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Uma carreira de sucesso, do outro lado do mundo

Pomerodense que atua como modelo na China revela início na profissão e desafios ao exercê-la, no outro lado do mundo

3 de setembro de 2022

Foto: Arquivo pessoal

Sair do País, em busca de um sonho, do outro lado do mundo, com menos de 20 anos de idade. Para muitos, pode parecer loucura, mas para a pomerodense Pâmela Erig foi a realização de um sonho e o início de uma carreira profissional de sucesso, no mundo da moda.

Hoje com 20 anos, a modelo iniciou sua caminhada rumo à carreira como modelo muito cedo, pois sempre quis seguir esta profissão. “Tudo começou em um desfile para escolha da Rainha, no Clube de Caça e Tiro Primavera, o qual eu venci. Ali eu entendi que era isso que eu levaria como profissão para o futuro. Eu era aquela garota tímida, quieta e estranha, mas eu queria ser diferente, eu queria ser alguém nessa vida. Sempre quis viajar, hoje em dia o mundo é minha casa”, comenta.

Para realizar seu sonho, Pâmela começou a buscar agências de modelos de vários locais, de Santa Catarina a São Paulo. Infelizmente, ela precisou passar por dificuldades e se deparar com empresas falsas, no meio do caminho, mas por fim conseguiu encontrar uma agência que lhe proporcionou a entrada na profissão de modelo.

“Foi quando encontrei a agência GF models, de Itapema. Nela, com seus donos Gutto Ferraz e Marilene Zucoloto, eu fui treinada para o mercado internacional. Tive aulas de passarela, poses, comportamento no trabalho, idioma, etiqueta social e tudo imaginável nesse mundo da moda, e cheguei a fazer alguns trabalhos em Pomerode, com algumas lojas amigas. E esta mesma agência trabalha com o internacional, mulheres e homens, com oportunidades de modelar em todo mundo, países como a China, Índia, Coreia do Sul, Filipinas, Itália. Para o meu perfil, foi escolhida a China”, afirma a modelo.

Pâmela tem 20 anos e é modelo internacional. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Desde então, são quatro anos em que Pâmela trabalha no país asiático, algo que lhe proporcionou diversas experiências diferentes e enriquecedoras. “Um dos meus primeiros trabalhos foi um evento, eu estava super nervosa. Era algo bem importante, de uma marca chinesa de produtos eletrônicos. Eu lembro que foi muito legal, mas também bem difícil”, relembra.

 

As experiências na China

Depois de se mudar para a China, para trabalhar, Pâmela morou em cidades como Chengdu, Guangzhou, Hangzhou e Shanghai, onde foi a última cidade na qual ela residiu. Segundo Pâmela, Shanghai proporciona uma realidade completamente diferente, com 23 milhões de habitantes e sendo uma cidade internacional.

“Em Shanghai tem um trem bala para toda a China, que anda a mais de 300km por hora, e é uma das maiores linhas de metrô do mundo. Tudo era muito rápido e prático. Na China os aplicativos do Google eram bloqueados, então já era Google tradutor, por exemplo, por regras do Governo, e também não havia como usar WhatsApp, Facebook ou Instagram. Então minha família teve que usar aplicativos chineses para a gente se comunicar. No começo foi complicado, mas hoje em dia temos VPN, um aplicativo que te possibilita mudar sua localização pra poder usar esses outros aplicativos (apenas se for necessário)”, conta Pâmela.

Outra grande diferença foi em relação à alimentação. A modelo relembra que, nas duas primeiras semanas, mal conseguiu comer, pois não sabia usar os hashis, que substituem os talheres, na cultura chinesa. Mas como todos os lugares os utilizavam Pâmela foi obrigada a aprender, com o tempo a utilizá-los.

Pâmela precisou se adaptar à vida em território chinês. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Ela também comenta sobre o quanto os chineses gostam dos brasileiros. “Eles adoram nossa energia, nossa cultura, e são muito curiosos. Em todo lugar, mercado, metro, shopping, nos paravam pra tirar fotos juntos, para conversar, praticar o inglês deles. Você acaba se acostumando, somos sempre alguém ‘diferente’ lá. E também, como a maioria do mundo, veem o Brasil como futebol, carnaval e energia boa”, revela.

 

Adaptação à vida no exterior

Sobre a adaptação a estar em um país diferente, Pâmela começa falando sobre a dificuldade na comunicação, uma vez que, no início, o seu nível de inglês era fraco.

“Eu mal conseguia me comunicar com minha primeira empresa. Porém, graças à convivência com modelos da Rússia, Polônia, Hungria, China, Argentina e muitos outros países, hoje em dia sou fluente em inglês, espanhol, estudo chinês e italiano. Já morei em um apartamento pequeno com outros 10 modelos. Todos com uma cultura, crenças, idiomas e manias diferentes”.

E, meio à convivência com pessoas de culturas completamente diferentes, havia a competição entre integrantes da mesma profissão. Pâmela revela que alguns se ajudavam mutuamente, enquanto outros odiavam uns aos outros, e competiam no mercado.

Paralelamente a isso, havia o fato de ter arriscado muito e aberto mão de tudo por um sonho. “Saí de casa com 17 anos, 100 dólares no meu bolso e decidida, mas com bastante medo, também. Tive apoio dos meus pais, mas que tinham bastante medo, também. Sou a filha mais nova, muito apegada a família e lembro de ter chorado muito, no aeroporto internacional em São Paulo, no dia da minha viagem, mas não me arrependo”, garante.

 

Experiências profissionais e culturais

Pâmela revela que há muito trabalho para modelos na China. Em seus anos exercendo a profissão, ela já trabalhou para marcas como Calvin Klein, C&A, Burberry, Gucci, Samsung, Cervejas Corona, Budweiser, Hoegaarden. A modelo também já chegou a trabalhar 20 horas em um dia, com cronograma cheio, ou mesmo três trabalhos diferentes em um mesmo dia.

“Nos trabalhos, cada dia proporciona uma coisa diferente, um estúdio, um local, uma cidade nova. Você nunca sabe aonde vai parar e o que vai fazer. Eu sempre pensei ‘se joga’ e fui em frente”, destaca.

Foto: Arquivo pessoal

 

Outro ponto positivo em sua experiência profissional, foi a possibilidade de conhecer culturas completamente diferentes.

“Eu não conheço bem o Brasil, mas hoje em dia conheço uns 10 países. Conheço toda China, todo dia trabalhava em alguma cidade diferente. Sou apaixonada pela Ásia, tão diferentes, ricos em cultura, tem uma gastronomia esplendorosa, de comida apimentada à gigante área de vegetais bem diferentes. Sempre gostei de comer de tudo e é importante ter a mente aberta, coisa mais importante para sair da sua cultura e conseguir se adaptar em outra”, enaltece.

 

Dificuldades e dicas para quem tem o mesmo sonho

No entanto, apesar das mais diversas experiências que a vida como modelo internacional proporciona, Pâmela destaca que não é perfeita e é preciso ter muita força e coragem para enfrentar os desafios diários.

“Quando você começa entender o que eles falam, às vezes pode doer muito. ‘Rosto largo, olho torto, baixa, magra demais, até pernas grossas demais’. Você nunca vai agradar todo mundo, eu aprendi isso, então fazia meu trabalho, voltava pra casa e desmoronava, já liguei muitas vezes pra casa chorando, querendo desistir, me sentindo péssima. O mais difícil disso tudo era a vida particular, longe de tudo, família e amigos, com pressão psicológica vinda de todos os lados, seu corpo cansa”, afirma.

Mesmo assim, ela fala com orgulho sobre a realização dos seus sonhos e dá algumas dicas para quem sonha em ser modelo internacional.

“Você começa a criar prioridades na sua vida, e é preciso organização e coragem. Eu que não gosto de despedidas, é algo que está muito presente na minha vida. E também é necessário entender que isso é sua profissão, precisa ser levado muito a sério, que é possível, além de ter em mente que são poucas pessoas nesse mundo que você realmente pode confiar. É preciso se informar muito bem antes de começar”, finaliza.

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