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Uma profissão de respeito

A profissão de gari foi instituída em 16 de maio de 1962 e ela ganhou este nome em homenagem ao empresário francês Aleixo Gary, que se destacou na história da limpeza da cidade do Rio de Janeiro. Em Pomerode, são dezenas de trabalhadores que exercem essa função

16 de maio de 2019

Todo o ser humano que convive em sociedade, produz lixo, em algum momento de sua vida. E para que todo esses rejeitos sejam destinados ao local correto, existem aquelas pessoas que trabalham incansavelmente no recolhimento e separação do lixo.

A profissão de gari foi instituída em 16 de maio de 1962 e ela ganhou este nome em homenagem ao empresário francês Aleixo Gary, que se destacou na história da limpeza da cidade do Rio de Janeiro. Em Pomerode, são dezenas de trabalhadores que exercem essa função. Nós conhecemos um pouco do dia a dia deles, conversando com um casal que trabalha na Usina de Triagem do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Samae).

José Maria Gomes, de 30 anos, e Maiquieli Paula Pinheiro, de 26, são concursados e trabalham na Usina há cinco anos, depois de se mudarem para Pomerode, vindos da cidade de Catanduva, no Paraná. Foi o primeiro emprego deles ao chegarem e continuam na autarquia até os dias de hoje.

De acordo com Gomes, trabalhar com a coleta de lixo é tranquilo, e que o pior momento é quando chove durante o serviço, pois não há como se proteger. A rotina do Auxiliar de Operação II (gari) começa a partir das 5h, seguindo até às 11h, quando tem um intervalo de uma hora. Depois, segue no serviço até cerca de 14h. Isso sempre de segunda a sexta-feira.

Ele relata que uma das principais dificuldades é quanto à mistura de lixo orgânico e reciclável, em alguns locais. “É muito ruim quando nos deparamos com essa mistura de lixo. O mais comum, que nós percebemos, é que em alguns condomínios não é tomado tanto cuidado com a separação. E ajuda muito no nosso trabalho, caso seja feita uma pré-triagem antes de colocar o lixo para fora”, destaca o auxiliar.

Um ponto bastante importante, segundo Gomes, é quanto à destinação do vidro. “É muito importante que as pessoas identifiquem, de alguma maneira, quando se trata de vidro, pois quando jogamos no caminhão, pode quebrar e provocar um acidente depois. Ou então com o vidro já quebrado, que também precisa ser separado do restante do lixo”, reitera.

O gari trabalha com mais frequência na coleta, mas, caso seja necessário, também auxilia na esteira e na prensa da Usina. Com Maiquieli, a situação é o oposto. Ela atua mais na esteira de separação do lixo, mas também ajuda na coleta, caso estejam com poucos trabalhadores em determinado dia, assim como outras mulheres, que trabalham como garis no Samae.

“É um jeito de conseguirmos respeito e que mulheres também podem exercer qualquer função. O momento mais difícil foi quando ajudei na coleta do orgânico. E até que as pessoas aqui separam bem o lixo. Percebemos isso pela quantidade de material que recebemos na Usina e que vem para a esteira”, afirma Maiquieli.

Independente do dia, se é feriado ou não, ou da condição do tempo, a coleta é feita, por isso, é reforçada a importância da separação correta do lixo, para respeitar o esforço da categoria no dia a dia. Além disso, o Samae procura ouvir a opinião dos trabalhadores para saber como podem oferecer mais segurança a eles.

“Agradecemos muito às pessoas que se esforçam para serem boas conosco, pois a maioria sempre nos trata muito bem. Tem moradores que nos oferecem água, conversam e até já ganhamos presentes no fim do ano. Isso é muito bom”, finaliza Maiquieli.

 

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