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Um recomeço sereno e cheio de alegria

Casal celebra primeiro mês de vida da filha, relembrando o longo caminho até chegar à felicidade

15 de janeiro de 2022

Foto: William Bucholtz

O início de um novo ano sempre marca a oportunidade de um novo recomeço e para o casal Rebeca Jacuniak Bucholtz e William Bucholtz, 2022 é um ano de celebração, com o maior presente que poderiam receber: a filha Serena Jacuniak Bucholtz.

A pequena nasceu em 13 de dezembro de 2021, e completou um mês de vida nesta semana. O nascimento da filha representou um segundo milagre na vida do casal, principalmente após a perda da primeira filha, Ester.

Aos 37 anos, Rebeca relembra que a gestação de Ester, por si só, foi um milagre, embora tenha sido cheia de obstáculos. “A Ester nasceu no dia 29 de julho de 2020. Foi um parto de urgência. Na gestação dela, eu desenvolvi pré-eclâmpsia grave, que desencadeou para síndrome de HELLP. Eu já estava internada há um pouco mais de uma semana, quando meu médico, Dr. Paulo, nos encaminhou para Blumenau, porque já tínhamos o diagnóstico do parto prematuro e já sabíamos que, pela idade gestacional, a Ester precisaria de UTI neonatal. Ela nasceu bastante pequena, com menos de 800g, o que indicava uma forte restrição de tamanho por causa da pré-eclâmpsia”, relembra a estilista.

Após o nascimento da menina, os dias que se seguiram foram desafiadores. O casal define o período como os melhores e piores dias de suas vidas. “Viver com um filho numa UTI neonatal te marca para o resto da vida. É angustiante e sufocante. Ela teve muitas intercorrências, principalmente nos primeiros dias e esteve para morrer diversas vezes. A equipe do Hospital Santo Antônio sempre foi muito transparente e nos dizia exatamente a gravidade do estado dela. Um hospital é o pior lugar para você ver seu bebê. Todos os procedimentos, injeções, medicamentos, cirurgias que ela passou, ao mesmo tempo que salvam a vida, deixam seu bebezinho num estado constante de alerta e, muitas vezes, de dor. Como pais, ver isso e não ter o que fazer é muito difícil”, ponderam.

Rebeca e William se apoiaram na fé para enfrentar esta luta. Com a bênção de Deus, Ester foi superando as situações, ganhando peso, aos poucos, e chegou a estar no colo dois papais. Rebeca fala, com emoção, que teve o privilégio de amamentar a pequena, ainda no hospital.

Porém, Deus também tinha outros planos para o casal e para a pequena Ester, porque dias depois, a menina faleceu, antes do último procedimento que precisava fazer, no hospital.

Foto: Arquivo pessoal

“Foi horrível e a pior dor que já sentimos. Recebemos o carinho de todos da equipe do Hospital Santo Antônio, que fizeram de tudo por ela. O apoio de nossa igreja local, Evangélica Livre, que, com nosso pastor Diego, foi nosso escudo neste período de luto. E, também, de tantos amigos e familiares, de perto e de longe, que foram essenciais nessa caminhada. Até hoje a saudade dela dói bastante. Mas isso, acreditamos, que é para sempre. Nós honramos a vida da nossa filha e temos esperança de, um dia, encontrá-la novamente. Sem Deus e o consolo sobrenatural dEle, não sei como estaríamos”, afirma o casal.

E foi justamente a união de Rebeca e William que deu forças para que eles enfrentassem o período complicado que se seguiu. Ambos relatam que conversaram sempre sobre os sentimentos e, mais uma vez, se apoiaram na fé para seguir em frente. Mesmo com os momentos de frustração, dor, raiva e tristeza profunda, as orações e o apoio da família foram fundamentais.
“Acho que o mais importante quando uma família sofre uma perda assim, dessa forma, é manter a união e o diálogo. Não se fechar no próprio sofrimento e, juntos, manterem a fé. Muitas vezes, vai ser difícil olhar para um futuro, mas ele continua existindo e, aos poucos, vencendo a cada dia, a esperança vai tomando um lugar novamente”, ponderam.

 

Um novo milagre

A gestação da Ester já havia sido um milagre. O casal conta que William tinha um diagnóstico de baixíssima contagem de esperma, o que indicava quase uma infertilidade. Neste caso, uma gravidez natural era praticamente impossível. William e Rebeca tinham planos de adoção, mas nada de concreto. A estilista, inclusive, confessa que não tinha vontade de ter filhos.
Mas a gravidez da Ester veio como uma surpresa. “Para mim, aos poucos, com o avançar da gravidez, eu fui me apaixonando pela maternidade, mas não foi algo automático. Quando ela estava na UTI e pela gravidade do que eu passei, pensamos em fazer a vasectomia no William. Uma gravidez, no meu caso, indicava um risco sério de vida. Mas nunca sentimos paz em assinar os papéis e levar esse plano adiante”, revela Rebeca.

A estilista também comenta que, durante a internação da Ester, teve um sonho em que o William trazia uma bebê para casa e lhe entregava.

“Ele falava: olha como ela é calma. O nome dela será Serena! Quando a Ester se foi, sentimos um vazio avassalador. Quem já perdeu um bebê sabe, a dor do braço vazio é absurda! Demos entrada no processo de adoção na mesma semana. Queríamos filhos, casa cheia, barulho de crianças. Estar ali, ver o quarto dela pronto e vazio, foi bem difícil. Logo nos informamos, também, das possibilidades de reverter o quadro do William, de tentar amenizar os riscos para mim e termos outra gestação. Em dezembro, o William passou por uma cirurgia, que, pelo jeito, foi um sucesso, porque em março engravidei da Serena. Mais um milagre, já que deveríamos esperar os resultados só depois de seis meses e, mesmo assim, não seria garantia de reverter o quadro dele. Mas os tempos não são nossos mesmo! E Deus mandou logo a Serena”, destaca Rebeca.

A nova gestação, segundo Rebeca, foi tranquila, dentro de seu quadro de risco. O médico foi assertivo no tratamento e houve um acompanhamento mais intensivo. Em uma bateria de exames, veio uma alteração para SAF, uma doença autoimune, que pode desencadear processos de coagulação sanguínea e elevação da pressão arterial, principalmente, em gestações.

“O diagnóstico não foi completamente fechado, mas por esta indicação, mais o histórico da gravidez da Ester, eu tive que aplicar as injeções de anticoagulantes, tomar algumas medicações específicas e cuidar de peso, esforço e incômodos. Ela demorou à aparecer no ultrassom. Eu já estava com quase nove semanas quando ouvimos o coração dela no exame. Foi um alívio e uma felicidade sem tamanho! Uma bênção”, enaltece.

O restante da gestação trouxe todos os desafios normais em gerar uma vida. Houve alguns enjoos, desejos de comida, mudanças de humor, dores nas costas, e por fim, o trabalho de parto.

“Sou muito grata ao Dr. Paulo, ao meu marido e a Deus, por ter vivenciado tudo isso. O parto da Serena foi muito tranquilo, toda a preparação e o procedimento em si. Tão diferente de fazer um parto de urgência! Foi emocionante ver e sentir ela, logo que nasceu, amamentar nos primeiros momentos de vida. Vivemos um sonho”, disse Rebeca.

Serena Jacuniak Bucholtz nasceu pequena, com 2.450g, mas muito saudável, mamando bem e super querida. Para os pais, ter a filha nos braços e em casa, significa felicidade plena.

Foto: William Bucholtz

“Estamos muito felizes e gratos de ter nossa filha em casa, sob nossos cuidados, podendo aproveitar todos os momentos com ela, vâ-la crescer e ganhar peso! É claro que sentimos cansaço e é bem desafiador cuidar de um recém-nascido. Educar um filho em qualquer idade é desafiador, mas também, um dom e uma missão. Penso que devemos encarar com carinho e força de vontade, são diferentes fases, cada uma com suas dificuldades, mas igualmente e até mais, belezas. Cabe a nós darmos a importância devida a cada uma delas. Para nós, o maior sentimento é o de gratidão mesmo. Ter o quartinho finalmente ocupado, é muito emocionante”, destaca.

O momento, agora, é de celebração. Toda a família comemorou o início de um novo ano, após o nascimento da Serena, que foi totalmente paparicada. E, agora, o momento é novamente de comemoração, com o primeiro mês da pequena.

“Dia 13 ela completou um mês e é motivo de gratidão imensa ter como tirar uma foto segurando-a neste dia. Com a pandemia seremos só nós e a família mais próxima mesmo, infelizmente, não temos como juntar mais pessoas ou receber visitas ainda. Não é o momento. Mas, com certeza, teremos muitos outros meses e anos para fazer festa”, finalizam.

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