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Uma homenagem à imigração

Em 2024 ocorre a celebração dos 200 anos da imigração alemã e, há cerca de 50 anos, Erwin Curt Teichmann produzia uma homenagem aos imigrantes, que fica no centro da cidade

16 de junho de 2024

Arno relembrou detalhes da criação da estátua, feita por seu pai. (Foto: Isadora Brehmer / JP)

O ano de 2024 é marcado por uma celebração importante para a região do Médio Vale do Itajaí e especialmente para Pomerode, com o marco dos 200 anos da imigração alemã ao Brasil.

Na Cidade Mais Alemã do Brasil, que tem a história intrínseca à chegada dos imigrantes vindos da Alemanha e da Pomerânia – atual território polonês, mas que fazia parte da Alemanha na época da imigração – , já existe uma homenagem aos primeiros imigrantes alemães a se estabelecerem na região.

Na Praça Jorge Lacerda, no centro da cidade, bem próxima ao icônico Portal Sul, existe a estátua que homenageia “os pioneiros pela passagem do Sesquicentenário da imigração alemã no Brasil”. A estátua é uma criação de um dos principais nomes do meio artístico de Pomerode, o escultor Erwin Curt Teichmann.

A estrutura de homenagem foi inaugurada em setembro de 1974, na gestão do então prefeito de Pomerode Alwin Klotz, assessorado por Eugênio Zimmer, que depois também seria prefeito do município. De acordo com alguns registros, o imigrante foi posicionado olhando para o Norte da cidade, simbolizando que estaria olhando para o futuro do município.

Arno Teichmann, filho do escultor que assina a obra, conta um pouco de como foi o processo de criação do desenho que representa um imigrante.

“Na época, eu morava em Florianópolis e meu pai me disse que haviam pedido a ele para que fizesse um monumento ao desbravador. Pelo que me lembro, o presidente da república da época tinha incentivado a construção de estátuas que homenageassem a imigração e por isso uma também foi feita em Pomerode. Meu pai fez, então, um primeiro estudo, com a ideia da representação do imigrante. Depois, ele fez uma maquete da estátua, cuja imagem é exatamente a mesma que foi feita na praça, porém sete vezes menor. Da primeira ideia à maquete, poucos detalhes mudaram como o chapéu, por exemplo”, conta Arno.

O filho do escultor também relembra o foco do pai em conseguir entregar um trabalho de qualidade, seguindo um pensamento principal: como criar o rosto do imigrante. “Havia a seguinte preocupação, fazer uma estátua que fosse parecida com todos, ou seja, que representasse o imigrante, mas que não se parecesse com alguém em particular. A estátua foi criada para ser um modelo do pomerano e ele conseguiu fazer uma imagem tão característica, que pareceu algumas pessoas. Assim como vários imigrantes, a estátua representa a força, rigidez de pessoas que costumavam trabalhar na lavoura”, destaca o filho de Erwin Curt Teichmann.

A representação do imigrante, que está na Praça Jorge Lacerda, foi feita em cimento. Inicialmente, a cabeça foi feita em barro e, a partir dela, foi feita uma forma com gesso. O molde era preenchido com cimento e depois a peça foi fundida com o restante do corpo, também feito por meio uma de forma de gesso, onde era colocado o cimento líquido.

Maquete da estátua de homenagem aos imigrantes e a primeira ideia da estátua. (Fotos: Isadora Brehmer / JP)

 

Ainda segundo Arno, por mais que existisse a preocupação com estes detalhes, Erwin sempre teve facilidade para a criação de estátuas. Um belo exemplo é uma representação do indígena, que fica em frente ao Museu Casa do Escultor, também no centro da cidade, que é uma releitura do personagem Peri, do livro O Guarani, de José de Alencar, um dos ícones do romantismo na literatura brasileira.

“Ele conseguia reproduzir com maestria os detalhes do corpo, seja de pessoas ou animais, como musculatura, por exemplo”, afirma Arno. O filho do escultor também relata que a década de 1950 talvez tenha sido de maior produção de Erwin.

“Ele chegava a fazer uma exposição por ano, nunca com menos de 40 trabalhos. Meu pai fez exposições no Rio de Janeiro, em São Paulo, assim como várias outras. Além de levar os trabalhos para as exposições, ele sempre mantinha um estoque aqui. Em 50 anos dedicados a esculturas, eu calculo que deve ter espalhado pelo brasil e até no exterior cerca de 1.500 obras. Também me lembro de ele trabalhar muito depressa e conseguir finalizar, normalmente uma estátua por semana”, relembra.

Teichmann foi o criador do brasão de Pomerode e de esculturas como O Estudante, O Imigrante e o O Soprador de Cristal.

Ao longo de sua vida, foi professor e funcionário da indústria Porcelana Schmidt, sendo nomeado Cidadão Honorário de Pomerode pela Câmara Municipal de Vereadores em 27 de julho de 1964.

Uma parte do trabalho de Erwin Curt Teichmann segue mantida no local onde ele residia. A casa foi projetada pelo próprio Teichmann e edificada em 1950.

Cerca de 50 trabalhos constituem o Museu, fora suas pinturas a óleo e outros trabalhos de conhecidos e amigos. O artista plástico viveu até o ano de 10 de março 1992, quando faleceu aos 86 anos. O Museu Casa do Escultor foi aberto em 22 de junho de 1992.

Uma réplica da estátua da liberdade, que ficava no Parque da Malwee foi o último trabalho de Teichmann feito em vida, segundo Arno.

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