Uma alma altruísta
Elis Caetano relata sua relação com o voluntariado, no dia dedicado a homenagear as pessoas com vocação para ajudar ao próximo
O voluntariado é uma iniciativa que depende de vocação e da vontade genuína de fazer o bem, sem esperar nada em troca. E são exatamente estas características que a pomerodense Elis Caetano, de 30 anos, tem e que fazem com que ela se empenhe diariamente em doar uma parte de seu tempo a outras pessoas.
A vendedora interna comenta que o seu envolvimento com o voluntariado começou há cerca de dois ou três anos, quando conheceu o Projeto Sorriso, que realiza trabalhos voluntários no Hospital e no Pommernheim. Elis conta que chegou a participar do Projeto por um pequeno período, mas mesmo assim foi por meio dele que descobriu o que faltava em sua vida.
“Porém ao sair desse projeto, eu já estava doente, e neste momento começou uma luta contra um problema mental, o qual nem eu sabia do que se tratava direito. Depois de um ano, mais ou menos, já tratando a doença diagnosticada como Síndrome de Borderline (lembra mais ou menos uma depressão) e por incentivo de uma colega de trabalho e da psicóloga, comecei a pensar como a Dra. Feliz podia voltar a ajudar pessoas, porque é algo que me faz muito bem, mesmo que não fosse mais dentro do hospital”, revela a vendedora interna.
Depois desta conclusão, de que o voluntariado poderia ajudar na sua recuperação, veio a primeira oportunidade de voltar a fazer o bem. A primeira ação foi uma campanha para arrecadar roupinhas de bebê.
“Eu não estava mais usando Facebook, mas, certo dia, ativei ele, e a primeira coisa que apareceu pra mim, foi uma moça pedindo ajuda para conseguir roupinhas de bebê em um grupo. Foi ai que lancei a primeira postagem, abrindo uma campanha para conseguir roupinhas para esse bebê, e me surpreendi com a quantidade de pessoas que me chamaram para ajudar”, conta Elis.
E assim a vontade de ajudar outras pessoas foi ficando cada vez mais intensa e motivando-a a fazer cada vez mais, em prol do próximo. E poder receber o sentimento de gratidão das pessoas que ajuda, é o que motiva Elis a continuar se empenhando, de forma voluntária. “A gratidão das pessoas para comigo e pelas pessoas que doam, de algo que é tão simples, mas para eles é tão importante. A fome, o frio não esperam”, afirma, falando sobre a sua motivação para continuar ajudando.

Hoje, Elis não faz parte de um projeto específico ligado ao voluntariado, mas realiza frequentemente ações de arrecadação de alimentos, principalmente, que são entregues a pessoas que precisam. “Porque, das pessoas que ajudamos, umas vão falando às outras e assim vai se espalhando, por isso é importante sempre doarmos, porque existem, sim, pessoas que precisam”, enaltece.
Elis admite que, no início, a família teve certo receio com o seu grande engajamento nestas campanhas, mas logo perceberam que ser voluntária era algo que lhe fazia bem e, quando se deram conta, segundo a vendedora interna, já estavam colaborando, de alguma forma.
“Meu marido João Neto, hoje, é meu ajudante oficial. Ele me ajuda a buscar os alimentos, e a entregar. E facilita muito, porque sozinha, começou a ficar complicado. Tenho certeza que incentivo outras pessoas, o amor é contagioso. E sem a doação de tantas pessoas eu não faria nada, só consigo ajudar se as pessoas são tocadas no seu coração a ajudar”, destaca Elis.

A voluntária ressalta que, ao longo do tempo, foram diversos momentos e histórias marcantes vividas, relacionadas às campanhas que promove, mas cita duas, em especial, que ficaram gravadas em sua memória.
“O momento mais marcante com certeza foi quando cheguei em uma casa, em Blumenau, para entregar a cesta básica, e a pessoa disse eu só iria embora depois do café. Pediu para eu entrar, abriu a cesta básica, tirou o café, o leite e a bolacha. Preparou tudo e tomamos um café, da cesta que acabara de ter ganho. Com certeza melhor café que eu já tomei. E outro momento fantástico foi quando a Antonella chegou no valor para conseguir o medicamento Zolgensma. Só eu sei a alegria que senti”, coloca.
Para Elis, a alegria é o sentimento predominante quando ajuda alguma pessoa ou família é a alegria, que divide espaço com outros sentimentos intensos. “Sinceramente, cada família tem uma história por trás do ‘pedido de ajuda’, então cada família é um sentimento diferente, porém a alegria de ajudar e ver a gratidão deles com o gesto das pessoas que a ajudaram, sem as conhecer, é imensurável. E ainda espero ansiosamente para conhecer pessoalmente a Antonella”, afirma.

Antes da pandemia, de acordo com Elis, ela já realizava a arrecadação de alimentos para famílias carentes, mas com a vinda da pandemia com certeza muito mais famílias precisam da sua ajuda. “O amor pelo próximo tem que ser maior que o nosso medo por esse vírus”, frisa.
Inclusive, durante da pandemia do novo coronavírus, Elis e sua rede de apoio já ajudaram cerca de 50 famílias, de Pomerode, Timbó, Blumenau, e Indaial. Além disso, ajudam, ainda, na campanha do Hemosc Blumenau, incentivando as pessoas a fazer a doação de sangue, pois caiu muito o estoque devido a pandemia.
“O mais desafiador é não desistir, porque existe o cansaço, existe as pessoas que se aproveitam, sim existe, existe o dia que você precisa escolher ficar em casa no final de semana ou ir fazer as entregas, existe o dia que você arrecada alimento pra 3 famílias, e tem 6 que precisam de ajuda. E você não sabe o que fazer. Porém, o mais gratificante é saber que amar e ajudar o próximo é servir a Deus. E Deus tem sido maravilhoso comigo, retribuindo de muitas formas”, pondera.
Por fim, o que a incentiva a continuar se empenhando, diariamente, no voluntariado é o pensamento de que “para resultados diferentes precisamos fazer diferente. O que me motiva é o amor, o amor pode curar, esse mundo aonde tem tantas coisas ruins, podemos sim fazer coisas boas e eu vivo isso na prática. Você também pode tentar”, ressalta.
