Um país em luto?
O Brasil vive um momento político e econômico instável. Após manifestos, operações investigativas e nomeações,
pomerodenses também aderiram à campanha nacional
Descontentamento. Esta é uma das inúmeras palavras que define o sentimento da grande maioria dos brasileiros em relação ao atual cenário político e econômico do país. De um lado, todos os dias, novas situações e personagens são envolvidos em escândalos relacionados à corrupção, das mais diferentes formas.
Do outro lado da moeda, manifestos em ruas e redes sociais. Palavras de ordem que pedem pelo impeachment, pela justiça. Palavras em apoio a juízes e todos os que lutam por investigações sem pretensões políticas. Palavras contra governantes e todos aqueles que, independentemente de partido político, utilizam o poder dado a eles, através do voto, beneficiando-se de forma indevida.
Uma nação quase que descrente em sua própria justiça, que vê através dos meios de comunicação a esperança esvair-se, assim como a confiança por dias melhores. Sem propensão partidária o desejo é um só: um país melhor.
Pomerode não foge a realidade do Brasil e, assim como em diversas cidades brasileiras, a população também fez a sua parte quando o assunto foi unir forças e mostrar que indiferença não é a palavra que rege nossas ações.
O grito da população, desta vez, chegou de forma silenciosa. Faixas pretas foram instaladas em empresas e comércios locais, assim como a cor da camiseta a ser usada na quinta-feira, 17 de março.
A ação do “Brasil em luto” também mobilizou pomerodenses que aderiram a cor como forma de protesto contra a corrupção.
Para Claus Sell, proprietário da empresa DuSell, a iniciativa serve para lamentar o que acontece no país. “É uma forma de mostrar o apoio ao Juiz Sérgio Moro, ao Brasil. Acredito que não deva ser apenas uma iniciativa das empresas, mas sim, de todo cidadão brasileiro que preza pela honestidade”, afirma.
A iniciativa foi igual no comércio. Os funcionários da Farmácia Farmalan usaram camisa preta durante a semana. “É uma maneira de mostrar que também estamos infelizes com a situação do Brasil. Enquanto os líderes estão brigando entre si, por coisas que não são deles, tirando do povo, automaticamente também do empresário, chegam a nós os problemas, como o desemprego”, relata Silvia Zibell, gerente do estabelecimento.
E, por aqui, até a Apae usou da estratégia. A diretora da entidade, Riacarla Wachholz Rauh, reiterou que o manifesto é contra a crise do país. “Estamos indignados com a atual situação do Brasil. Então nós, como instituição Apae, também estamos sentindo o problema, como reflexo no repasse e diminuição de verbas. Em nome da Apae, também aderimos a este movimento”, completa.
Entre a corrupção e os manifestos, está a esperança de dias melhores, de uma política menos corrompida e que, de fato, a justiça seja a palavra da vez para quem quer que seja.