas, em Pomerode. “Depois, uma coisa que, apesar de já fazer parte da rotina do médico conviver, que é a morte, a questão da pandemia trouxe um contexto diferente. A pessoa se contaminava, piorava muito, de um dia para o outro. Então era necessário fazer o processo de intubação, com ele consciente, explicar o que seria feito e ter que transmitir uma certa tranquilidade nesse processo e se blindar de alguma forma, porque acabávamos nos envolvendo de uma forma emocional”.

 

Nathany falou sobre os desafios da pandemia. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

 

Um dos momentos mais marcantes, segundo a profissional da medicina, foi quando uma paciente jovem teve a vida perdida por conta da Covid-19.

“Eu me lembro de uma paciente que era muito jovem, que acabamos perdendo, e sabemos que para a família é uma dor imensurável, mas para nós foi muito difícil, muito doloroso. Esse caso nos marcou muito porque era uma paciente que tinha 27 anos, tinha filho, foi muito dolorosa essa perda e nunca vou me esquecer”, relata.

A médica também tem esperanças de que a situação possa melhorar ainda mais, nos próximos meses.

“A melhora do cenário, com certeza, traz um alívio, mas é um momento que ainda precisamos ser cautelosos. Os cuidados devem ser continuados. O fato de a gente ter conseguido passar por essa crise, claro que traz uma sensação de esperança. Mas ainda há muito a ser debatido, quanto à valorização dos profissionais da saúde e outros detalhes. E em alusão ao dia do médico dizer a todos os colegas que continuem fortes, focados e lutando. Que cada paciente seja visto como o amor de alguém e que possamos sempre nos orgulhar das nossas atitudes. Nossos desafios não acabarão junto com a pandemia. Queria agradecer aos colegas do corpo clínico do hospital HMRT que me depositaram a confiança de encabeçar a ala Covid, e que me apoiaram durante o período da pandemia. Parabéns pelo dia do médico a todos os amigos do HMRT”!

Para o Doutor Fábio Goossen, que já é formado há oito anos, a pandemia foi um momento de muita tensão, principalmente quando chegava as primeiras notícias, do que a doença poderia provocar, nas pessoas e sobrecarregar o sistema de saúde.

“No início foi uma sensação de que um tsunami estava prestes a chegar e fugir não era uma opção. Eu me lembro muito bem de olhar para nossa sala de emergência no Pronto Socorro e imaginá-la lotada de pacientes graves. Surgiu um medo de não dar conta, de me contaminar e levar o vírus para dentro da minha casa e não saber como reagiríamos à Covid-19. Com o passar da pandemia, o conhecimento da doença e estudos surgindo, cada vez mais tive segurança em tratar os pacientes que por mim passavam, mas jamais pensei que viveria uma guerra como essa”, comenta.

 

Dr. Fábio, médico que atua no HMRT. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

 

O Cirurgião geral relembra os momentos críticos da pandemia, no Hospital.

“O momento mais crítico foi a segunda onda, pacientes jovens e saudáveis chegando em estado grave no Pronto Socorro. Emergências lotadas com longas filas de espera e profissionais exaustos. Sem dúvida essa fase para mim foi a mais complicada. Mas nela iniciamos nossa vacinação e enxergamos uma luz no fim do túnel”, conta.

Goossen também cita a história de uma amiga que contraiu a doença, passou por dificuldades e conseguiu vencer a luta, contra a Covid.

“Uma paciente e amiga minha, jovem, mãe de um bebê de 6 meses contraiu o vírus. Ficou em estado grave, internada em UTI, sedada e intubada por vários dias, entre a vida e a morte. Seu bebê, apesar de cuidado pelo pai, só dormia com uma camiseta com o cheiro da mãe. Hoje ela está bem, passou pela COVID-19. Fico muito feliz em poder ter acompanhado ela na uti, em estar ao lado dela levando o carinho da família e amigos, podendo fazer uma oração à beira do leito dela pedindo por um milagre que chegou graças a Deus. A equipe do Hospital OASE foi fantástica em cuidar dela”.

Com uma melhora no cenário da Covid-19, o médico se sente confiante de que tudo está passando.

“Sensação de que a guerra está acabando e que apesar de muitas batalhas perdidas, sairemos vencedores. Ver leitos vazios e UTIs fechando é de uma alegria imensa. Valeu a pena todo o esforço, correria durante o dia, noites mal dormidas, distância da família, medo, dúvidas. Já teria valido a pena se somente uma pessoa tivesse sido salva, mas fizemos muito mais do que isso. Nos dedicamos diariamente para ver vidas sendo salvas! Todo paciente é importante”, completa.

 

O dia a dia na UTI

A realidade, em Blumenau, durante a pandemia, foi desafiadora. A cidade, além de receber pacientes do próprio município, para o tratamento da Covid-19, disponibilizava leitos de UTI’s para pessoas com o estado crítico de outras cidades da região, inclusive de Pomerode.

Eduardo Dias de Oliveira foi um dos médicos que participou de maneira intensa e incansável durante os dias mais pesados da pandemia, nos Hospitais Santo Antônio e Santa Isabel, ambos na cidade blumenaunse. Formado desde 2007, Oliveira falou sobre sua experiência na linha de frente das duas unidades de saúde.

“Estou na linha de frente nas UTI’s do hospital Santa Isabel e Santo Antônio desde o início da pandemia.  Os momentos mais críticos foram o início da pandemia em março/abril de 2020 quando ainda pairavam muitas dúvidas sobre a doença, sobre como se transmitia, como a gente poderia tratar e todos tínhamos medo diante das muitas incertezas sobre a doença. Outro momento crítico marcante foi durante a onda que ocorreu em fevereiro/março de 2021 onde já estávamos muito cansados e sobrecarregados da primeira onda e teve outro aumento mais grave de casos. Tivemos que abrir e manter uma quantidade antes inimaginável de leitos, com todas as equipes assistenciais muito esgotadas”, conta o médico.

 

Dr. Eduardo atua nas UTI’s dos Hospitais Santo Antônio e Santa Isabel. (Foto: Larissa Machado / HSA)

 

Oliveira relembra os momentos mais memoráveis durante os dias mais tensos em que esteve no acompanhamento de pacientes em estado grave e também daqueles que conseguiram se livrar do vírus e vencer a doença.

“Tiveram muitas histórias marcantes, tanto de recuperações surpreendentes quanto de mortes de pacientes jovens e com poucas doenças que simplesmente não tinham recuperação no pulmão.  Até hoje todas as pessoas que são internadas na UTI têm muito medo do que pode acontecer, têm muito medo de serem intubadas, a ponto de algumas recusarem, mesmo em situações de insuficiência respiratória, com muita falta de ar que procedêssemos a intubação.

O médico também aproveitou o espaço para deixar um recado a todos médicos e citou a esperança de dias melhores, a partir de agora.

 

(Foto: Larissa Machado / HSA)

 

“Estamos como todos com muita expectativa de que todas as coisas voltem ao normal. Que as vacinas consigam segurar os casos em um período prolongado e não tenhamos mais situações de caos. Que consigamos superar essa grave crise econômica mundial que se anuncia. Acho que todos temos muito que agradecer a todos os colegas, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas que puderam com coragem e senso de responsabilidade tentar ajudar as pessoas da melhor forma que conseguimos mesmo diante de um cenário muito grave e com grandes riscos e com muitas limitações nunca vividas antes”, finaliza.

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