Um novo desafio, com novos horizontes: Marciana Seiler Piske integra time de vôlei sentado, em Blumenau
Marciana Seiler Piske integra equipe de voleibol sentado de Blumenau, iniciativa pioneira em Santa Catarina
As Olimpíadas de Tóquio terminaram, mas se engana quem pensa que não há mais esporte de alto nível para acompanharmos, nos próximos dias. A partir do dia 24 agosto, começam as Paralimpíadas de Tóquio, evento que reúne os melhores atletas paralímpicos do mundo, que dão um show de força de vontade e superação.
Uma das modalidades integrantes desta super festa do esporte é o voleibol sentado, prática que possui um time pioneiro, agora, em Blumenau. A Associação de Paradesporto de Blumenau (Apesblu) apostou na criação de uma equipe de voleibol sentado, visando a participação no campeonato brasileiro da modalidade. E uma das integrantes desta equipe é a pomerodense Marciana Seiler Piske, de 38 anos.
A história de superação de Marciana já foi destaque no Jornal de Pomerode, pois ela deu a volta por cima e encontrou um novo rumo para sua vida, mesmo após um acidente que provocou a amputação de parte de sua perna esquerda. Com o vôlei sentado, Marciana revela que encontrou uma nova motivação e descobriu novos sonhos, relacionados ao esporte.
A paratleta revela que não conhecia o vôlei sentado, até ser apresentada à modalidade pelo treinador Anderson Ronchi. Em fevereiro de 2020, ele a convidou para um teste no esporte e explicou que esta seria uma nova modalidade no paradesporto de Blumenau e também de Santa Catarina.
“Estou praticando o vôlei sentado desde março de 2020, mas por causa da pandemia paramos de treinar presencial. Mesmo assim, eu continuei treinando em casa e o treinador mandava exercícios de deslocamento e toques. Posso dizer que, quando eu sentei a primeira vez no chão, já sabia que é isso que eu queria. Mesmo que tenha ficado dias dolorida. Posso dizer que é uma experiência maravilhosa. E me arrependo de não ter começado mais cedo, pois esse esporte transforma a nossa vida, trabalho em equipe, ajudar os outros a crescer junto com você, ver a evolução das pessoas que não sabiam nada desse esporte. É maravilhoso”, conta a atleta de vôlei sentado.
E para quem já enfrentou tantos desafios na vida, Marciana encara o desenvolvimento na modalidade com coragem e esperança, buscando um objetivo muito específico.

O projeto pretende incentivar a modalidade na região e no estado. (Foto: Smart Filmes)
“Como eu gosto muito de desafios, minha vida é baseada em desafios, posso dizer que estou enfrentando ele muito bem, com persistência, treino, força. Eu aumentei meus dias de academia, devido ao vôlei, porque é necessária força, agilidade e concentração, e a academia ajuda muito a dar este up para o vôlei sentado. Para este novo desafio, a minha expectativa é que dará tudo certo, vamos conseguir montar o time até o fim do ano, para podermos, ano que vem, participar com nosso time do campeonato brasileiro. Sei que posso crescer muito, ainda, no esporte e meu objetivo é chegar à seleção brasileira”, afirma.
A equipe de voleibol sentado da Apesblu ainda não participará da edição deste ano do campeonato brasileiro, mesmo assim, Marciana estará na competição, a convite de outro time, com a autorização e inventivo da diretoria blumenauense. Para a atleta pomerodense, a participação é encarada como uma honra, e mais um desafio em sua vida.
Por meio da participação em uma edição de campeonato brasileiro, Marciana espera, também, adquirir experiência para auxiliar no desenvolvimento da equipe blumenauense e leva-la ao sucesso, uma vez que o time também é pioneiro no esporte em SC.
“Eu acho muito importante termos o time de vôlei sentado, assim como qualquer modalidade coletiva. Porque um time precisa saber ser unido, ter o trabalho de equipe. Essa modalidade é muito importante pois trabalha o emocional, posso dizer que é nossa segunda família, um local para se distrair, para se divertir e sendo todos iguais, cada um com a sua deficiência. Ali, estamos sempre buscando nos superar, pensando na evolução conjunta do time”, destaca.
Agora, o grupo busca incentivos e novos integrantes para a equipe, para que consigam realizar o sonho de disputarem um campeonato brasileiro de voleibol sentado e ajudem no desenvolvimento da modalidade em nosso estado, pensando, inclusive, em torna-la parte do Parajasc.
“Qualquer esporte que você pratique, melhora suas condições físicas e mentais, dá um up na sua vida. O vôlei me transformou, me deu mais resistência, foco, pensamentos rápidos. Posso dizer, também, que dá uma qualidade de vida boa, eu não posso faltar desse compromisso, pois sempre sinto que falta algo e não consigo ficar longe deste esporte, que é viciante, de certa forma. E gostaria muito que a comunidade daqui de Pomerode pudesse nos ajudar, também, pois sei o quanto abraçam o esporte”, enaltece.
O começo do projeto
O esporte será oferecido pela Prefeitura de Blumenau gratuitamente às pessoas que possuem algum tipo de amputação, deficiência física ou relacionada à locomoção.
Além do trabalho social de dar mais qualidade de vida para as pessoas, um dos objetivos do projeto é montar equipes completas dos naipes masculino e feminino para participações nos campeonatos oficiais organizados pela Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes (CBVD). Com isso, atuar na formação de paratletas com potencial de convocação para as seleções.
Já são 11 atletas que fazem parte da equipe, sendo seis no masculino e cinco no feminino. Os treinos são feitos às sextas-feiras, das 18h30 às 20h30 e aos sábados das 8h às 10h, na quadra de esportes da Escola Básica Municipal Francisco Lanser.
As aulas são gratuitas e os interessados, que tenham acima dos oito anos de idade, poderão entrar em contato pelo telefone 3381-7035 ou pelas redes sócias da Apesblu. Além disso, poderá ir até o local de treinamento e falar com o professor responsável pela equipe.
O vôlei sentado
No vôlei sentado, podem competir homens e mulheres que possuam alguma deficiência física ou relacionada à locomoção. São 6 jogadores em cada time, divididos por uma rede de altura diferente e em uma quadra menor do que na versão olímpica da modalidade. Os sets tem 25 pontos corridos e, o Tie-Break, 15. Ganha a partida a equipe que vencer três sets.
A quadra mede 10m de comprimento por 6m de largura. A altura da rede é de 1,15m no masculino e 1,05m no feminino. É permitido bloqueio de saque, mas os jogadores devem manter o contato com o solo o tempo todo, exceto em deslocamentos. No Brasil, a modalidade é administrada pela Confederação Brasileira de Voleibol para Deficientes (CBVD).
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