Um trabalho de suma importância para a comunidade, também feito por mulheres
Colaboradoras da Usina de Triagem do Samae Pomerode falam como é a rotina de trabalho, em mais uma do especial Dia das Mulheres.
Nilza, Solange e Lucinéia trabalham com reciclaglem, na Usina de Triagem do Samae Pomerode, no Ribeirão Clara. Foto: Raphael Carrasco/JP
Na semana em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, que tal conhecermos a história de três mulheres que dedicam seu tempo em uma profissão que é fundamental para a comunidade?
Pomerode é uma cidade exemplo quando surge o assunto reciclagem. E, na Usina de Triagem do Samae da cidade, local que faz a separação dos materiais que podem ser reciclados, atuam cerca de oito mulheres que fazem parte do quadro total de colaboradores.
É o caso de Solange Aparecida Lucas, Lucinéia Aparecida Pinheiro Matucheski e Nilza Vaz de Oliveira, que trabalham na Usina de Triagem há alguns anos.
A “mais experiente” é Solange, que já está há 15 anos trabalhando no Samae Pomerode. Lucinéia está há cerca de nove anos e Nilza há sete. A rotina de trabalho delas é com a separação dos materiais, na esteira. Solange, agora, também está atuando na área da balança, porém, quando precisa, auxilia também em outras áreas da usina, assim como as duas outras colaboradoras.
Solange conta que o trabalho no Samae Pomerode é uma boa experiência e ressalta que é muito feliz atuando com o lixo reciclável.
“No começo, foi um pouco difícil a adaptação. Porém, ao passar do tempo, você acaba se acostumando e gostando do que faz. É um trabalho que não posso reclamar, afinal, é isso que faz com que posso pagar as minhas despesas, em casa. Não tenho vergonha nenhuma em atuar em uma usina de reciclagem, muito pelo contrário, tenho orgulho de fazer parte de toda a equipe, afinal é um trabalho importantíssimo para a população pomerodense”, relata.

Foto: Usina de Triagem do Samae conta com cerca de 8 colaboradoras. Raphael Carrasco/JP
Lucinéia, que está há nove anos no Samae, também falou sobre a motivação de ir trabalhar na Usina de Triagem. “Foi uma honra entrar aqui. Posso afirmar para todos que aqui é um ótimo lugar de trabalho. Assim como a Nilza, faço parte da equipe que faz a separação do lixo e sempre quando precisam, estamos aí para ajudar o que for necessário. É um lugar onde todo mundo se dá bem, todo mundo se conversa e há um respeito muito grande de todos os colaboradores”, comenta.
Já Nilza está há sete anos atuando na Usina de Triagem. Ela conta que antes de vir para o Samae Pomerode trabalhou em outras empresas, porém, foi no local onde é colaboradora hoje que encontrou a sua melhor oportunidade.
“Eu já trabalhei em outras empresas e posso dizer que é muito melhor aqui do que outros lugares que já passei. Eu gosto do meu serviço, temos mais liberdade para conversar entre os amigos e amigas e, sem dúvidas, me ajuda bastante financeiramente, tanto a mim, quanto meus filhos”, ressalta.

Foto: Raphael Carrasco/JP
Perguntado para as três colaboradoras se ainda há uma visão negativa ou preconceito com quem trabalha nesta área, Solange, Lucinéia e Nilza foram precisas nas respostas. Elas contam que algumas pessoas ainda olham de um jeito diferente quando falam que atuam em uma usina de reciclagem, além de escutar, muitas vezes, a palavra “Lixão”, sendo pejorativo ao serviço que elas realizam.
“Nós já escutamos muito, ‘ah você trabalha no lixão, né?’. Dá pra dizer que a visão das pessoas, sobre a nossa profissão, mudou, porém não tanto. Já teve ocasiões em que as pessoas te olham de uma forma diferente por estar usando um uniforme do Samae. Mas a gente não tem vergonha nenhuma da nossa profissão, pois sabemos que, para se ter uma cidade limpa, todos nós somos fundamentais para que isso realmente aconteça!”, afirmam as colaboradoras.
Apesar de Pomerode ser uma cidade referência em lixo reciclável, há algumas ocasiões desagradáveis que as colaboradoras já passaram. O descarte incorreto ainda acontece na cidade e muitas vezes, durante a separação, é encontrado lixo orgânico, seringas, fraldas usadas e outros.
“As vezes, quando estamos na separação, a gente acaba tendo contato com coisas que não queremos. Tem fralda usada, papel higiênico também usado, lixo orgânico como um todo e sem falar nas seringas. Algumas de nós já sofremos acidentes com essas seringas usadas e depois é necessário um tratamento médico para evitar uma possível infecção. Mas, também, já encontramos até dinheiro por aqui (risos)”, contam Solange, Lucinéia e Nilza.
Para o diretor da Usina de Triagem do Samae Pomerode, Luciano Conrado Schuster, é uma imensa satisfação contar com pessoas que se dedicam diariamente com um trabalho considerado fundamental para a comunidade pomerodense.
“Eu tenho muito orgulho dessas mulheres e também de todos os homens que aqui trabalham diariamente. Não é fácil, em alguns momentos, trabalhar com reciclagem, pois há situações que acabam sendo desagradáveis por conta de um descarte incorreto por parte dos moradores da nossa cidade. Sou grato por estar no Samae e ser diretor de um time de trabalho tão grande que é o da Usina de Triagem!”, finaliza