Um novo passo para a inclusão
Escritoras da Clip Mulher lançam livro inteiramente em braile
Ainclusão, por mais que seja um tema que vem ganhando cada vez mais destaque e importância, ainda é um desafio, principalmente, na educação. E com o objetivo de auxiliar nesta questão, as escritoras Neida Rocha e Andrea Gustmann Gomes, da Clip Mulher, criaram o livro Olhos da Alma, uma obra inteiramente em braile.
O livro é uma coletânea de frases que estimulam a autoestima, a reflexão e o positivismo, e é uma junção dos trabalhos das duas escritoras, sendo metade, das 32 páginas, para cada uma delas.
De acordo com a escritora Neida Rocha, a ideia de produzir um livro inteiramente em braile existe desde 2017, quando a Clip foi criada, mas precisou ser lapidada durante estes dois anos.
“Quando eu ainda lecionava, em Blumenau, eu tive uma aluna deficiente visual e pude ver como é difícil para estas pessoas terem acesso à literatura. Então, eu busquei o aprendizado do braile, inspirada nesta aluna. Por conta dela, senti que precisava me aperfeiçoar e decidi fazer o curso de braile na Fundação Cultural de Blumenau”, relata Neida.
Depois disso, a escritora contribuiu com a produção de livros em braile, fazendo a tradução para a escrita tradicional, então, adquiriu certa experiência no ramo. Neste ano, então, junto à Andrea, elas encararam o desafio de produzir um livro autoral em braile, e chegaram a um resultado final, que é motivo de orgulho para ambas.
“Durante dois anos, fomos amadurecendo e preparando o conteúdo do livro. Entendemos que esta era a nossa forma de conseguir contribuir com a inclusão e com a democratização do acesso à literatura. Além disso, trabalhar com braile é algo impressionante, faz com que a gente reflita nossa própria vida, e dê mais valor ao fato de termos a visão”, destaca Neida.

(Foto: Isadora Brehmer / Jornal de Pomerode)
A concretização do sonho de produzir um livro em braile, de acordo com as escritoras, é uma realização pessoal, pois acreditam que a leitura, somente pelo toque, é algo incrível e admirável.
A ideia, agora, é fazer uma venda direcionada, de acordo com os pedidos que tiverem, porque é para um público bem específico e a impressão tem um custo alto. Ela é feita na Fundação Cultural de Blumenau, que é o único local da região que tem a impressora específica para o braile.
“Destaco que essa preocupação com a inclusão social foi fundamental para que pudéssemos, também, sair da nossa zona de conforto. Aprender o braile é algo apaixonante, tanto para mim quanto para a Andrea e o livro, com certeza, nos toca bastante. Pensamos, ainda, em futuramente, readequar algumas obras nossas já existentes ao braile, para fomentar ainda mais a inclusão, mas é um projeto a longo prazo, para o ano que vem ou até 2021”, finaliza Neida.
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