Um toque de cuidado com a própria saúde
Novembro Azul alerta para a importância do cuidado com a saúde masculina, principalmente em relação ao câncer de próstata
O azul é a cor que simboliza uma campanha que tem como foco a conscientização a respeito do cuidado com a saúde dos homens, especialmente com relação à prevenção ao câncer de próstata.
No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não-melanoma). Em valores absolutos e considerando ambos os sexos, é o segundo tipo mais comum.
Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, em 2020 havia cerca de 65.840 novos casos, correspondendo a 29,2% dos tumores incidentes no sexo masculino. Em 2019, foram 15.983 mortes em decorrência da doença, segundo o Atlas de Mortalidade por Câncer – SIM.
Para evitar que esta triste estatística aumente, a prevenção e o cuidado com a própria saúde é fundamental. Neste sentido, o pomerodense Ilário Reinke, de 72 anos pôde ser considerado um exemplo e caminha tranquilamente em direção à cura completa contra o câncer de próstata.
Ele teve o diagnóstico da doença em agosto do ano passado, após exames de rotina. “Eu descobri o câncer por meio do exame do toque, que eu já fazia há alguns anos, assim como o exame de sangue. Até então, os resultados eram bons, com tudo tranquilo em relação à minha saúde, mas ano passado tivemos uma surpresa ruim, já que eu não tinha nenhum sintoma”, conta Reinke.
Começou, então, uma maratona de exames para um diagnóstico mais preciso. A biópsia confirmou o câncer, com a existência de 12 nódulos, e o primeiro passo para o tratamento foi a cirurgia, em fevereiro, no Hospital Santa Isabel.

Ilário e sua esposa, Elfrieda, comemoram a saúde dele. (Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
Após a cirurgia, aguardou 45 dias e fez um exame de sangue que ainda apontou uma anormalidade. Então, foram necessários mais 45 dias, e um segundo exame apontou a necessidade de partir para a radioterapia. Foram 37 sessões, realizadas em Blumenau, até que pudesse considerar o tratamento finalizado. Agora, o aposentado aguarda a realização de mais um exame de sangue e do retorno ao médico, em janeiro do ano que vem.
“Agora estou me sentindo bem, não percebo nada de errado. Mas no início, quando descobrimos, foi muito difícil. Eu já tive um melanoma no olho esquerdo e precisei de cirurgia e depois recebi mais um diagnóstico de doença, que foi um choque, já que eu não tinha nenhum sintoma”, relata Reinke.
A esposa, Elfrieda Reinke, contou que também foi complicado o período pós-operatório. “A recuperação foi demorada e difícil depois da cirurgia, ele ficou muito fraco. Os primeiros 15 dias foram os mais difíceis, pois precisávamos ajudá-lo em tudo. O Ilário já tinha feito outras cirurgias, mas nunca havia sido tão difícil. Agora estamos mais tranquilos, porque ele está bem”, relata a esposa.
Hoje, já recuperado das dificuldades impostas pela cirurgia e pela radioterapia, Ilário Reinke afirma que se sente grato por estar bem e pela recuperação. Ele ainda destaca a importância da realização do exame, para o diagnóstico mais rápida. “Não sei porque muitas pessoas não fazem o exame, porque ele não mata, o que mata é a doença. Se eu não fizesse, não sei quando iria descobrir e se conseguiria me curar”, enaltece.
O câncer de próstata
A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso). A próstata envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada. A próstata produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.
Segundo o urologista Raphael Lahr, a investigação do câncer de próstata deve ser feita em todo o homem, a partir dos 50 anos de idade e naqueles que têm história de câncer de próstata na família. Ainda, homens da raça negra a partir dos 45 anos.
“Os dois exames através dos quais fazemos a investigação inicial são o de sangue, PSA, associado ao toque retal. E estes são exames complementares. Caso um deles seja alterado, prossegue a investigação e o diagnóstico é por meio da biópsia da próstata. São retirados fragmentos dela, que são analisados e irão dizer se há ou não o câncer”, explica o especialista.
Os principais fatores que podem causar: fator familiar, se há histórico de câncer na família, e algumas alterações genéticas. Todo tipo de câncer no organismo se inicia a partir da multiplicação errônea das células e essa multiplicação passa às células filhas, que vai levando ao aumento do câncer.

Importância do diagnóstico precoce
Ainda de acordo com o urologista, o diagnóstico precoce favorece muito o tratamento. “Isso porque, no quadro inicial, os pacientes não têm nenhum tipo de sintoma, com a vida normal, e a doença começa pequena, assintomática. Quando fazemos a prevenção podemos avaliar alguma alteração e investigá-la, podendo diagnosticar alguma doença ainda estágio inicial. Quando isso acontece, temos algumas formas de tratamento e fazendo o tratamento, temos grandes chances de curar este paciente da doença”, destaca.
O especialista afirma que, quando uma doença é descoberta no quadro inicial, o paciente tem mais de 95% de chance de cura. Já quando é uma doença no estágio mais avançado, segundo Lahr, talvez não haja mais possibilidade de cura, somente meios para amenizar.
“O preconceito é um fator que ainda inibe muitos homens a procurarem o urologista para fazer o exame do toque retal, muitos ainda têm medo. Mas o toque é um exame rápido e não é desconfortável. Ainda, é importante destacar que o tratamento tratamento cirúrgico para câncer de próstata evoluiu muito. Temos a cirurgia videolaparoscópica e também a robótica, que ajuda muito na recuperação do paciente e é bem menos agressiva ao organismo”, finaliza.
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