Uma paixão sobre duas rodas
Apreciador e colecionador de Lambrettas fala sobre a paixão pelo veículo e do hobby em remontá-las
Não é de hoje que o gosto por veículos antigos, sejam eles de duas ou quatro rodas, é difundido entre os pomerodenses. Prova disso, é a grande aceitação de encontros como o de Carros Antigos e de Fuscas, realizados anualmente. Tanto que nossa cidade já tem o seu Museu do Automóvel. O local, que já virou ponto turístico no município, recebeu, neste fim de semana, os participantes de outro evento que busca resgatar as relíquias motorizadas: o Encontro Nacional de Lambrettas e Vespas, em sua 11ª edição.
O Encontro foi sediado em Blumenau, de 22 a 24 de fevereiro, sendo que no domingo, 23, os participantes puderam realizar um passeio pela região, inclusive Pomerode. Entre os participantes estava um pomerodense apaixonado pela motoneta.
Miguel Henrique Schikorski é técnico agrícola, com habilitação em agroecologia, mas nas horas vagas, dedica-se aos passeios e à restauração de Lambrettas e afirma ser uma de suas paixões, cultivada desde a infância.

“Meu pai, Nilton Schikorski, tinha Lambrettas e, por isso, eu tinha contato com os desfiles, passeios e, também, com a montagem dos veículos, que meu pai fazia. Com 17 anos, eu tive minha primeira Lambretta, que era do meu pai”, relata o técnico agrícola. Hoje, Schikorski possui cerca de 20 Lambrettas e algumas mobiletes, das quais, seis estão montadas.
Sócio do Clube da Lambretta de Santa Catarina, ele conta que a motivação para ter a própria Lambretta veio do gosto por ver os desfiles, dos quais o pai participava, principalmente, de 07 de setembro.
Agora, o legado de participação nos desfiles da família Schikorski é mantido por Miguel, que também marca presença nos desfiles da Festa Pomerana e de outras cidades, quando convidado. Além disso, sempre que possível, Schikorski participa de encontros do veículo e de corridas de Lambrettas.

Segundo o técnico agrícola, o que mais gosta é poder passear com as Lambrettas, reunindo amigos, também apaixonados por mobiletes, Lambrettas e Vespas. Mas, claro, também mantém como hobby a montagem dos veículos. “A minha primeira Lambretta eu montei a estrutura e mandei para a regulagem em uma oficina mecânica. Mas dali em diante, comecei a fazer tudo sozinho, montagem e regulagem das Lambrettas que eu compro”, explica.
Quanto à seleção dos veículos que irá comprar, Schikorski afirma que a compra nunca é aleatória. Quando escolhe algum item, tem como critério de seleção a história por trás da Lambretta ou mobilete, seja ela relacionada ao dono ou outro acontecimento.
“A mais especial é a primera Lambretta que tive. Ela foi da família da minha primeira babá, que cuidava de mim quando meus pais estavam fora. Meu pai havia comprado a Lambretta deles, e depois, ela ficou para mim”, revela.
O técnico agrícola reitera que o envolvimento com as Lambrettas representa uma paixão em sua vida. “É um hobby, eu faço porque gosto muito. Inclusive, se alguém precisa de ajuda para montar a sua, ou de alguma peça, tento ajudar, porque quanto mais Lambrettas, Vespas ou mobiletes eu ver passando por aí, nas ruas, melhor”, declara.
A Lambretta
Ferdinando Innocenti, criador da Lambretta, esteve envolvido com construção e infraestrutura durante boa parte de sua vida. Após a Segunda Grande Guerra, assim como muitos italianos, viu-se sem dinheiro. O país passava por crise econômica.
Innocenti viu a oportunidade de criar um veículo de mecânica simples, pequeno e econômico. Para que isso se concretizasse, ele contatou Pier Luigi Torre e Cesare Pallavicino, ambos engenheiros aeronáuticos.
O primeiro modelo construído por Ferdinando Innocenti e seus engenheiros foi o Modelo A, em 1946. Seu nome era Lambretta 125M. A fabricação em série aconteceu em Milão, no bairro de Lambrate, nome este que ficou conhecida como uma marca. Os componentes cromados e o design chamavam atenção pelas ruas de Milão, com suas pequenas rodas de sete polegadas. O primeiro modelo não tinha suspensão, e seu pequeno motor 125 era de apenas três velocidades.
Um ano depois, surgiu a primeira atualização da moto, o scooter Lambretta 125B, já com suspensão traseira. O sucesso da marca foi imediato e surgiram os modelos Lambretta 125LC, na qual, a estética é parecida com as modernas de hoje.
Posteriormente, outros, como 15FC, 125FD e a Lambretta 125LDA. Esta última com partida elétrica, incomum para o ano de seu lançamento, que é 1954.
Lambretta é um desses casos dos quais o produto transfaz-se em sinônimo de marca. Poucos devem saber, mas o nome da marca é Innocenti, como seu criador. Lambretta é nome dado aos modelos das motos.]
Dentre tantos lançamentos nos anos recorrentes, a Innocenti teve uma rival no início que disputam até hoje o mercado de scooters: a Piaggio. A ‘guerra’ entre as duas marcas tiveram o “gênesis” na década de 1950, com os modelos Vespa (Piaggio) e Lambretta (Innocenti).
Décadas depois, sem novos modelos e novidades, alguns grupos fizeram tentativas de reviver os tempos áureos da marca italiana, sem sucesso. Mas aconteceu em 2017, com a reinterpretação austríaca do estúdio KISKA que trouxeram à Lambretta armas páreas para competir com a Vespa novamente.
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