Um símbolo de Pomerode, que celebra 25 anos
Associação Professor Alírio Dahlke, que fundou a Banda Municipal Die Originalen Rega Bläser, completa 25 anos de contribuição para a cultura de Pomerode
Foto: Isadora Brehmer / JP
Quando pensamos em música, em Pomerode, é difícil não associar a palavra diretamente à Banda Municipal Die Originalen Rega Bläser, um dos símbolos da cidade. Em 2024, o conjunto celebra 25 anos de fundação oficial, com a criação da Associação Musical Professor Alírio Dahlke.
Criada a partir de uma ideia da comunidade de Rega, a Banda começou suas atividades em 1995 e foi oficialmente fundada, com a Associação em março de 1999, junto à Escola Almirante Barroso. Em 2010, por meio de um decreto, a banda passa a ser Banda Municipal Die Originalen Rega Bläser. No início de 2011, a Associação Musical passa a ser Associação Professor Alírio Dahlke, em homenagem à pessoa que deu origem à banda municipal.
Atualmente, a Associação Professor Alírio Dahlke é presidida por Aline Pein, que também integra a Banda, e tem como maestro Rafael Liandro Pinto Nemézio. 27 músicos compõem a atual formação da Banda Municipal Die Originalen Rega Bläser.
Em sua descrição, a Banda tem por objetivo fundamental resgatar, estimular e desenvolver o interesse e o gosto pela música tradicional germânica. Além disso, o conjunto busca contribuir para a formação musical, cultural, artística, moral, cívica e social da juventude, no sentido de torná-la um veículo de difusão musical, de integração cultural, artística, educativa e informativa dentro dos princípios democráticos.
Um dos integrantes mais antigos do conjunto é Carlos Hornburg, que ingressou pela primeira vez na Banda Municipal em meados de 1999. Ele permanece como parte do grupo por alguns anos e teve duas saídas e retornos, retornando à Banda definitivamente após a pandemia.
“Me lembro que os ensaios, no início, aconteciam aos sábados pela manhã, das 7h às 9h, no corredor da Escola Almirante Barroso. Cada um levava o seu instrumento para os ensaios e tínhamos o maestro Élio Rahn, bem como a ajuda do professor Alírio, que estavam sempre prontos para nos ajudar e corrigir, quando necessário. Inclusive, as chamadas de atenção eram bem enérgicas, pelo que me recordo”, relembra.
Outra memória citada por Hornburg tem relação com os ensaios durante o inverno, já que aconteciam no corredor e, segundo o integrante da Banda, os dedos chegavam a ficar duros durante o exercício.
“Mesmo assim, estávamos sempre firmes e fortes. A vontade de estarmos lá sempre foi mais forte do que os obstáculos. Também, na época, era mais difícil conseguir as partituras, do que é hoje, então o professor Alírio prontamente fazia fotocópias das partituras que cada um precisava, para que os integrantes pudessem levar para casa e estudar. Alírio sempre foi muito engajado para que tudo acontecesse da melhor forma possível, era uma alegria enorme para ele. Era muito prestativo, tudo o que precisávamos, ele estava ali para ajudar”, recorda.
Quem também acumula muitas vivências com a Banda Municipal, ao longo de mais de 20 anos é Roberto Maske, que ingressou no conjunto entre o fim do ano de 2001 e começo de 2002.

Foto: Arquivo / Banda Municipal
“Fui trabalhar na Escola Almirante Barroso, como tecnólogo, no mês de setembro de 2001, e como o Alírio me conhecia, antes mesmo de a Banda existir, me convidou para fazer parte da Banda. Inicialmente, o meu instrumento, o Bandoneon, não se encaixava muito bem no conjunto, então passei a tocar Lira. Desde então, sempre estive presente na Banda”, conta.
Quem está à frente da Associação que homenageia Alírio Dahlke é Aline Pein, integrante da Banda Municipal há 12 anos. Aline também é parte da diretoria da Associação desde 2014 e esta é a terceira vez em que ocupa o cargo de presidente.
“A minha admiração pela banda vem desde criança, quando assistia aos desfiles da Festa Pomerana. Me encantava com os trajes e a quantidade de instrumentos. Em 2012, um integrante me convidou para assistir o ensaio e logo em seguida comecei a fazer aula de clarinete. Depois de três meses de aula, eu entrei na Banda”, afirma.
Segundo a presidente da Associação, o maior desafio em estar à frente da instituição é lidar com as pessoas, pois é uma tarefa que exige empatia, paciência e habilidade de compreender diferentes opiniões.
Como alguém que se encantou pelo conjunto desde a infância, Aline cita alguns momentos especiais de sua própria vivência com a Banda, como por exemplo o intercâmbio com outros conjuntos, na Alemanha.
“Especialmente o dia em que tocamos nos Alpes, assim como o dia em que cantei pela primeira vez em um concerto. A Banda Municipal representa uma parte essencial da minha vida, um espaço onde o meu amor pela música se encontra com a cultura da cidade. Além disso, participar da Banda desenvolve muitas habilidades, como a disciplina, a concentração, o trabalho em equipe, contribuindo também para o meu crescimento pessoal”, enaltece a presidente da Associação.
Roberto Maske acrescenta, ainda, a evolução pela qual a Banda passou desde os seus primeiros anos de existência, além de destacar o sentimento em fazer parte de um conjunto tão simbólico para o município.
“Muita coisa mudou desde aquela época, muito evoluiu. Começamos com músicas alemãs, mais tradicionais daqui e depois, com o passar dos anos, incluímos novos arranjos, atingir um nível muito bom e expandir nosso repertório também para músicas de diversos estilos, inclusive temas de filmes, MPB. Hoje em dia, os instrumentos também estão mais divididos, com cada um tocando a sua parte. Para mim é uma grande satisfação fazer parte da banda e estar junto com ela. Fazer parte de mais de 20 anos desta história, de tudo o que a Banda passou, conseguiu conquistar, é algo muito gratificante”, frisa.
Carlos Hornburg, que ingressou primeiramente na Banda no ano em que foi oficialmente fundada, hoje divide os palcos com a filha, Carolina, que toca Clarinete no conjunto.
“Minha filha ingressou há cerca de cinco anos e toca hoje junto conosco na Banda. É gratificante dividir os palcos com ela, pois sempre tentamos direcionar os filhos para o bom caminho, no caso a música, que é algo que nos ensina muito. É um privilégio poder fazer parte da Banda Municipal, é algo muito especial e que nos traz um sentimento forte de gratidão”, finaliza.
